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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS
CÂMPUS DE JABOTICABAL
BIOECOLOGIA DE Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN,
1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) EM VIDEIRA
Marcelo Zart
Eng° Agrônomo
JABOTICABAL – SÃO PAULO - BRASIL
2008
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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JULIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS
CÂMPUS DE JABOTICABAL
BIOECOLOGIA DE Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN,
1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) EM VIDEIRA
Marcelo Zart
Orientador: Prof. Dr. Odair Aparecido Fernandes
Co-orientador: Dr. Marcos Botton
Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias Unesp, Campus de Jaboticabal, como parte
das exigências para a obtenção do tulo de Mestre em
Agronomia (Entomologia Agrícola).
Jaboticabal – São Paulo
Fevereiro - 2008
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Zart, Marcelo
Z38b
Bioecologia de Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830)
(Diptera: Tephritidae) em videira / Marcelo Zart. – – Jaboticabal, 2008
iv, 73 f. : il. ; 28 cm
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista,
Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2008
Orientador: Odair Aparecido Fernandes
Banca examinadora: Sérgio Antônio De Bortoli, Adalton Raga
Bibliografia
1. Biologia. 2. Ecologia. 3. Manejo Integrado de Pragas. I. Título
II. Jaboticabal-Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias.
CDU 595.773.4:634.8
Ficha catalográfica elaborada pela Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação – Serviço
Técnico de Biblioteca e Documentação - UNESP, Câmpus de Jaboticabal.
DADOS CURRICULARES DO AUTOR
Marcelo Zart – Formou-se Técnico em Agropecuária pela Escola Municipal
Agrícola de Ibirubá em 2000, após ter realizado estágio de conclusão de curso na
Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda (COTRIBÁ). Formou-se em Agronomia
na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em setembro de 2005. Durante a
graduação foi estagiário do Laboratório de Biologia e Controle Biológico de Insetos (de
agosto 2002 a janeiro 2005) e, como monitor da disciplina de Entomologia Agrícola
(2003 a 2004), em ambas, sob orientação do Prof. Dr. Mauro Silveira Garcia. Realizou o
estágio de conclusão de curso na Embrapa Uva e Vinho Bento Gonçalves, RS, sob
orientação do Pesquisador Dr. Marcos Botton e do Prof. Dr. Mauro Silveira Garcia,
defendendo o trabalho intitulado “Manejo Integrado de Pragas de Fruteiras na Serra
Gaúcha”. Em março de 2006 ingressou no curso de Mestrado em Agronomia, área de
concentração Entomologia Agrícola (bolsista CNPq) na Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias UNESP, Campus de Jaboticabal SP, sob orientação do Prof. Dr.
Odair Aparecido Fernandes e co-orientação do pesquisador Dr. Marcos Botton.
Aos meus pais, Arnane Zart e Lurdes B.
Kalkmann Zart, pelo amor incondicional que
transmitem na minha vida e valores ensinados; à
minha irmã Juliana Zart, pelo amor carinho que
temos um com o outro e à minha noiva Carolina
Raquel de Oliveira Modesto, pelo amor e a
paciência que me foram correspondidos.
Dedico e ofereço.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Odair Aparecido Fernandes, pela orientação e aulio na revisão da
dissertação e, principalmente, pelos ensinamentos que levo para minha vida;
Ao Pesquisador Dr. Marcos Botton, pela orientação, confiança dada ao trabalho e
incentivo necessário para a realização do mestrado;
Aos docentes do Programa de Pós-graduação em Agronomia (Entomologia
Agrícola) da UNESP Campus de Jaboticabal Professores Dr. Antonio Carlos Busoli e
Dr
a
. Nilza Maria Martinelli pelos ensinamentos ministrados durante as disciplinas
realizadas;
Ao professor Dr. José Carlos Barbosa pelos ensinamentos e auxílio nas análises
estatísticas;
Aos professores Dr. Sérgio de Freitas e Dr. Júlio Cesar Galli por participarem na
banca de qualificação e auxiliarem no enriquecimento da discussão do trabalho;
Ao professor Dr. Sérgio Antonio De Bortoli e ao pesquisador do Instituto Biológico
de Campinas Dr. Adalton Raga por participarem da banca de defesa e auxiliarem na
discussão e revisão da dissertação;
À assistente de pesquisa do Laboratório de Entomologia da Embrapa Uva e Vinho,
Bióloga Vânia Maria Ambrosi Sganzerla, pelo auxílio nas avaliações;
Ao assistente de pesquisa do Laboratório de Entomologia, Técnico Agrícola o
Antôni Carollo pelo auxílio nos experimentos a campo;
Ao Pesquisador Dr. Francisco Mandelli e ao assistente de pesquisa Dalton Antonio
Zat, da Metereologia da Embrapa Uva e Vinho, pelo fornecimento dos dados
metereológicos utilizados no trabalho;
À Bibliotecária da Embrapa Uva e Vinho Katia Midori Hiwatashi, pelo auxílio na
revisão bibliográfica;
Ao Mestrando em Fitossanidade Wagner da Rosa Härter, pelo auxílio na
instalação e coleta dos dados dos experimentos a campo;
Ao Doutorando em Fitossanidade Wilson José Morandi Filho, à Enóloga Patrícia
Poggere, à Mestranda Cristiane Müller e aos estudantes de biologia Rodrigo Fornari e
Aline Bertin, pelo auxílio nos experimentos no laboratório e a campo;
À Embrapa Uva e Vinho, pela disponibilidade das áreas para a realização dos
experimentos e aos funcionários André Massutti, Ervalino Giacomeli, Roque Paese,
José Danúbio Guidotti Lopes e Edir Argenta pelo auxílio nos experimentos a campo;
À Vinícola Casa Valduga, pela disponibilidade das áreas utilizadas nos
experimentos a campo;
Ao CNPq, pela concessão da bolsa.
i
SUMÁRIO
Página
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
8
CAPÍTULO 2 - CARACTERIZAÇÃO DE INJÚRIAS CAUSADAS POR
Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE)
EM CULTIVARES DE VIDEIRA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . .
15
Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
16
Material e Métodos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
17
Resultados e Discussão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
20
Conclusões. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
28
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
CAPÍTULO 3 - DESENVOLVIMENTO PÓS-EMBRIONÁRIO DE
Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRETIDAE)
EM DUAS CULTIVARES DE UVA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
32
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . .
32
Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
33
Material e Métodos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
34
Resultados e Discussão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
37
Conclusões. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
46
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
CAPÍTULO 4 - EFICIÊNCIA DE ATRATIVOS ALIMENTARES PARA A
CAPTURA DE Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA:
TEPHRITIDAE) EM VIDEIRA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
52
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
52
Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
53
Material e Métodos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
54
ii
Resultados e Discussão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
55
Conclusões. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
57
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
58
CAPÍTULO 5 - FLUTUAÇÃO POPULACIONAL DE Anastrepha fraterculus
(WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) EM DIFERENTES
CULTIVARES DE VIDEIRA NA REGIÃO DA SERRA GAÚCHA. . . . . . . . . .
61
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
61
Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
62
Material e Métodos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
63
Resultados e Discussão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
64
Conclusões. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
68
Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
CAPÍTULO 6 – IMPLICAÇÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
72
iii
BIOECOLOGIA DE Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA:
TEPHRITIDAE) EM VIDEIRA
RESUMO - A espécie de mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus é uma das
principais pragas da fruticultura brasileira, porém, quando associada à cultura da
videira, poucas informações estão disponíveis. Neste trabalho foi avaliado o efeito da
infestação artificial em diferentes cultivares e estádios fenológicos, a eficiência de
atrativos alimentares para o monitoramento da praga e a flutuação populacional de
adultos em diferentes cultivares na região da Serra Gaúcha, RS. No laboratório foi
estudado o desenvolvimento pós-embrionário de A. fraterculus em diferentes cultivares.
Não ocorre desenvolvimento de A. fraterculus na cultivar ‘Niagara Rosada’. Na cultivar
‘Itália’ a espécie completa o desenvolvimento, mas a cultivar não é considerada um
hospedeiro multiplicador da praga devido a baixa viabilidade larval. No que se refere à
caracterização de danos, houve queda significativa de bagas nas cultivares ‘Cabernet
Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa’ e ‘Isabel’ quando a infestação ocorreu na fase inicial de
desenvolvimento do cacho (fase de grão ervilha). Na cultivar ‘Niagara Rosada’ não
houve queda significativa e deformação das bagas e nem viabilidade no
desenvolvimento larval. Atrativos alimentares foram testados em vinhedos e a
formulação BioAnastrepha, à base de proteína hidrolisada, foi a mais eficaz. A flutuação
populacional foi avaliada em áreas das cultivares ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Moscato
Embrapa’, ‘Niagara Rosada’, ‘Itália’ (apenas 2005/06) e ‘Isabel’ (apenas safra 2006/07).
Utilizou-se armadilhas McPhail contendo o atrativo BioAnastrepha a 5%. As maiores
capturas de A. fraterculus foram observadas na cultivar ‘Moscato Embrapa’, com o pico
populacional ocorrendo durante a fase de maturação de bagas.
Palavras – Chave: biologia, ecologia, manejo integrado de pragas, Vitis labrusca, Vitis
vinifera.
iv
BIOECOLOGY Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA:
TEPHRITIDAE) IN GRAPE
SUMMARY - The South American fruit fly, Anastrepha fraterculus, is a major pest
of Brazilian fruit trees. However, little information is available about it in association to
grape. In this work it was evaluated the effect of artificial infestation in different cultivars
and phenological stages, the efficacy of different food attractants for pest sampling and
adult population fluctuation in different cultivars in southern Brazil. A. fraterculus post-
embryonic development was evaluated in different cultivars. A. fraterculus did not
develop in ‘Niagara Rosada’ although it did in the ’Italia’ cultivar. However, this cultivar
was not considered a multiplying host due to low larval viability of the pest. In relation to
damage, there was significant berry injury in the cultivars ’Cabernet Sauvignon’,
’Moscato Embrapa’, and ’Isabel ’ when the infestation occurred in the initial stage of fruit
development. The ‘Niagara Rosada’ berries did not present significant injury and mal-
formation. The fruit fly larvae did not develop in this cultivar. Several food attractants
were tested in vineyards and hydrolyzed protein (BioAnastrepha) was the most
attractive. The population fluctuation was evaluated in several areas of ’Cabernet
Sauvignon’, ’Moscato Embrapa’, ’Niagara Rosada’, ’Italia’ (only in 2005/06) and ’Isabel
(only in 2006/07) cultivars. McPhails traps with BioAnastrepha at 5% were used. Most of
the flies were caught in ’Moscato Embrapa’ cultivar during berry ripening stage.
Keywords: Biology, ecology, integrated pest management, Vitis labrusca, Vitis vinifera.
1
CAPÍTULO 1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS
A videira pertence ao gênero Vitis L. (Família: Vitaceae) e abrange
aproximadamente 80 espécies botânicas (ALVARENGA et al., 1998). Esse gênero teria
surgido na atual Groenlândia, onde foram encontrados os fósseis mais antigos de
plantas ancestrais da videira com aproximadamente 300 mil anos (JOHNSON, 1999). A
dispersão da videira do seu local de origem teve duas direções principais: uma américo-
asiática e outra euro-asiática (SOUSA, 1996).
Devido ser uma das frutas mais antigas utilizadas na alimentação humana, sua
produção se espalhou por todo o mundo. O gênero Vitis é o único com importância
econômica da família Vitaceae, com seu germoplasma distribuído em três centros de
origem: Euroasiático, Asiático e Americano (SOUSA, 1996; LEÃO, 2001).
O Centro Euroasiático compreende a região do Cáucaso, entre a Armênia e a
Pérsia. Desse centro a uva difundiu-se para a Mesopotâmia antiga, Oriente Médio e nas
encostas do Mediterrâneo. É o centro do qual deriva a espécie mais cultivada no
mundo, Vitis vinifera L. A viticultura européia está baseada em variedades desta
espécie, que são consideradas plantas com excelentes características para elaboração
de vinhos de qualidade, consumo “in natura” e produção de uva passas. No Brasil, o
cultivo de V. vinifera concentra-se na região semi-árida do Nordeste, Paraná e São
Paulo (para mesa), e nas regiões de elevada altitude em Santa Catarina e na Serra
Gaúcha e região da Campanha do Rio Grande do Sul (para vinho) (SOUSA, 1996;
LEÃO, 2001).
O Centro Asiático abrange as regiões que incluem Sibéria, China, Japão, Java e
Coréias do Sul e Norte, com ocorrência de 15 espécies. Este centro é rico em
variabilidade genética, entretanto, as espécies são pouco conhecidas e raramente
utilizadas comercialmente (SOUSA, 1996; LEÃO, 2001).
O Centro Americano abrange o território do Canadá até a América Central, com
ocorrência de aproximadamente 30 espécies. Este centro é importante não apenas pela
sua riqueza genética como também pela utilização de suas espécies tanto no
melhoramento genético como na produção comercial de uvas. No Brasil, as espécies
2
originárias do centro americana predominam em área de cultivo, pois o mais fáceis
de cultivar devido apresentarem maior rusticidade e resistência a doenças e pragas,
tolerando condições climáticas com alta umidade relativa. A espécie Vitis labrusca L. é
a espécie mais cultivada nos diferentes estados produtores com destaque para o Rio
Grande do Sul, destacando-se pelo aroma característico (lembra raposa, do inglês: fox)
e pela obtenção de suco de uva com qualidade superior (SOUSA, 1996; LEÃO, 2001).
A origem da videira como planta doméstica data de 6.000 a.C. O registro
histórico mais conhecido é o que se encontra na Bíblia, sobre vinhas cultivadas por Noé
após o dilúvio (Livro nesis, capítulo 9, versículo 20). No Brasil, o cultivo da videira
começou em 1535, na Capitania de São Vicente por portugueses que trouxeram
cultivares européias. Porém, somente com a chegada dos imigrantes italianos, no final
do século XIX, a produção de videiras começou a ganhar importância no país,
principalmente nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul (SOUSA, 1996).
Em 2004 a área mundial com vinhedos totalizou 7.923.220 hectares, o que
corresponde aproximadamente a 61,6% na Europa, 21% na Ásia; 11% na América, 4%
na África e 2,4% Oceania (O.I.V., 2007). O Brasil, no cenário mundial, encontra-se na
21
a
posição em área cultivada e em 14
a
colocação na produção de uvas (MELLO,
2007a). Atualmente a sua produção no país é de 1.257.064 toneladas (IBGE, 2007),
com aproximadamente 40% de uvas destinadas para indústria (suco, vinho, geléias,
etc) e 60% de uvas para consumo “in natura” (uva de mesa) (MELLO, 2007b).
O Brasil exporta anualmente 62,25 mil toneladas, o que rende ao país 118,43
milhões de lares (MELLO, 2007b). Atualmente a uva está em 1
o
lugar no “ranking”
das exportações de frutas “in natura” (MELO, 2007). Em relação ao suco de uva, a
exportação é de 5,45 mil toneladas e gerando ao país 8,21 milhões de dólares (MELLO,
2007b).
As principais regiões produtoras de uva de mesa se concentram no Vale do Rio
São Francisco (Juazeiro, BA e Petrolina, PE) e nos estados do Paraná (região de
Maringá), São Paulo (Pilar do Sul, São Miguel do Arcanjo, Porto Feliz e as regiões de
Jales e Louveira) e Minas Gerais (região de Pirapora), que somados abrangeram
30.957 ha de área plantada na safra 2007/2008 (MELO, 2007).
3
O comércio de produtos industrializados na balança de exportação do setor de
uva está representado, principalmente, pelos sucos e geléias, e de forma modesta os
vinhos, espumantes e destilados (brandi e vermutes), porém, com grandes perspectivas
para o futuro pela abrangência de novas áreas que o país oferta ao setor (PROTAS et
al., 2002). A produção de uvas para processamento se concentra no estado do Rio
Grande do Sul, que processa 90% da produção (MELLO, 2007a). Além disso, cabe
ressaltar que a videira é cultivada por diferentes estratos de produtores, o que engloba
significativa parcela de agricultores de base familiar e é de fundamental importância
para a fixação destes no campo (PROTAS et al., 2002).
Um dos aspectos peculiares à cultura da videira Brasil está relacionado à
incidência de pragas. Doenças fúngicas podem ser responsáveis por a30% do custo
de produção em regiões onde o clima é favorável ao seu desenvolvimento (SÔNEGO &
GARRIDO, 2007). Tal fato é comprovado pelo número de fungicidas registrados para a
cultura (44), comparado com o de acaricidas - inseticidas (13) (AGROFIT, 2007).
Artrópodes pragas o relatados como de importância secundária na cultura da videira
(BOTTON et al., 2003), porém, ao se observar mais atentamente o manejo adotado
pelos produtores, verifica-se que a baixa qualidade do produto final, em algumas
regiões e safras, pode estar relacionada com a incidência de insetos-praga (BOTTON et
al., 2005).
Devido à pressão pelo aumento da qualidade do produto, verificada nos últimos
anos, tanto para a uva destinada ao consumo “in natura” como para processamento, o
dano causado por insetos que danificam as bagas como as traças-dos-cachos,
Argyrotaenia sphaleropa (Meyrick, 1909) (Lepidoptera: Tortricidae) e Cryptoblabes
gnidiella (Millière, 1867) (Lepidoptera: Pyralidae); o gorgulho-do-milho, Sitophilus
zeamais Mots., 1855 (Coleoptera: Curculionidae); e a mosca-das-frutas sul americana,
Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae), anteriormente
considerados de importância secundária, passam a ser considerados pragas primárias
por provocarem lesões nos frutos e muitas vezes, atuando como “abridoras” de porta
para ocorrência de podridões. Estes fatores são ainda mais graves quando a videira é
cultivada em sistemas sustentáveis de produção, que preconizam a racionalização do
4
uso de produtos químicos sintéticos, o que limita grandemente a disponibilidade de
métodos de controle de pragas na cultura, praticamente dependente do uso de
inseticidas sintéticos. Dentre os insetos que danificam as bagas, A. fraterculus é a que
apresenta maior ocorrência nas fruteiras do sul do Brasil.
As moscas-das-frutas do gênero Anastrepha Schiner são de grande importância
para a fruticultura no continente americano (ALUJA, 1994). As espécies são nativas
deste continente e possuem ampla distribuição na América (MALAVASI & MORGANTE,
1980; MALAVASI et al., 2000), contando com 194 espécies descritas e 94 identificadas
no Brasil (ZUCCHI, 2000a). A mosca-das-frutas sul americana, A. fraterculus, está
distribuída desde o sul dos EUA até o norte da Argentina (CALKINS & MALAVASI,
1995; SALLES, 1995). Na região sul do Brasil é a espécie dominante (SALLES, 1995;
KOVALESKI, 1997; NORA et al., 2000), estando registrada em 67 espécies de plantas
de 18 famílias botânicas, multiplicando-se principalmente nas pertencentes à família
Myrtaceae (SALLES, 1995; ZUCCHI, 2000b). No Brasil é praga importante para as
culturas do pêssego (Prunus persica L.), ameixa (P. domestica L.), maçã (Malus
domestica Borkh), pêra (Pyrus communis L.), citros (Citrus spp.), goiaba (Psidium
guajava L.), entre outras fruteiras (SALLES & KOVALESKI, 1990; KOVALESKI, 1997;
NORA et al., 2000).
Entretanto poucas informações estão disponíveis em relação à bioecologia da
mosca-das-frutas sul americana quando associada à cultura da videira no Brasil. Os
relatos dizem respeito às injúrias causadas pelas larvas, com destaque em uvas finas
(V. vinifera) brancas destinadas ao consumo “in natura” (SORIA, 1985; BOTTON et al.,
2003) e manejo da praga com inseticidas (NONDILLO et al., 2007).
O ataque de A. fraterculus apresenta características diferenciadas dependendo
da cultura e da fase de desenvolvimento dos frutos. Em maçãs, o dano ocorre a partir
do início do desenvolvimento dos frutos (aproximadamente 2 cm de diâmetro) por
lesões causadas no local de ataque pela introdução do ovipositor, o que provoca
deformações (MAGNABOSCO, 1994). Em frutos que completaram o
desenvolvimento, o dano de oviposição não causa deformação, porém, observa-se
dano interno devido à alimentação das larvas (SUGAYAMA et al., 1997; KOVALESKI et
5
al., 2000). Para a cultura da pereira, o dano começa somente quando os frutos estão
próximos à maturação (NORA & SUGIURA, 2001). em pêssegos, a oviposição nos
frutos ocorre a partir do inchamento dos mesmos, cerca de 25 a 30 dias antes do ponto
de colheita (SALLES, 1995). Em frutos de ameixa, a fêmea ocasiona danos nos
primeiros estádios de desenvolvimento, quando os mesmos apresentam de 2 a 3 cm de
diâmetro (SALLES, 1999). Na videira, não existem estudos que caracterizem o dano
nas diferentes fases de desenvolvimento da bagas e do efeito da infestação sobre a
qualidade do produto final. O conhecimento do comportamento de ataque da praga é
importante no manejo do inseto, pois em culturas onde o dano ocorre antes da
maturação (ex: ameixeira, macieira), as medidas de controle devem ser adotadas a
partir do início do desenvolvimento dos frutos, enquanto que noutras (ex: pessegueiro),
o manejo é direcionado somente para a pré-colheita.
Não existem tampouco estudos visando conhecer a biologia de A. fraterculus
associada à cultura da videira, como também são escassos os trabalhos de biologia da
espécie em fruteiras de clima temperado (BAKER, 1945; SUGAYAMA et al., 1998). Os
parâmetros biológicos disponíveis são originários de trabalhos utilizando dieta artificial
(GONZÁLEZ et al., 1971; MARTINS, 1986; MACHADO et al., 1995; JALDO et al., 2001;
VERA et al., 2007). A pouca informação disponível sobre o desenvolvimento da espécie
na cultura da videira pode ser atribuída, principalmente, ao reduzido conhecimento dos
danos causados pela praga na cultura e ao cultivo de uvas finas de mesa no Brasil
concentrarem-se na região do Vale do Rio São Francisco, com predominância da
espécie de mosca-das-frutas Ceratitis capitata (Wiedemann, 1824) (HAJI et al., 1991;
NASCIMENTO & CARVALHO, 2000). Por outro lado, a expansão do cultivo de uvas
finas de mesa para diferentes regiões tropicais (PROTAS et al., 2002), principalmente
Paraná e São Paulo, onde a mosca-das-frutas sul americana está presente, reforça a
necessidade de se conhecer a biologia da espécie na cultura, que é base para todos os
trabalhos de manejo integrado de pragas.
Diversos fatores estão envolvidos na captura da mosca-das-frutas, destacando-
se a eficiência do atrativo empregado e o tipo de armadilha (NASCIMENTO et al.,
2000). O uso de armadilhas do tipo McPhail no Brasil é comum nas fruteiras em que
6
a mosca-das-frutas é considerada praga. Na região Sul do Brasil, SALLES (1995)
recomenda o uso de uma grande variedade de atrativos para a cultura do pessegueiro,
entre eles o vinagre de vinho a 25%, sucos de pêssego (10%) e uva (25%), proteína
hidrolisada (5%) e melaço de cana (7%), todos diluídos em água, conforme
concentração. A escolha do atrativo é importante para proporcionar resultados
confiáveis no monitoramento da mosca-das-frutas e está diretamente relacionada ao
manejo da praga na cultura (SALLES, 1995). KOVALESKI et al. (1995) observaram que
na cultura da maçã o atrativo mais eficiente é o suco de uva diluído a 25%, que é
padrão para o monitoramento da praga na cultura da macieira (KOVALESKI &
RIBEIRO, 2002). A eficiência do suco de uva pode ser atribuída pelo aroma do fruto,
que é ressaltado pelo álcool e acidez volátil durante o processo fermentativo (ROSIER
et al., 1995). Entretanto, este atrativo quando empregado na cultura da videira pode não
ser o mais eficiente, fato atribuído a competição do mesmo com os odores liberados
pelos frutos, o que pode diminuir a capacidade do inseto encontrar a armadilha no
parreiral. A levedura torula e a proteína hidrolizada, por apresentarem menor variação
na composição e eficiência comprovada em outras culturas para Anastrepha sp.
(MENDONÇA et al., 2003; RAGA et al., 2006; SCOZ et al., 2006; MONTEIRO et al.,
2007), podem servir como atrativos padrões em programas de detecção ou
monitoramento do inseto na cultura da videira, entretanto, ainda necessitam serem
avaliados.
Um aspecto de importância fundamental no manejo da mosca-das-frutas é o
monitoramento, que geralmente está relacionado aos insetos que sobrevivem dos
hospedeiros oriundos das áreas frutícolas cultivadas (FERNANDES, 1987;
KOVALESKI, 1997). Como a produção de frutos das espécies hospedeiras varia de ano
para ano, é de grande importância conhecer a flutuação populacional da mosca–das-
frutas em vinhedos de diferentes cultivares para observação de padrões e épocas de
captura relacionadas com os diferentes estádios fenológicos da videira, principalmente
devido a coincidência entre os períodos de frutificação da videira em regiões de clima
temperado, entre os meses de dezembro e abril, com a oferta de hospedeiros,
destacando-se espécies da família Mirtaceae (SALLES, 1995; KOVALESKI, 1997).
7
Pelo fato das principais cultivares de videiras no Brasil serem exóticas ao
continente (V. vinifera), de existir no estado no Brasil uma grande área de espécies
americanas (V. labrusca), da mosca-das-frutas sul americana ser uma espécie nativa e
da escassez de estudos sobre a praga na cultura, este trabalho teve como objetivo
caracterizar as injúrias causadas por A. fraterculus em diferentes épocas da frutificação,
avaliar o desenvolvimento pós-embrionário de A. fraterculus, a eficiência de atrativos na
captura de A. fraterculus e a sua dinâmica populacional em diferentes cultivares de
videira.
8
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15
CAPÍTULO 2 - CARACTERIZAÇÃO DE INJÚRIAS CAUSADAS POR Anastrepha
fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) EM CULTIVARES DE
VIDEIRA
RESUMO - Neste trabalho identificou-se as fases de suscetibilidade e avaliou-se
a intensidade de injúrias causadas por Anastrepha fraterculus nas cultivares ‘Cabernet
Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa’, ‘Isabel’ e ‘Niagara Rosada’. Dois casais com
aproximadamente 15 dias de emergência foram mantidos junto ao cacho durante sete
dias, utilizando-se gaiolas confeccionadas com tecido voile (25 X 40 cm). As liberações
dos adultos junto aos cachos foram realizadas conforme os estádios fenológicos das
bagas: grão ervilha, compactação de cacho, pré-maturação e maturação. Para cada
estádio fenológico e cultivar avaliada foram utilizados 12 cachos infestados com A.
fraterculus e 12 sem (testemunha). Após o período de infestação as gaiolas foram
retiradas com as moscas e estas eliminadas, colocando-se novamente as gaiolas nos
cachos. Nas avaliações foram observadas quedas de 10,53% e 4,02% das bagas em
‘Cabernet Sauvignon’ para a 1
a
e 2
a
infestações; 7,74% das bagas em ‘Moscato
Embrapa’, para a 1
a
infestação e 5,42%, 6,01% e 2,35% das bagas em Isabel para a 1
a
,
2
a
e 3
a
infestações, respectivamente, sendo estes valores significativos quando
comparados com as testemunhas. Foram observadas bagas deformadas para as
infestações nos estádios de grão ervilha e compactação de cacho em ‘Cabernet
Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa’ e ‘Isabel’. Foi observado galerias e desenvolvimento de
larvas em ‘Moscato Embrapa’ nas infestações nos estádios de pré-maturação e
maturação plena de bagas. Conclui-se que A. fraterculus causa queda de bagas em
‘Cabernet Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa’ e ‘Isabel’ quando as bagas são atacadas no
inicio do desenvolvimento, enquanto em ‘Niagara Rosada’ não ocorre. Em ‘Moscato
Embrapa’ foi observado o desenvolvimento completo de larvas.
Palavras-Chave: dano, desenvolvimento de larvas, queda de bagas, Vitis labrusca,
Vitis vinifera
16
Introdução
A importância econômica de Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) deve-se
aos danos diretos causados à produção das fruteiras, além dos prejuízos para os
exportadores devido as restrições quarentenárias impostas pelos países importadores
(ORLANDO & SAMPAIO, 1973; CALKINS & MALAVASI, 1995; KOVALESKI, 1997;
NASCIMENTO et al., 2000). Em geral, o dano é causado, tanto pelas fêmeas, que
perfuram o fruto para realizar a oviposição, como pelas larvas, que consomem a polpa,
provocando maturação precoce e queda prematura dos frutos (CHRISTENSON &
FOOTE, 1960; NORA & SUGIURA, 2001). Todavia, SALLES (1999) observou que em
frutos verdes de ameixa (Prunus saliciana L.) ovipositados por A. fraterculus ocorre
queda prematura dos frutos sem o desenvolvimento completo das larvas.
Na cultura da videira, até o momento somente foram registrados danos causados
por larvas de mosca-das-frutas em uvas finas (Vitis vinifera L.) de polpa branca, porém
não existe registro da ocorrência de dano em uvas comuns (Vitis labrusca L.) (SORIA,
1985; HAJI et al., 2001; BOTTON et al., 2003). Devido à incidência de mosca-das-frutas
ser alta nos meses de novembro a março no Rio Grande do Sul, e a maturação da
videira estar concentrada entre os meses de fevereiro e março, pode existir uma
seqüência de injúrias nas diferentes cultivares de videira, nestas regiões. SORIA (1985)
comenta que quando a fêmea faz punctura em baga verde pode ocorrer queda.
A importância econômica da mosca-das-frutas na cultura da videira tem sido
relegada a um plano secundário na maioria das regiões produtoras. Entretanto, devido
a atual pressão pelo aumento da qualidade do produto final, tanto para a uva destinada
ao consumo “in natura” como para processamento, a injúria causada por insetos nas
bagas, anteriormente considerados de importância secundária, passa a ter importância
primária por provocarem lesões nos frutos que podem permitir a ocorrência de
podridões causadas por fitopatógenos. Neste trabalho caracterizou-se a injúria causada
por A. fraterculus sobre bagas de videira de diferentes cultivares e estádios fenológicos
de desenvolvimento.
17
Material e Métodos
O trabalho foi realizado na área experimental da Embrapa Uva e Vinho,
localizada em Bento Gonçalves, RS. Foram utilizadas videiras das cultivares ‘Cabernet
Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa’, ‘Niagara Rosada’ e ‘Isabel’. As infestações foram
realizadas entre os meses de novembro e janeiro da safra 2006/07, com insetos obtidos
da criação artificial de A. fraterculus do Laboratório de Entomologia da Embrapa Uva e
Vinho de Bento Gonçalves, RS. A criação utiliza mamão papaia (Carica papaya L.)
como substrato de postura e posterior desenvolvimento larval, sendo os adultos
alimentados com dieta sólida (extrato de soja, gérmen de trigo e açúcar mascavo, na
proporção 3:1:1) e água. Os insetos para início desta criação foram coletados de frutos
infestados em áreas de pessegueiros (Prunus pérsica L.), em Bento Gonçalves, no ano
de 2001 e, desde então, são adicionados anualmente insetos do campo coletados de
frutos de araçá-vermelho (Psidium cattleianum Sabine).
Dois casais de A. fraterculus com aproximadamente 15 dias de emergência
foram liberados em cada cacho, que ficaram presos pelo auxílio de gaiolas
confeccionadas com tecido do tipo voile. Para a gaiola não ficar em contato com o
cacho foi colocada uma estrutura de plástico que, cortada em forma de círculo (13 cm
de diâmetro) e com um corte até o centro do raio, foi presa com grampeador entre o
cacho e o ramo secundário da planta, conforme Figura 1. As gaiolas utilizadas (Figura
2) possuíam em uma das extremidades, abertura em sistema de “abre e fecha” com
auxílio de cordão, o que permitiu a liberação e retirada dos insetos quando necessário.
Após o período de sete dias as gaiolas foram retiradas dos cachos e os insetos
eliminados, colocando-se novamente as gaiolas nos cachos para evitar a infestação
natural de mosca-das-frutas do campo. No momento da liberação das moscas, foi
fornecido água e dieta (mesma da criação). A água foi fornecida em recipiente de vidro,
com o auxílio de um rolete de algodão hidrófilo em seu interior, preso junto ao cacho
por um fio de arame, permanecendo dentro da gaiola. A dieta foi colocada no fundo da
gaiola em recipiente de vidro.
18
Figura 1. Estrutura de plástico presa (seta) entre o cacho
de uva e o ramo secundário.
Figura 2. Gaiola confeccionada com tecido voile,
armada em cacho de uva.
Os cachos permaneceram em contato com os casais da mosca-das-frutas nos
estádios fenológicos de grão ervilha, início da compactação de cacho, início da
maturação e maturação plena, conforme EICHHOM & LORENZ (1972). Os tratamentos
avaliados foram cachos com e sem infestação de mosca (testemunha), que também
tiveram gaiolas presas para evitar posturas de insetos do campo. Para cada estádio
fenológico e cultivar avaliada foram utilizados 12 cachos por tratamento, tomados ao
acaso, conforme data de liberação e diâmetro médio de bagas (Tabela 1). O diâmetro
médio de bagas foi calculado de um cacho coletado ao acaso nas datas das
infestações, os quais tiveram suas bagas medidas com o auxílio de um paquímetro.
As avaliações foram feitas quando as bagas estavam formadas e consistiu na
observação e registro de queda e deformação das bagas, formação de galerias e
desenvolvimento de larvas até a fase de pupa. A queda foi registrada no campo, antes
da colheita da uva, e as demais observações foram feitas no laboratório, onde foram
registradas e contadas as bagas deformadas e os cachos infestados separados em
caixa de plástico e observado o desenvolvimento de larvas. Para avaliar o
desenvolvimento de larvas em bagas maduras de ‘Niagara Rosada’, alguns cachos
maduros foram infestados no laboratório de Entomologia da Embrapa Uva e Vinho, no
interior de gaiolas de criação. Para avaliar a influência da infestação na queda de
bagas, o número de bagas caídas foi transformado em log (x+1) e as médias dos
19
Tabela 1. Cultivares de videira e suas respectivas espécies utilizadas na caracterização de injúrias causadas por
Anastrepha fraterculus em diferentes estádios fenológicos, data de liberação e diâmetro médio de baga.
Bento Gonçalves, 2007.
Cultivar Espécie
Estádios fenológicos
Grão ervilha
Compactação cacho
Início da maturação
Maturação plena
Data Φ² (mm)
Data Φ (mm)
Data Φ (mm)
Data Φ (mm)
‘Cabernet
Sauvignon’
Vitis
vinifera
27/11/06
6,10±0,05
11/12/06
9,10±0,07
21/12/06
10,23±0,07
25/01/07
11,42±0,06
‘Moscato
Embrapa’
Vitis
vinifera¹
27/11/06
5,09±0,06
11/12/06
8,35±0,09
21/12/06
10,26±0,09
23/01/07
15,29±0,06
‘Isabel’
Vitis
labrusca
27/11/06
8,21±0,23
11/12/06
11,59±0,25
21/12/06
15,27±0,22
23/01/07
18,53±0,25
‘Niagara
Rosada’
Vitis
labrusca
27/11/06
7,49±0,24
06/12/06
10,58±0,24
28/12/06
15,67±0,25
23/01/07
18,45±0,21
¹ Híbrido com 75% de V. vinifera em sua constituição genética.
² Diâmetro médio (±EP) em milímetros.
20
tratamentos (com mosca e sem mosca) comparadas pelo teste t (P<0,05) para saber se
houve diferença significativa. Registros fotográficos também foram feitos para auxiliar a
documentação. Em algumas bagas que caíram foram feitos cortes, na forma de seções,
para também documentar a possível injúria formada por A. fraterculus.
Resultados e Discussão
Na avaliação da queda de bagas ocorrida na cultivar ‘Cabernet Sauvignon’ foi
observada queda, em média, de 10,53% (10,83 ± 1,42) e 4,02% (4,08 ± 0,67) bagas por
cacho para as fases de grão ervilha e compactação do cacho, respectivamente. Estes
valores diferiram significativamente dos observados em cachos que não houve
liberações de moscas (testemunha) (Tabela 2).
Tabela 2. Número médio (±EP) e porcentagem (%) da queda de bagas em cachos de
‘Cabernet Sauvignon’ sem liberação (SM) e com liberação (CM) de Anastrepha
fraterculus e deformação de bagas por cacho. Bento Gonçalves, RS. 2008.
Estádio Fenológico
(Data da liberação)
Queda de Bagas
1
Deformação N
o
Bagas
(SM) (CM)
Grão ervilha
(27/11/06)
0,42 ± 0,19
(0,44%)
10,83 ± 1,42*
(10,53%)
18,08 ± 2,47
(17,58%)
93,29 ± 3,42
Compactação cacho
(11/12/06)
0,25 ± 0,13
(0,25%)
4,08 ± 0,67*
(4,02%)
12,33 ± 1,72
(12,15%)
97,96 ± 4,70
Início da maturação
(21/12/06)
0,33 ± 0,13
(0,34%)
0,42 ± 0,15
NS
(0,44%)
0,00 96,83 ± 4,59
Maturação plena
(25/01/07)
0,50 ± 0,19
(0,55%)
1,00 ± 0,28
NS
(1,05%)
0,00 92,33 ± 4,60
1
Comparação da queda do número de bagas por cacho.
* Valor significativo pelo teste t (P<0,05).
NS
Valor não significativo pelo teste t (P<0,05).
Também foi observado que em dia 17,58% e 12,15% das bagas por cacho
ficaram deformadas nos tratamentos onde foram liberadas moscas nas fases de grão
ervilha e compactação do cacho, respectivamente. Foram consideradas bagas
deformadas àquelas que não se desenvolveram normalmente como na testemunha,
caracterizadas pela coloração verde e estarem murchas (Figuras 3 e 4).
21
Figura 3. Comparação de cachos de ‘Cabernet
Sauvignon’ com bagas sem deformação (A-
C) e com deformação (D-F) por Anastrepha
fraterculus na fase de grão ervilha.
Figura 4. Cachos de ‘Cabernet Sauvignon’ com
bagas sem deformação (A-C) e com
deformação (D-F) por Anastrepha
fraterculus na fase de compactação do
cacho.
Nas avaliações dos cachos infestados durante as fases de início da maturação e
maturação dos cachos, não houve queda significativa de bagas e nem deformação
característica. Porém, em ambas as fases e nos tratamentos com presença de A.
fraterculus, houve a infestação de coleópteros da família Nitidulidae (Figuras 5 e 6)
dentro das gaiolas, o que ocasionou a depreciação dos cachos por estes insetos
quando comparados com os não infestados por A. fraterculus (Figura 7) Também
ocorreu o desenvolvimento de patógenos nos cachos infestados, o que pode ter
acelerado a depreciação e o apodrecimento das bagas (Figura 8). Não foram
encontradas larvas desenvolvidas em ‘Cabernet Sauvignon’ nas bagas avaliadas.
Figura 5. Adulto da Família Nitidulidae infestando
cacho de ‘Cabernet Sauvignon’.
Figura 6. Larva de Nitidulidae em bagas de
‘Cabernet Sauvignon’.
1 cm
A
C
D E
B
F
A
B
C
D E F
22
Figura 7. Comparação de cachos de ‘Cabernet
Sauvignon’ que permaneceram sem a
presença (A e B) e com a presença (C e D)
de Anastrepha fraterculus na fase de início
de maturação.
Figura 8. Cacho de ‘Cabernet Sauvignon’ com
bagas depreciadas por Nitidulidae após
liberação de Anastrepha fraterculus na fase
de início de maturação.
Na cultivar Moscato Embrapa foi observada queda significativa de bagas na
primeira infestação, que em média foi de 7,74% (4,90 ± 1,07 bagas por cacho), em
relação aos não infestados, que foi 0,22 ± 0,12 bagas por cacho. Nas demais
infestações não houve queda significativa de bagas (Tabela 3).
Tabela 3. Número médio EP) e porcentagem (%) da queda de bagas em cachos de
‘Moscato Embrapa’ sem liberação (SM) e com liberação (CM) de Anastrepha
fraterculus e deformação de bagas por cacho. Bento Gonçalves, RS. 2008.
1
Comparação da queda do número de bagas por cacho.
* Valor significativo pelo teste t (P<0,05).
NS
Valor não significativo pelo teste t (P<0,05).
Estádio Fenológico
(Data da liberação)
Queda de Bagas
1
Deformação N
o
Bagas
Queda (SM) Queda (CM)
Grão ervilha
(27/11/06)
0,22 ±0,13
(0,36%)
4,90 ± 1,07*
(7,74%)
12,80 ± 4,05
(32,70%)
59,53 ± 2,79
Compactação cacho
(11/12/06)
0,17 ± 0,11
(0,23%)
0,50 ± 0,29
NS
(0,69%)
10,75 ± 1,37
(14,84%)
72,13 ± 2,93
Início da maturação
(21/12/06)
0,17 ± 0,11
(0,24%)
0,08 ± 0,08
NS
(0,12%)
0,50 ± 0,23
(0,74%)
68,83 ± 2,89
Maturação plena
(23/01/07)
0,08 ± 0,08
(0,12%)
0,00
NS
0,00 69,58 ± 2,59
A
B C D
23
Em média, 32,70% e 14,84% de bagas por cacho foram caracterizadas como
deformadas nos tratamentos onde houve liberação de A. fraterculus nas fases de grão
ervilha e compactação do cacho, respectivamente (Tabela 3). A caracterização de baga
deformada ficou evidenciada pelo murchamento destas e pela coloração verde-escura
nas que apresentavam marcas de puncturas, comparadas com as bagas dos cachos da
testemunha (Figura 9). A coloração característica para as bagas de Moscato Embrapa
quando maduras é a de verde-clara a amarelada (CAMARGO & ZANUZ, 1997), o que
se mostrou evidente pela diferença observada das consideradas deformadas pela
oviposição de A. fraterculus nas avaliações.
Nos cachos avaliados em laboratório não foram observadas larvas desenvolvidas
em bagas que tiveram a liberação de A. fraterculus nas fases de grão ervilha e
compactação do cacho. Todavia, nas liberações feitas durante as fases de início de
maturação e maturação plena foi observada a presença de larvas em bagas de
Moscato Embrapa (Figura 10) e que, em condições de laboratório, desenvolveram-se
até a fase de pupa e emergência do adulto.
Figura 9. Comparação de cachos de Moscato
Embrapa na fase de maturação, com
liberação (A e B) e sem liberação (C e D)
de A. fraterculus na fase de grão ervilha.
Foto 10. Larva de A. fraterculus desenvolvida em
uva da cultivar M. Embrapa, em infestação
no estádio de início de maturação.
Na cultivar ‘Niagara Rosada’ não houve queda significativa e nem deformação de
bagas nos cachos avaliados (Tabela 4). Nos tratamentos em que houve liberações de
A. fraterculus nas fases de grão ervilha e compactação do cacho as bagas não
A
B C D
24
evidenciaram qualquer tipo de deformação aparente (Figura 11). Nos tratamentos em
que as liberações de A. fraterculus ocorreram nas fases de início de maturação e
maturação plena não foi possível a avaliação de injúrias no campo. Entretanto, em
cachos coletados nestas fases e ofertados para A. fraterculus no laboratório foi
observado que as fêmeas fazem posturas nas bagas, mas não ocorre o
desenvolvimento completo das larvas até a fase de pupa (Figura 12).
Tabela 4. Número médio EP) e porcentagem (%) da queda de bagas em cachos de
‘Niagara Rosada’ sem liberação (SM) e com liberação (CM) de Anastrepha
fraterculus e deformação de bagas por cacho. Bento Gonçalves, RS. 2008.
1
Comparação da queda do número de bagas por cacho.
* Valor significativo pelo teste t (P<0,05).
NS
Valor não significativo pelo teste t (P<0,05).
Figura 11. Cacho de Niagara Rosada’ na fase de
maturação em que houve liberação de
Anastrepha fraterculus na fase de grão
ervilha.
Figura 12. Detalhe da galeria de larva de
Anastrepha fraterculus em baga de
‘Niagara Rosada’ infestada no
laboratório, sem completar seu
desenvolvimento. (Foto: Marcelo Zart).
Estádio Fenológico
(Data da liberação)
Queda de Bagas
1
Deformação N
o
Bagas
Queda (SM) Queda (CM)
Grão ervilha
(27/11/06)
0,00
0,14 ± 0,11
NS
(0,48%)
0,14 ± 0,11
(0,48%)
31,79 ± 1,88
Compactação cacho
(06/12/06)
0,00 0,00
0,14 ± 0,11
(0,37%)
36,60 ± 2,49
1 cm
25
Na cultivar Isabel foi observado que nas liberações de A. fraterculus ocorridas
nas fases de grão ervilha, início da compactação e início da maturação do cacho houve,
em média, 5,42% (1,92 ± 0,62), 6,01% (2,25 ± 0,86) e 2,35% (0,75 ± 0,22) de queda de
bagas nos cachos avaliados, respectivamente, o que foi significativamente maior do
que foi observado em relação ao número de bagas que tiveram queda natural nos
cachos não testemunhas (Tabela 5). Na fase de maturação plena não houve queda
significativa em relação aos cachos da testemunha.
Tabela 5. Número médio EP) e porcentagem (%) da queda de bagas em cachos de
Isabel sem liberação (SM) e com liberação (CM) de Anastrepha fraterculus e
deformação de bagas por cacho. Bento Gonçalves, RS. 2008.
1
Comparação da queda do número de bagas por cacho.
* Valor significativo pelo teste t (P<0,05).
NS
Valor não significativo pelo teste t (P<0,05).
Na avaliação das bagas que permaneceram no cacho foi observado que, em
média, 29,25%, 25,17% e 10,97%, respectivamente para as fases de grão ervilha,
compactação do cacho e início da maturação apresentaram deformação. Esta
deformação foi caracterizada por bagas murchas, de coloração verde e apresentando
sinais de puncturas quando comparadas com bagas em desenvolvimento normal
(Figuras 13 e 14). Na liberação de A. fraterculus na fase de maturação plena não houve
deformação de bagas.
Estádio Fenológico
(Data da liberação)
Queda de Bagas
1
Deformação N
o
Bagas
Queda (SM) Queda (CM)
Grão ervilha
(27/11/06)
0,08 ±0,08
(0,23%)
1,92 ± 0,62*
(5,42%)
10,33 ± 1,00
(29,25%)
34,63 ±1,91
Compactação cacho
(11/12/06)
0,25 ± 0,13
(0,74%)
2,25 ± 0,86*
(6,01%)
9,42 ± 1,05
(25,17%)
34,33 ± 1,85
Início da maturação
(21/12/06)
0 ± 0,00
(0,00%)
0,75 ± 0,22*
(2,35%)
3,50 ± 0,56
(10,97%)
30,58 ± 1,04
Maturação plena
(23/01/07)
0,08 ± 0,08
(0,19%)
0,17 ± 0,11
NS
(0,44%)
0,00 40,42 ± 1,83
26
Não houve desenvolvimento de larvas até a fase de pupa na cultivar Isabel,
porém em algumas bagas foi observado formação de galerias (indício do
desenvolvimento, após eclosão da larva).
Figura 13. Comparação de cachos da cultivar de uva
Isabel na fase de maturação, sem liberação
(A) e com liberação (B) de Anastrepha
fraterculus durante a fase de grão ervilha.
Figura 14. Comparação de cachos de uva da cultivar
Isabel na fase de maturação, sem liberação
(A) e com liberação (B) de Anastrepha
fraterculus durante a fase de compactação
de cacho.
As observações de queda para bagas ainda verdes (fase de grão ervilha e
compactação do cacho) devido à ação das puncturas das fêmeas mostraram-se de
forma diferente nas cultivares. Em ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa’ e ‘Isabel’
houve queda de bagas verdes que receberam puncturas de A. fraterculus, semelhante
ao observado por SALLES (1999) em diferentes cultivares de ameixa (P. salicina). Este
autor observou queda de frutos verdes com marcas de puncturas e galerias de A.
fraterculus em trabalho com liberações de moscas em gaiolas no campo. CIVIDANES et
al. (1993) observaram que Ceratitis capitata (Wiedemann, 1824) não faz punctura em
café (Coffea arabica L.) quando os grãos ainda estão verdes, porém, registrou queda
significativa em grãos que sofreram puncturas, no estádio de grão cereja. FERNANDES
(1987) em estudo sobre bioecologia de moscas-das-frutas em citros observou
correlação positiva para queda de frutos maduros de laranja da cultivar ‘Pêra’ que
continham marca de punctura. Entretanto, em nenhuma cultivar de uva avaliada foi
A B
A B
27
observado queda de bagas maduras pela ação de puncturas ou desenvolvimento de
larvas.
Em bagas verdes que caíram e apresentavam deformação foram feitos cortes
com estilete e registrado por fotografia (Figuras 15 e 16). Foram observadas puncturas
e galerias iniciais, o que pode ter contribuído na formação da injúria causada e queda
de bagas verdes. Estas galerias estavam cicatrizadas, semelhante à descrição feita por
SALLES (1999), em ameixas e MAGNABOSCO (1994), em maçã.
Figura 15. Seção de baga de uva da cultivar
‘Moscato Embrapa’ na fase de grão
ervilha, com galerias formadas por larvas
de Anastrepha fraterculus.
Foto 16. Seção de baga de uva da cultivar
‘Niagara Rosada’ na fase de grão ervilha,
com puncturas e formação de galerias por
larvas de Anastrepha fraterculus.
Larvas desenvolvidas em bagas de uva da cultivar Moscato Embrapa foram
registradas por NONDILLO et al. (2007), que em experimento com controle químico de
A. fraterculus no campo registraram larvas em bagas maduras. Entretanto, a
observação de larvas desenvolvidas decorreu da infestação realizada no dia 21/12/2006
(fase de início da maturação das bagas), antes da pré-maturação do cacho. Para Bactrocera
dorsalis Hendel, 1912 em uva, CHU & TUNG (1996) observaram que a viabilidade no
desenvolvimento larval é dependente da maturação da uva. Estes autores infestaram
bagas aos 50, 60 e 80 dias após o florescimento e registraram desenvolvimento de
larvas até a fase de pupa somente naquelas infestadas 60 e 80 dias (próximas da
maturação).
28
CONCLUSÕES
As cultivares ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Moscato Embrapa e ‘Isabel’ são suscetíveis à
queda de bagas quando o ataque de Anastrepha fraterculus ocorre na fase de grão
ervilha;
Na cultivar ‘Niagara Rosada’ não há queda e nem deformação de bagas pelo ataque de
Anastrepha fraterculus;
Nas cultivares ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Isabel’ e ‘Niagara Rosada’ não ocorreu o
desenvolvimento de larvas de Anastrepha fraterculus até a fase de pupa nas bagas
avaliadas;
Na cultivar ‘Moscato Embrapa’ ocorre desenvolvimento de larvas de Anastrepha
fraterculus até a fase de pupa quando a postura é realizada nas bagas durante as fases
de pré-maturação e maturação.
29
REFERÊNCIAS
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CNPUV,1985. 3 p. (EMBRAPA-CNPUV. ComunicadoTécnico, 3 ), 1985.
32
CAPÍTULO 3 - DESENVOLVIMENTO PÓS-EMBRIONÁRIO DE Anastrepha
fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRETIDAE) EM DUAS
CULTIVARES DE UVA
Resumo Neste trabalho foi avaliado o desenvolvimento de Anastrepha
fraterculus em duas cultivares de uva de mesa, em laboratório. Bagas das cultivares de
uva de mesa ‘Itália’ (Vitis vinifera) e ‘Niagara Rosada’ (Vitis labrusca) foram utilizadas
como alimento para as larvas. Na cultivar ‘Niagara Rosada’, embora tenha ocorrido a
oviposição, não houve o desenvolvimento de larvas. Na cultivar ‘Itália’, a duração em
dias (X ± EP) e viabilidade (%) das fases de ovo, larva e pupa foram de 3,01 ± 0,04
(61,75%); 21,95 ± 0,33 (8,25%); e 14,60 ± 0,09 (65,10%), respectivamente. A duração e
viabilidade do ciclo ovo-adulto foram de 39,10 ± 0,45 dias e 0,03%, respectivamente. O
peso de pupas foi 15,10 ± 0,31 mg, com razão sexual de 0,36. O período de pré-
oviposição foi de 11,77 ± 0,58 dias, com média de 129,47 ± 16,38 ovos por fêmea.
Através da tabela de vida de fertilidade verificou-se que a taxa líquida de reprodução e
a razão finita de aumento foram 1,71 e 1,01, respectivamente. A uva da cultivar ‘Itália’
oferece condições para que A. fraterculus complete seu ciclo biológico, porém, a cultura
não é um hospedeiro multiplicador da espécie.
Palavras chave: mosca-das-frutas sul americana, biologia, Vitaceae, Vitis vinifera, Vitis
labrusca, hospedeiro.
33
Introdução
As moscas-das-frutas do gênero Anastrepha Schiner são de grande importância
para a fruticultura no continente Americano (ALUJA, 1994). Este gênero é nativo da
América e possui ampla distribuição no continente (MALAVASI & MORGANTE, 1980;
MALAVASI et al., 2000), contando com 195 espécies descritas e 94 identificadas no
Brasil (ZUCCHI, 2000a). A mosca-das-frutas sul americana, Anastrepha fraterculus
(Wiedemann, 1830), está distribuída desde o sul dos EUA a o norte da Argentina
(CALKINS & MALAVASI, 1995; SALLES, 1995). No Brasil é praga importante para
pêssego (Prunus persica L.), ameixa (Prunus domestica L.), maçã (Malus domestica
Borkh), citros (Citrus spp.), goiaba (Psidium guajava L.), entre outras fruteiras, com
registro de infestação em 67 espécies de 18 famílias botânicas (ZUCCHI, 2000b).
Atualmente, a produção de uvas no Brasil é de 1.257.064 toneladas (IBGE,
2007), o que coloca o país na 14
a
posição na produção mundial e 24
a
em exportação de
uvas “in natura” (MELLO, 2007). A produção brasileira de uvas corresponde a
aproximadamente 40% de uva para indústria (suco, vinho, geléias, etc) e 60% de uvas
para consumo “in natura” (uva de mesa). Esta produção representa elevada importância
para a balança econômica, o que mantém a uva em 1
o
lugar no “ranking” das
exportações de frutas no país (MELO, 2007). As principais espécies de videiras
cultivadas de forma econômica no Brasil são a Vitis labrusca L., ou uvas americanas
(‘Isabel’, ‘Niagara’, ‘Bordo’) e Vitis vinifera L., conhecidas como uvas européias (‘Itália’,
‘Cabernet’, ‘Merlot’). Em ambas a produção pode ser destinada, tanto para
processamento como para o consumo “in natura”.
Poucas informações estão disponíveis com relação à bioecologia da mosca-das-
frutas sul americana quando relacionada à videira. Os relatos dizem respeito às injúrias
causadas pelas larvas, com destaque para as uvas finas brancas destinadas ao
consumo “in natura” (SORIA, 1985; BOTTON et al., 2003). Não existem estudos
visando conhecer o desenvolvimento de A. fraterculus associada à cultura. Os
parâmetros biológicos disponíveis desta espécie são originários de trabalhos com dieta
artificial (GONZÁLEZ et al., 1971; MARTINS, 1986; MACHADO et al., 1995; JALDO et
34
al., 2001; VERA et al., 2007), ameixa (BAKER, 1945) (possivelmente com outra espécie
de Anastrepha) e maçã (SUGAYAMA et al., 1998). A pouca informação disponível
sobre o desenvolvimento da espécie na cultura da videira é atribuída, principalmente,
ao reduzido conhecimento dos danos causados pela praga na cultura e ao cultivo de
uvas finas de mesa no Brasil, concentrar-se na região do Vale do Rio São Francisco,
que apresenta baixo índice de mosca-das-frutas (HAJI et al, 1991). Além disso, quando
ocorrência de mosca-das-frutas na região a espécie predominante é a Ceratitis
capitata (Wiedemann, 1824) (NASCIMENTO & CARVALHO, 2000). Por outro lado, a
recente expansão do cultivo de uvas finas de mesa para diferentes regiões tropicais
(PROTAS et al., 2000), onde a mosca-das-frutas sul americana está presente, reforça a
necessidade de se conhecer a biologia da espécie na cultura, que é base para todos os
trabalhos de manejo integrado de pragas.
Este trabalho teve como objetivo estudar, em laboratório, o desenvolvimento pós-
embrionário da mosca-das-frutas sul americana A. fraterculus, em uvas ‘Niagara
Rosada’ (V. labrusca) e ‘Itália’ (V. vinifera), principais cultivares de uvas de mesa
destinadas para o consumo “in natura” no Brasil.
Material e Métodos
O trabalho foi conduzido com insetos providos da criação de A. fraterculus
mantida no Laboratório de Entomologia da Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves,
RS (temperatura 23 ± 2Cº, 70 ± 10% UR e 14 h de fotofase) durante os meses de
janeiro a agosto de 2007. A criação utiliza mamão papaia (Carica papaya L.) como
substrato de postura e posterior desenvolvimento larval, sendo os adultos alimentados
com dieta sólida (extrato de soja, germe de trigo e açúcar mascavo, na proporção 3:1:1)
e água. Os insetos para início desta criação foram coletados de frutos infestados em
áreas de pessegueiros (P. persica), em Bento Gonçalves, no ano de 2001 e, desde
então, são adicionados anualmente insetos do campo coletados de frutos de araçá-
vermelho (Psidium cattleianum Sabine).
35
Bagas de uva das cultivares ‘Itália’ e ‘Niagara Rosada’ na fase de maturação
plena foram individualizadas com o auxilio de tesoura, deixando-se o pedicelo. Estas
uvas foram adquiridas de produtores que não aplicaram inseticidas, pelo menos 21 dias
antes da instalação do experimento. As bagas foram infestadas no interior das gaiolas
de criação (30 x 30 x 30 cm) contendo aproximadamente 100 casais de moscas, entre
15 e 25 dias de idade. Em cada gaiola foram ofertadas 40 bagas durante o período de
luz (14 horas). Conseguinte, as bagas foram retiradas e individualizadas em recipientes
de plástico (100 ml), sobre uma camada de vermiculita esterilizada (0,5 cm), numerados
e tampados. Na tampa foi aberto um orifício (um cm²) e posteriormente fechado com
papel filtro e fita adesiva, o que serviu para a troca de ar com o ambiente externo.
Foram separadas 15 bagas com aproximadamente 30 puncturas cada. Em cada
baga foi marcado com uma caneta, um círculo no local de cada punctura. As bagas
foram avaliadas a cada 12 horas, registrando-se o momento da eclosão pela formação
de galeria pelas larvas eclodidas, o que ocasiona escurecimento do tecido abaixo da
casca. Na punctura onde foi observada a galeria fez-se outra marca com caneta de cor
diferente, o que evitou a duplicidade de registros na mesma baga. Ao final do quinto
dia, todas as bagas foram abertas e os ovos contados em lupa biocular (aumento de 10
vezes), calculando-se a duração e viabilidade da fase de ovo pela diferença entre ovo
inteiro (não houve eclosão) e ovo com o cório rompido (houve eclosão).
O período de larva foi caracterizado pelo início da formação das galerias nas
bagas até a saída destas, considerando-se para a fase de ovo a sua média observada.
Foram utilizadas 400 bagas para cada cultivar, as quais foram individualizadas em
potes plásticos citados anteriormente. Diariamente foi registrada a saída de larvas das
bagas, que com o auxílio de pinça foram coletadas e individualizadas em tubo de
ensaio com o fundo chato (8,5 cm de comprimento por 1,5 cm de diâmetro), acrescido
de vermiculita esterilizada, papel filtro umedecido e fechado por papel filme (Magipac®),
observando-se diariamente até a transformação em pupa. A viabilidade do período
larval foi observada em outra avaliação, onde foram utilizadas 150 bagas, infestadas
somente por duas horas, o que resultou num menor número de puncturas por baga,
facilitando a contagem. Após cinco dias da retirada das bagas foi contado o número de
36
galerias formadas em cada uma, calculando-se a viabilidade pelo número de larvas que
saíram das bagas em relação ao número de galerias iniciais. Foi considerado como
período de pré-pupa o momento da saída da larva da baga, quando ela cessou sua
alimentação e procurou refúgio para pupar. Foram separadas 30 bagas infestadas e as
pupas das larvas que se desenvolveram nestas foram pesadas, após 24 horas de
formação, em balança analítica. A adição de umidade nos tubos contendo as pupas foi
a cada três dias.
Após a emergência dos adultos, estes foram separados por sexo e os mal
formados descartados para acasalamento. Cada casal foi individualizado em uma
gaiola feita a partir de copo plástico (300 ml), totalizando 30 casais (repetições). Para
isso, o copo foi furado no lado de menor diâmetro, colocando-se um chumaço de
algodão para a troca de gases com o ambiente externo, e virado com a abertura
superior (diâmetro maior) para baixo, sob papel sulfito. Pela abertura que ficou virada
para baixo foi adicionado o alimento (dieta e água) com troca a cada três dias, e as
bagas para oviposição, com troca diária durante a vida da fêmea. A dieta oferecida foi à
mesma utilizada na criação em laboratório, registrando-se as datas de emergência e
morte dos adultos. Depois de retiradas, as bagas foram numeradas, conforme a data e
o casal, avaliando-se o número de puncturas e a presença de galerias por baga, que
em seguida, foram abertas para a contagem dos ovos. Esta avaliação ocorreu após
cinco dias da retirada da baga da gaiola, registrando-se também a porcentagem de
larvas eclodidas através da contagem dos ovos inteiros (não eclodidos) e ovos com o
cório rompido (eclodidos).
Com base nos dados biológicos obtidos, elaborou-se a tabela de vida de
fertilidade, segundo SILVEIRA NETO et al. (1976), determinando-se: taxa líquida de
reprodução (Ro); tempo médio de uma geração (T); taxa intrínseca de aumento (rm) e
razão finita de aumento (λ).
37
Resultados e Discussão
Na cultivar ‘Niagara Rosada’ (V. labrusca) foi observado posturas e eclosão das
larvas, porém, nenhuma conseguiu desenvolver-se, o que indica a não adequação
desta cultivar como hospedeira de A. fraterculus. Na cultivar ‘Itália’ (V. vinifera) houve o
desenvolvimento das fases pós-embrionárias, com os resultados apresentadas na
Tabela 1.
Tabela 1. Média EP) e intervalo de variação (IV) em dias das fases imaturas de
Anastrepha fraterculus em bagas de uva da cultivar ‘Itália’ (V. vinifera) com a
respectiva viabilidade (%), em laboratório (temperatura 23 ± 2Cº, 70 ± 10% UR
e 14 h de fotofase). Bento Gonçalves, RS, 2007.
Fase
N
1
(X ± EP)
2
I.V.
3
(%)
4
Ovo 217 3,01 ± 0,13 (2 - 4) 61,75
Larva 192 21,95 ± 0,33 (14 - 32) 8,25
5
Pupa 125 14,60 ± 0,09 (13 - 17) 65,10
Ovo-Adulto 125 39,10 ± 0,45 (31 - 50) 3,28
1
Número de observações feitas
2
Duração média ± erro padrão, em dias;
3
Intervalo (mínimo e máximo) observado em dias;
4
Viabilidade, em porcentagem;
5
Viabilidade calculada de larvas desenvolvidas em 150 bagas.
O período médio e viabilidade da fase de ovo observado foram próximos aos
diferentes trabalhos feitos com A. fraterculus e que se encontram na literatura (Tabela
2). BAKER (1945) cita que uva é um ótimo hospedeiro para obtenção de ovos de A.
fraterculus em laboratório, porém comenta que não ocorre desenvolvimento de larvas
nesta fruteira. O mesmo autor considerou como o método mais eficiente para tal tarefa,
acondicionando-os, em seguida, em papel umedecido com solução diluída de cloreto de
cobre para prevenir contaminação de patógenos. GONZÁLEZ et al. (1971) encontraram
dificuldade na utilização de ovos de A. fraterculus em metodologia para criação massal
no Perú, o que consideraram ser provável por três fatores: o uso de temperatura
inadequada (27° C); contaminação por fungos (gênero Cephalosporium);
38
Tabela 2. Duração média e viabilidade das fases de ovo, larva e pupa de A. fraterculus, em comparação com
trabalhos da literatura citada.
Referências T
6
Fase de Ovo Fase de Larva Fase de Pupa
N
7
(D)
8
(V)
9
N
7
(D)
8
(V)
9
N
7
(D)
8
(V)
9
BAKER (1945)
1
22,5 151 4,16 57,60 - 14,80
- 48 19,80 100,00
25,0 139 3,24 55,40 - 12,80
- 81 15,00 100,00
GONZÁLEZ et al. (1971)
2
27,0 2103 3,00 56,50 1188 8,00 94,01 1081
12,00 99,15
MARTINS (1986)
3
25,0 2000 2,85 59,30 1000 13,95
61,70 - 10,00 21,60
MACHADO (1993)
4
25,0 25 3,00 72,00 18 11,04
83,30 15 14,92 86,60
ZART
5
e 6
23,0 217 3,01 61,75 192 21,95
8,25 125 14,60 65,10
1
Larvas alimentadas com fatias de ameixa.
2
Larvas alimentadas com dieta artificial a base de torula e cenoura em pó.
3, 4
Larvas alimentadas com dieta artificial a base levedura e germe de trigo.
5
Larvas alimentadas com bagas de uva ‘Itália’ (Vitis vinifera).
6
Valores observados do autor, apresentadas neste trabalho.
7
Número de observações.
8
Duração média, em dias.
9
Viabilidade, em porcentagem.
39
e/ou reduzida fertilidade de adultos. Na Argentina, JALDO et al (2001) observaram 84%
de viabilidade para ovos de A. fraterculus coletados em painel de silicone, lavados e
acondicionados em papel filtro umedecido, também em metodologia para criação
massal da espécie. Em experimento com diferentes substratos, MARTINS (1986) testou
para viabilidade e duração de ovos água de torneira, solução salina a 2%, papel de filtro
umedecido e diretamente na dieta, concluindo que água de torneira é o melhor
substrato para incubação de ovos de A. fraterculus. CHU & TUNG (1996) observaram
viabilidade próxima de 20% em posturas de Bactrocera dorsalis (Hendel, 1912) em
bagas de uva com 60 e 80 dias após o florescimento, na China.
Na fase de larva a duração estendeu-se e a viabilidade foi baixa, comparado com
os diferentes trabalhos na literatura (Tabela 2). Apesar dos estudos de MARTINS
(1986) e MACHADO (1993) terem sido feitos com dietas artificiais e o de BAKER (1945)
com ameixa, e com populações diferentes da espécie (STECK, 1991), nestes estudos
as durações do período larval foram próximas entre si (Tabela 2). Diferenças na
duração e viabilidade na fase de larva deste trabalho podem ser devido à inadequação
do hospedeiro, considerado impróprio para o desenvolvimento da espécie por BAKER
(1945). Este mesmo autor cita que não ocorre desenvolvimento de larvas em uva e
considera a mesma como uma planta não hospedeira, porém o cita em que espécie
de uva foi observada. A característica de polpa carnosa na cultivar ‘Itália’ permite inferir
que este fator possa ser o responsável pela adaptação no desenvolvimento larval, fato
não observado em ‘Niagara Rosada’. Por si só, bagas de cultivares americana
apresentam película com casca mais espessa e polpa menos carnosa (suculenta).
Observações a campo corroboram para esta discussão, visto que em outras cultivares
de V. vinifera (‘Semillon’, ‘Muscat Alexandria’) e de híbridos (‘Moscato Embrapa’, ‘Seyve
Vilard’) com casca branca é recorrente a identificação de injúrias causadas pelo
desenvolvimento de larvas em bagas (SORIA, 1985). Devido à alimentação da larva em
bagas de uva Itália ocasionar extravasamento da polpa, pode justificar a baixa
viabilidade e o alongamento na duração do período larval, fato também observado por
MARTINS (1986). Este autor observou que a duração da fase larval é alterada pela
umidade na dieta, que em experimento com adição de água na dieta (15 ml de água
40
destilada em 100g de dieta pronta), sendo a duração média do período larval de 20,38
dias a 25º C, o que diferiu estatisticamente do período médio larval das criadas em
dieta sem a adição de água, que foi 15,97 dias. Para B. dorsalis em uva, CHU & TUNG
(1996) observaram que a viabilidade no desenvolvimento larval é dependente da
maturação da uva. Eles infestaram bagas com 50, 60 e 80 dias após o florescimento e
registraram desenvolvimento somente nas de 60 e 80 dias, com 6% e 25% de
viabilidade de ovos à pupa.
O período de pré-pupa avaliado teve duração menor que 24 horas (0,85 ± 0,03
dias), com máxima de dois dias e mínima menor do que 24 horas. A viabilidade foi de
98,96%, com 1,04% de mortalidade de larvas por retenção dos caracteres da larva
(larva quitinizada). A observação deste período não foi registrada em trabalhos desta
espécie (BAKER, 1945; GONZÁLEZ et al., 1971; MARTINS, 1986; MACHADO, 1993).
Pelo fato da maioria dos autores terem observado o desenvolvimento larval em dietas
artificiais, pode ter dificultado a real observação do momento em que a larva cessa a
sua alimentação. Neste período, quando a larva sai do fruto para pupar no solo, o
inseto encontra-se em condição desfavorável em relação aos organismos entomófagos,
justificando a velocidade com que ocorre a passagem deste período uma importante
estratégia para a sobrevivência da espécie frente aos inimigos naturais.
Na fase de pupa, em 2,4% das que não emergiram, o adulto estava preso à
estrutura pupal. A duração encontrada foi próxima aos trabalhos de BAKER (1945) e
MACHADO (1993) a 25° C (Tabela 2). A viabilidade foi superior apenas à encontrada
por MARTINS (1986), que possivelmente teve problemas com falta de umidade.
MARTINS (1986) também observou que pupas obtidas a partir de larvas alimentadas
em dieta com maior teor de umidade são afetadas de forma negativa quanto à
viabilidade total nesta fase, não citando outras fontes de mortalidade.
O peso médio das pupas foi de 15,10 ± 0,31 mg, com máxima e mínima de 21 e
9,1 mg, respectivamente, o que foi inferior aos valores que GONZÁLEZ et al. (1971) e
JALDO et al. (2001) observaram (20 mg e 18 mg, respectivamente). SALLES &
LEONEL (1996) estudaram pupas de larvas desenvolvidas em hospedeiros no campo e
observaram que as mais pesadas (17,3 mg) foram as de cereja-do-mato (Eugenia
41
involucrata D.C.), e as de menor peso (8,6 mg) de nêspera (Eriobotrya japonica
(Thunb.) Lindl). Os pesos observados pelos mesmos autores em ameixa (P. domestica)
(15,7 mg), araçá (Psidium araça Raddi) (15,4) e guabiroba (Campomanesia
xanthocarpa Berg.) (15,2 mg) foram próximos ao obtidos neste experimento.
Considerando-se que as pupas mais pesadas darão origem aos insetos mais prolíferos
e de vida mais longa, SALLES & LEONEL (1996), comentam que os indivíduos
desenvolvidos em cereja-do-mato possivelmente tornem-se os dominantes na região
observada devido. Porém, um fato não discutido por SALLES & LEONEL (1996), o de
que as pupas mais pesadas, observadas no experimento, se desenvolveram nos frutos
com menor número de pupas/fruto, pois, enquanto em nêspera foram observadas 8,6
larvas/fruto, em cereja-do-mato foi de 1,6. Neste estudo, utilizando uva, foi observado
0,97 pupas/baga, com intervalo entre zero e três, porém sem considerar o número de
larvas iniciais por baga.
Os períodos de longevidade dos adultos foram inferiores aos de GONZÁLEZ et
al. (1971), que observaram duração média de 67,3 dias para adultos alimentados com
mistura de açúcar e proteína de soja (4:1), com máximas de 127 e 85 dias para machos
e fêmeas, respectivamente (Tabela 3). MACHADO et al. (1995) observaram duração
média de 55,5 dias para adultos, enquanto MARTINS (1986) encontrou longevidade
média de 156,65 ± 10,19 dias para machos e 87,8 ± 10,19 dias para fêmeas,
respectivamente. Nos dois trabalhos o alimento dos adultos teve como base proteína
hidrolisada e mel. JOACHIM-BRAVO et al. (2003) estudaram a longevidade e
fecundidade de quatro espécies de mosca-das-frutas em laboratório e, para A.
fraterculus, observaram longevidade de até 190 dias, com 50% da população
sobrevivente registrada aos 115 dias, muito superior ao deste trabalho (Tabela 3). Estes
autores utilizaram insetos coletados em frutos de goiaba (P. guajava), nas regiões de
Jequié e Juazeiro, estado da Bahia, e adultos alimentados com dieta à base de levedo
de cerveja, o que possível teve influência na longevidade superior encontrada por estes
autores. MARTINS (1986) observou período médio de oviposição de 79,10 dias, o que
foi superior ao valor encontrado neste trabalho (Tabela 3).
42
Tabela 3. Aspectos biológicos avaliados de adultos (30 casais) de A. fraterculus em
laboratório (temperatura 23 ± 2Cº, 70 ± 10% UR e 14 h de fotofase). Bento
Gonçalves, 2007.
Aspectos Avaliados
Dias
(X ± EP)
1
I. V.
2
Período Pré-oviposição 11,77 ± 0,58 (7 – 20)
Período Oviposição 20,70 ± 2,76 (1 - 61)
Longevidade Total 43,13 ± 2,95 (12 - 106)
Longevidade Macho 52,00 ± 4,71 (12 - 106)
Longevidade Fêmea 34,27 ± 2,79 (16 - 77)
1
Duração média ± erro padrão.
2
Intervalo (mínimo e máximo) observado.
No 15
o
dia foi observado o máximo de puncturas por baga (36,73 ± 1,11
puncturas) e, consequentemente, o maior mero de ovos por fêmea (9,97 ± 0,58
ovos), conforme Figura 1. A ocorrência de puncturas sem a presença de posturas foi
citada para A. fraterculus por BARROS et al. (1983), que observaram no campo e
laboratório o comportamento de oviposição em frutos de goiaba. Estes autores
constataram no campo que aproximadamente 70% das puncturas não continham
posturas, valor próximo ao observado neste trabalho que foi 74,6%. SUGAYAMA et al.
(1997) em estudo com A. fraterculus, na região de Caçador, Santa Catarina,
observaram que em maçã a oviposição depende do tamanho do fruto. Estes autores
verificaram que em frutos com diâmetros entre 40 e 49 mm ocorreram, em média, 16,3
± 7,0 puncturas por fruto, valor próximo observado neste estudo que foi de 21,24 ±
16,72. O número de ovos total por fêmea foi de 129,47 ± 16,38 ovos (Tabela 4), inferior
ao encontrado por MARTINS (1986) que observou 394,20 ovos por fêmea.
43
Figura 1. Número de ovos por dia depositados em bagas de uva Itália por 30 fêmeas e
curva de sobrevivência de machos e fêmeas (n=30) alimentadas com dieta
artificial, em laboratório (temperatura 23 ± 2Cº, 70 ± 10% UR e 14 h de
fotofase). Bento Gonçalves, RS, 2007.
Tabela 4. Parâmetros reprodutivos de 30 fêmeas de Anastrepha fraterculus,
observados em laboratório (temperatura 23 ± 2Cº, 70 ± 10% UR e 14 h de
fotofase). Bento Gonçalves, 2007.
Parâmetros Reprodutivos
Ovo - Punctura
(X ± EP)
1
I. V.
2
N
o
. ovos/fêmea/dia 6,25 ± 0,85 (0 - 38)
N
o
ovos/fêmea/total 129,47 ± 16,38 (5 - 323)
N
o
puncturas/fêmea/dia 21,24 ± 16,72 (0 - 215)
N
o
puncturas /fêmea/total 510,40 ± 56,27 (13 - 1109)
1
Duração média ± erro padrão, em dias.
2
Intervalo de variação (mínimo e máximo observado) em dias.
0
50
100
150
200
250
300
350
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 10 10
Dias
Nº Total de Ovos/dia
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
%
Ovos Machos Fêmeas
44
Na injúria causada pela punctura no pelicarpo da baga, outra injúria foi
observada próxima. Por observação e comparação com a estrutura da fêmea, pode-se
concluir que esta segunda injúria foi causada devido à pressão da bainha do ovipositor
da fêmea no momento da introdução do acúleo na baga (Figura 2). Estas injúrias
podem facilitar a entrada de microorganismos patogênicos em frutos, o que ainda
necessita ser estudado para A. fraterculus. Entretanto, a ocorrência do elevado número
de puncturas em bagas observada neste experimento, sem estas serem efetivas para o
desenvolvimento de larvas e posterior multiplicação da espécie, a relação com dano e
depreciação da uva deve ser considerado no manejo de A. fraterculus em regiões que
possa ocorrer elevada população no período de maturação de uva.
Figura 2. Injúria causada pela perfuração do acúleo (a); injúria
causada pela pressão da bainha do ovipositor na baga (b).
Em 90% dos casais, a data da primeira punctura não coincidiu com a primeira
postura ocorrendo, em média, um período de 8,77 ± 0,35 dias entre estas datas. Porém,
o período de pré-oviposição observado foi de 11,77 ± 058 dias, próximo ao observado
por GONZÁLEZ et al. (1971), que registraram peodo médio de nove dias. MARTINS
(1986), observou duração média de 22,2 dias para pré-oviposição, com casais em
gaiolas de tamanho próximo ao estudado neste experimento. SALLES (1993) em
45
experimento com A. fraterculus em diferentes temperaturas, observou períodos de 19 e
sete dias de pré-oviposição, nas temperaturas de 20º e 25º C, respectivamente, com
dois casais por gaiola (10 x 8 cm). Este autor comentou que com apenas um casal por
gaiola não houve cópula, problema não ocorrido neste estudo.
A taxa líquida de reprodução calculada (Ro) foi de 1,71. Este valor, comparado
com o de MARTINS (1986) que registrou 16,6 em trabalho com dieta artificial, reflete a
baixa adequação de A. fraterculus em uva “Itália”. O número de fêmeas que darão
fêmeas à população, ou razão finita de aumento (λ), foi de 1,01, também inferior ao
observado pelo estudo de MARTINS (1986), que foi 1,30, e de SUGAYAMA et al.
(1998), que observaram os valores de 1,058 e 1,031 para A. fraterculus em goiaba e
maçã, respectivamente Para a taxa líquida de crescimento (rm) foi registrado 0,01,
sendo o tempo médio de uma geração (T), 72,1 dias, próximo ao observado por
SUGAYAMA et al. (1998) que observaram 70,1 dias para maçã da cultivar ‘Gala’.
Em virtude da sucessão hospedeira necessária para que ocorra a multiplicação
de A. fraterculus na natureza, sua adaptação aos diferentes hospedeiros é um aspecto
importante para sua sobrevivência nas diferentes regiões brasileiras. No Sul do Brasil,
as regiões frutícolas são caracterizadas pelo cultivo de diferentes espécies botânicas
num mesmo ambiente, destacando-se as frutas de caroço (pêssego, ameixa,
nectarina), além da macieira, de citros e fruteiras nativas em pomares domésticos. Com
relação à cultura da videira, a safra é caracterizada pelo início da maturação dos
cachos no final de dezembro, com as cultivares mais tardias colhidas no início de abril.
No final da safra das demais fruteiras, a oferta por hospedeiros de maior adaptação
para o desenvolvimento da mosca-das-frutas sul americana diminui, aumentando a
chance da infestação em fruteiras como a videira, o que pode possibilitar uma seleção
de população sobrevivente na cultura. O desenvolvimento da espécie em uva foi
considerado baixo, no entanto, o dano causado pelas puncturas precisa ser mais bem
caracterizado, o que pode reduzir erros de diagnóstico quando da implantação de
estratégias de manejo integrado de pragas na cultura. A possível inoculação, como
também, abertura para entrada de patógenos em videira, também necessita de maiores
investigações para A. fraterculus.
46
CONCLUSÕES
A mosca-das-frutas sul americana, A. fraterculus, completa ciclo em uva da cultivar
‘Itália’ (Vitis vinifera), mas não em ‘Niagara Rosa’ (Vitis labrusca).
A cultivar de uva ‘Itália’ não é um hospedeiro multiplicador de A. fraterculus.
Na punctura da fêmea de A. fraterculus ocorrem duas injúrias características em bagas
de uva cultivar ‘Itália’.
47
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52
CAPÍTULO 4 - EFICIÊNCIA DE ATRATIVOS ALIMENTARES PARA A CAPTURA DE
Anastrepha fraterculus (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) EM
VIDEIRA
RESUMO A mosca-das-frutas sul americana Anastrepha fraterculus apresenta
elevada incidência nas fruteiras no Sul do Brasil. O controle do inseto tem sido
realizado basicamente com inseticidas químicos muitas vezes sem avaliar a infestação.
Na cultura da videira ainda não foi estudada a eficiência de atrativos para o
monitoramento da espécie. Neste trabalho foi avaliado atrativos alimentares para o
monitoramento de adultos de A. fraterculus na cultura da videira, empregando-se
utilizadas armadilhas McPhail, comparando-se: vinagre de vinho tinto a 25%; suco de
uva a 25%; BioAnastrepha a 5%; Torula 2,9% e uma testemunha (água). O
experimento foi instalado no dia 23/01/2006, num vinhedo da cultivar ‘Niagara Rosada
com espaçamento de 2,5 m entre linhas por 1,2 m entre plantas, no município de Bento
Gonçalves, RS. Foi adotado o delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições.
Para cada armadilha foi usado 300 ml de atrativo, distanciadas 5 metros dentro do
bloco e 15 metros entre blocos. A avaliação foi semanal, durante quatro semanas. Nas
avaliações eram trocados os atrativos, sendo as moscas coletadas, separadas por sexo
e contadas. Os dados referentes às coletas foram transformados em raiz de (X+1),
sendo feita a análise de variância e comparação de médias por Tukey a 5%. O atrativo
BioAnastrepha e a torula capturaram 74,92% e 21,53 de moscas-das-frutas,
respectivamente, sendo superiores ao suco de uva (3,42) e vinagre de vinho tinto
(0,10). O atrativo a base de proteína hidrolisada foi o mais eficiente.
Palavras Chave: monitoramento, mosca das frutas sul americana, proteína
hidrolisada, torula, suco de uva.
53
Introdução
Atualmente existem diversas recomendações para o monitoramento das mosca-
das-frutas, que variam desde a tentativa de padronizar o emprego de armadilhas
McPhail associados a atrativos alimentares até o uso de diferentes armadilhas e
atrativos (SALLES, 1995). SALLES (1997) comenta que meios e processos de atração
dos adultos, especialmente das fêmeas de Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830),
devem ser estudados e esclarecidos, pois não existe uma regra única orientando quais
os melhores atrativos para moscas-das-frutas do gênero Anastrepha.
Entretanto, sabe-se que as fêmeas acasaladas são atraídas por odores exalados
de frutos, sugerindo que elas usam tal estímulo como orientação específica para a
oviposição (ROBACKER et al., 1990). Porém, os atrativos mais utilizados para o
monitoramento de moscas do gênero Anastrepha são os alimentares protéicos,
baseando-se pelo princípio de que as fêmeas necessitam de alimento com proteína
para ficarem aptas à fecundação. Estas substâncias protéicas na natureza são
encontradas pelas moscas-das-frutas nos frutos em decomposição, néctar,
excrementos de pássaros e de insetos (CHRISTENSON & FOOTE, 1960; BATEMAN,
1972). MCPHAIL (1937) foi o primeiro pesquisador a comprovar que soluções com
açúcar fermentado atraíam adultos de Anastrepha ludens (Loew, 1873), sendo que
estas soluções poderiam ser empregadas no monitoramento do inseto. Posteriormente,
verificou-se que os atrativos alimentares protéicos (proteínas em geral) proporcionavam
melhores capturas (MCPHAIL, 1939).
No Brasil, especificamente na região Sul, são utilizados de forma rotineira como
atrativos alimentares diluídos em água o vinagre de vinho tinto a 25%, os sucos de
pêssego (10%) e uva (25%) e a proteína hidrolisada (5%) (LORENZATO, 1984;
KOVALESKI et al., 1995; SALLES, 1995 e 1997; NASCIMENTO et al., 2000; NORA &
SUGIURA, 2001). KOVALESKI et al. (1995) verificaram que o suco de uva a 25% foi o
atrativo mais eficiente para a captura de mosca-das-frutas em pomares de maçã,
quando comparado com proteína hidrolisada (5%), melaço de cana (5%) e vinagre de
vinho tinto 25%, sendo o suco de uva a 25% recomendado para o monitoramento da
54
praga na cultura da macieira (KOVALESKI & RIBEIRO, 2002). Entretanto, para a videira
sua eficiência pode ser afetada de forma negativa nos períodos de pré-maturação e
maturação das uvas, devido a competição com as substâncias voláteis desprendidas
dos frutos (ROSIER et al., 1995).
MALAVASI et al. (1990) observaram que a proteína hidrolisada a 5% e a
levedura torula a 4% capturaram de 6 a 7 vezes mais indivíduos de A. grandis e A.
fraterculus que o melaço de cana a 1%. Os autores recomendaram o uso da proteína
hidrolisada para os países da América Latina devido a maior facilidade de aquisição e
preparo, além de baixo custo. Diferentes marcas comerciais de proteínas hidrolisadas,
comparadas com melaço e suco de laranja mais melaço, foram avaliadas para a
captura de mosca-frugívoras em citros, e as marcas comerciais BioAnastrepha e Isca
Mosca® foram mais eficientes para a captura de Anastrepha sp. (RAGA et al., 2006). A
proteína hidrolizada também foi o atrativo mais eficaz para a cultura do pessegueiro na
regiao Sul (SCOZ et al., 2006; MONTEIRO et al., 2007).
Como o monitoramento deve proporcionar informações que representem de
forma adequada o comportamento da espécie, este trabalho foi realizado com o
objetivo de avaliar atrativos alimentares na captura de moscas-das-frutas sul americana
Anastrepha fraterculus na videira.
Material e Métodos
O experimento foi instalado num vinhedo da cultivar ‘Niagara Rosada’ (V.
labrusca L.), com espaçamento de 2,5 m entre linhas por 1,2 m entre plantas,
conduzidas pelo sistema latada (pérgola), localizado no município de Bento Gonçalves,
RS. As avaliações foram realizadas no período 16/01/06 a 13/02/06, quando a uva
estava na fase de maturação.
Foram utilizadas armadilhas do tipo McPhail, com 300 ml dos seguintes atrativos:
a) vinagre de vinho tinto a 25%; b) suco de uva a 25%; c) proteína hidrolisada
(BioAnastrepha) a 5%; d) Torula na dose de seis tabletes/litro de água (5 g cada
55
tablete); e e) testemunha (água). O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso
com quatro repetições. As armadilhas foram distanciadas 5 metros dentro do bloco e 15
metros entre blocos, penduradas numa altura aproximada de 1,7 m. A avaliação foi
semanal, durante quatro semanas. Nas avaliações, os atrativos eram trocados e as
moscas coletadas transferidas para frascos contento álcool 70%. No laboratório as
moscas foram separadas por sexo e contadas.
Os valores referentes às coletas em cada parcela, durante as quatro semanas,
foram somados, transformados em 1+x e submetidos à análise de variância
comparando-se as médias pelo teste de Tukey (P<5%).
Resultados e Discussão
Durante o período avaliado (16/01/06 e 13/02/06) foram capturados 3972
indivíduos de A. fraterculus (1714 machos e 2258 fêmeas) na área experimental
cultivada com ‘Niagara Rosada’. As moscas com padrão morfológico de A. fraterculus
foram consideradas como desta espécie devido à alta incidência (acima de 90%) na
região estudada (LORENZATO et al., 1986, SCOZ et al., 2006). O parreiral estava
localizado próximo de pomar de pêssego abandonado e de áreas domésticas com
fruteiras, resultando na captura de uma quantidade grande de moscas-das-frutas.
Na eficiência de captura, considerada pelo número total de A. fraterculus
coletadas, a proteína BioAnastrepha diferenciou-se significativamente dos demais
atrativos avaliados, capturando no total 2976 (74,92%) indivíduos, seguido pela Torula
com 855 (21,53%) e o Suco de Uva com 136 (3,42%). O vinagre de vinho Tinto e o
suco de uva, ambos usados na região para o monitoramento de A. fraterculus em
outras fruteiras, não foram eficientes para a cultura da videira (Tabela 1).
56
Tabela 1. Número médio (±EP) de Anastrepha fraterculus capturadas por dia/ armadilha
(MAD) em área de videira da cultivar ‘Niagara Rosada’. Bento Gonçalves, RS.
Tratamento
Anastrepha fraterculus
1
Macho Fêmea Total
Torula 2,9% 8,95 ± 0,62 b
2
10,48 ± 0,72 b 19,43 ± 9,15 b
BioAnastrepha 5% 28,30 ± 1,44 a 39,34 ± 1,74 a 67,64 ± 21,41 a
Água 0,02 ±0,01 c 0,00 ± 0,00 c 0,02 ± 0,06 c
Vinagre de Vinho 25%
0,05 ± 0,02 c 0,05 ± 0,01 c 0,09 ± 0,19 c
Suco de Uva 25% 1,64 ± 0,20 c 1,45 ± 0,18 c 3,09 ± 2,55 c
1
Média calculada sobre valores transformados em MAD (mosca\dia\armadilha) ± erro padrão da média.
2
Médias seguidas da mesma letra nas coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<5%).
O efeito da proteína hidrolisada na captura de adultos de Anastrepha fraterculus
em videira assemelha-se aos obtidos por MALAVASI et al. (1990), RAGA et al. (2006),
SCOZ et al. (2006) e MONTEIRO et al. (2007), que relataram sua maior eficiência
quando comparada com outros atrativos em diferentes locais e culturas. Porém,
MALAVASI et al. (1990), SCOZ et al. (2006) e MONTEIRO et al. (2007) observaram que
o uso de torula foi significativamente igual às proteínas avaliadas, o queo foi
observado neste experimento.
LORENZATO (1984) observou que para o monitoramento de Anastrepha em
pomar doméstico (com diferentes espécies de fruteiras), o uso de vinagre diluído a 25%
foi equivalente aos sucos de uva e maracujá, ambos diluídos a 25%. Entretanto,
MONTEIRO et al. (2007) não observaram eficiência na captura de Anastrepha
fraterculus em pomar de pêssego localizado em Lapa - PR, com o uso de vinagre de
vinho e suco de uva, ambos diluídos a 25%, quando comparados a BioAnastrepha
(5%). SALLES (1999) observou que o suco de pêssego diluído a 10% e fermento de
pão na proporção de 20% em água foram mais eficientes que o vinagre a 25%, na
cultura do pessegueiro, em Pelotas, RS. Naquele experimento, o autor avaliou o efeito
do envelhecimento dos atrativos até 10 dias e concluiu que ocorre acréscimo na
captura de Anastrepha fraterculus com a permanência deles no campo, observando o
57
acúmulo de 61,2% e 75,8% nas moscas capturadas entre o 8
o
e 10
o
dia, para suco de
pêssego (10%) e vinagre (25%), respectivamente.
O emprego do suco da própria fruta para o monitoramento de Anastrepha sp.
também não mostrou eficiência para MORAES et al. (1988) e RAGA et al. (2006), que
não observaram eficiência do suco de laranja em citrus. Como para diferentes culturas
o suco de uva diluído a 25% tem se mostrado eficiente na captura de A. fraterculus
(BLEICHER et al., 1978; BRAUN et al., 1993; KOVALESKI et al., 1995; SCOZ et al.,
2006), a reduzida captura das moscas pelas armadilhas contendo suco de uva diluído
(25%) no experimento possivelmente foi resultado da competição com os voláteis
liberados elos cachos do vinhedo na época de maturação.
Outros fatores que podem ter reduzido na eficiência do suco de uva e o vinagre
neste experimento vinculam-se ao tempo de permanência (sete dias), que pode ser
considerado baixo para este atrativo (SALLES, 1999), e o fato das armadilhas estarem
posicionadas à sombra, devido ao sistema de condução das videiras. Estes fatores
diminuíram a possibilidade de fermentação (produção de álcool) do suco nas
armadilhas e, conseqüentemente, fez reduzir a volatilização das substâncias atrativas
às moscas (ROSIER et al., 1995).
Conclusões
A formulação atrativa a base de proteína hidrolizada (BioAnastrepha) diluída à 5 % foi o
atrativo mais eficiente na captura de adultos de Anastrepha fraterculus em videira;
O suco de uva e vinagre de vinho tinto, diluídos em água a 25% não são eficazes na
captura de Anastrepha fraterculus em videira.
58
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61
CAPÍTULO 5 - FLUTUAÇÃO POPULACIONAL DE Anastrepha fraterculus
(WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) EM DIFERENTES CULTIVARES DE
VIDEIRA NA REGIÃO DA SERRA GAÚCHA
RESUMO A mosca-das-frutas sul americana, Anastrepha fraterculus, é
considerada praga-chave das fruteiras de clima temperado na região Sul do Brasil.
Poucas informações encontram-se disponíveis quando associada à cultura da videira,
entretanto, altos níveis populacionais são observados entre os meses de dezembro e
janeiro. Neste estudo foram monitorados vinhedos comerciais (aproximadamente 0,5 ha
cada) das cultivares de videira ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Itália’ (apenas safra 2005/06),
‘Niagara Rosada’, ‘Moscato Embrapa’ e ‘Isabel’ (apenas safra 2006/07). Em cada
vinhedo foi empregado quatro armadilhas McPhail contendo 300 ml de BioAnastrepha a
5% diluído em água. O monitoramento foi semanal, registrando-se o número de A.
fraterculus capturado por armadilha quando foi trocado o atrativo. No primeiro ano de
avaliação, foram coletados 379 espécimes de A. fraterculus nas áreas avaliadas, sendo
329 na área de ‘Moscato Embrapa’. Em ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Itália’ e ‘Niagara
Rosada’ foram coletados 23, 20 e sete, respectivamente. No segundo ano foram
coletados 209 indivíduos, e novamente na ‘Moscato Embrapa’ foi observado a maior
coleta (101), seguido por ‘Niagara Rosada’, ‘Isabel’ e ‘Cabernet Sauvignon’, com 47, 42
e 19, respectivamente. Em todas as cultivares avaliadas, os picos de captura
coincidiram com o período de amadurecimento dos cachos, indicando ser este o
período de maior ocorrência do inseto na região avaliada
Palavras - Chave: Monitoramento; mosca-das-frutas, manejo integrado de pragas, Vitis
vinifera, Vitis labrusca.
62
Introdução
A mosca-das-frutas sul americana Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) é
considerada uma das principais pragas das fruteiras de clima temperado no Estado do
Rio Grande do Sul (LORENZATO & CHOUENE, 1985; SALLES, 1995; KOVALESKI &
RIBEIRO, 2002), principal pólo produtor de uvas para processamento do Brasil
(MELLO, 2007b). É a espécie dominante na região, representando aproximadamente
90% de espécies de Anastrepha coletadas em armadilhas McPhail (KOVALESKI,
1997). Nas regiões produtoras de frutas dos estados do Sul e Sudeste do país, as
propriedades, na maioria das vezes, caracterizam-se por pequenas áreas e com
diversidade nas espécies cultivadas. Na região da Serra Gaúcha é comum, numa
mesma propriedade, o cultivo de fruteiras como: citros, caqui, pêssego, maçã, ra e
uva. Este cenário, somado com uma diversidade de mata nativa e ciliar, propicia um
ambiente favorável para a multiplicação contínua de mosca-das-frutas ao longo do ano.
Espécies nativas como araçá, uvaia, cereja do mato, pitanga, feijoa, e introduzidas
como a spera, pêssego e ameixa, entre outras, existentes em quintais e praças,
contribuem para a continuidade de sobrevivência de A. fraterculus nos hospedeiros em
frutificação e, dessa forma, de sua dinâmica populacional nestas regiões.
No que diz respeito à incidência da mosca-das-frutas em videira, não existem
informações disponíveis que auxiliem os produtores a definirem o manejo da praga. É
conhecido que a abundância das moscas-das-frutas nos pomares está relacionada
diretamente com a disponibilidade de hospedeiros alternativos, localizados próximo ao
cultivo (FEHN, 1982; AGUIAR-MENEZES & MENEZES, 1996; KOVALESKI, 1997;
SOUSA FILHO, 2006). Porém, a dinâmica populacional da praga pode ser regulada
pelas variáveis climáticas, com destaque para a precipitação pluviométrica, umidade
relativa, temperatura e velocidade do vento (BATEMAN, 1972; FEHN, 1982;
FERNANDES, 1987; RAGA et al., 1996; GARCIA & CORSEUIL, 1999). Dentre estas
variáveis climáticas, a temperatura tem sido mencionada como a de maior efeito sobre
a população de A. fraterculus (FEHN, 1982; LORENZATO & CHOUENE, 1985; GARCIA
& CORSEUIL, 1998; TAUFER et al., 2000). Todavia, SALLES (1995) afirma que a
63
flutuação populacional da mosca-das-frutas não obedece a um padrão, pois observa-se
variações significativas entre anos, regiões e locais.
No entanto, como ainda não existe uma padronização para tal processo, a
adoção de medidas de controle muitas vezes fica comprometida. Para tal, na região
produtora de uvas em Bento Gonçalves estudou-se a flutuação de mosca-das-frutas sul
americana, A. fraterculus, em diferentes cultivares de videira, com a finalidade de se
conhecer quais as épocas de maior ocorrência ao ataque da praga na cultura em
diferentes cultivares avaliadas.
Material e Métodos
Os experimentos foram realizados na região de Bento Gonçalves, RS. Foram
utilizados vinhedos comerciais (aproximadamente 0,5 ha) que foram cultivados
seguindo as recomendações de manejo da cultura (CNPUV, 2007). O período de
observação foi de outubro a abril nas safras de 2006 e 2007. As cultivares avaliadas
foram ‘Moscato Embrapa’, ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Niagara Rosada’ e ‘Itália’ na safra
2005/6. Na safra 2006/7, devido a substituição dos vinhedos pelos produtores, somente
foi possível repetir a observação na área de ‘Moscato Embrapa’. Assim, foram incluídos
outros três vinhedos em substituição, com a troca da área da cultivar ‘Itália’ pela cultivar
‘Isabel’.
Armadilhas do tipo McPhail foram instaladas após a floração, em número de
quatro por área e distribuídas nas bordas do vinhedo. Cada armadilha foi presa no fio
de sustentação da condução da videira e mantida a uma altura de aproximadamente
1,7 m de altura. Em cada armadilha foi colocado 300 ml de solução com isca atrativa
composta por 5% de proteína hidrolisada (BioAnastrepha) diluída em água. Nas
avaliações os atrativos eram trocados e as moscas coletadas eram transferidas para
frascos contento álcool 70% e contadas. Os insetos foram identificados como A.
fraterculus pelo padrão morfológico do acúleo do ovipositor, conforme chave para
espécies de Anastrepha (ZUCCHI, 2000).
64
O número médio de mosca-das-frutas capturadas na semana foi transformado
em mosca/armadilha/dia (MAD). Os dados de precipitação, temperatura e umidade
foram coletados da estação metereológica da Embrapa Uva e Vinho, localizada em
Bento Gonçalves, RS, há aproximadamente 10 km. Nas avaliações foram feitas
anotações sobre os estádios fenológicos conforme EICHHON & LORENZ (1972).
Resultados e Discussão
Na safra 2005/6, no período entre 17/10/2005 e 10/04/2006, foi coletado um total
de 379 espécimes nas quatro áreas. Na cultivar M. Embrapa foi observado a maior
captura de A. fraterculus totalizando 329 indivíduos. Nas demais cultivares foram
registrados valores de 23, 20 e sete mosca-das-frutas para ‘Cabernet Sauvignon’, ‘Itália’
e ‘Niagara Rosada’, respectivamente. Em valores de mosca/armadilha/dia, somente foi
observado um pico populacional de captura de A. fraterculus (5 MAD) na cultivar
‘Moscato Embrapa’ entre os dias 06/03/06 e 13/03/06 (Figura 1), período de maturação
dos frutos
65
Figura 1. Número de adultos de Anastrepha fraterculus capturados por armadilha / dia (MAD) com
BioAnastrepha 5% nas diferentes cultivares de videira, durante a safra 2005/2006. Bento
Gonçalves RS. Estádios fenológicos observados: pleno florescimento (PF); grão chumbinho
(GC); grão ervilha (GE); compactação do cacho (CC); maturação plena (MP); e colheita (C)
(EICHHON & LORENZ, 1972).
Na safra 2006/7, a captura de A. fraterculus foi menor, porém nas cultivares
‘Cabernet Sauvignon’ e ‘Niagara Rosada’ ocorreu um maior número de moscas
capturadas, quando comparado com a safra 2005/06. No total foram capturadas 209,
com 101 na ‘Moscato Embrapa’, seguido por 47, 42 e 19 para ‘Niagara Rosada’, ‘Isabel’
e ‘Cabernet Sauvignon’, respectivamente. As maiores capturas de moscas-das-frutas
ocorreram no mesmo período (fevereiro-março/2007), conforme a Figura 2. Novamente
na cultivar ‘Moscato Embrapa’ foi observada a maior captura de A. fraterculus.
Entretanto, neste ano a infestação foi mais baixa e em nenhuma cultivar o acme
populacional alcançou uma MAD. O período de maior captura foi entre os dias 26/02/07
e 20/03/07, na cultivar M. Embrapa, correspondendo novamente a fase de maturação
de cachos.
0,00
1,00
2,00
3,00
4,00
5,00
6,00
out-05 nov-05 dez-05 jan-06 fev-06 mar-06 abr-06
Data
MAD
Niágara C.sauvignon Itália Moscato Embrapa
(PF)
(GC)
(GE)
(CC)
(MP)
(C)
66
Figura 2. Número de adultos de Anastrepha fraterculus capturados por armadilha / dia (MAD) com
BioAnastrepha 5% nas diferentes cultivares de videira, durante a safra 2006/2007. Bento
Gonçalves RS. Estádios fenológicos observados: pleno florescimento (PF); grão chumbinho
(GC); grão ervilha (GE); compactação do cacho (CC); maturação plena (MP); e colheita (C)
(EICHHON & LORENZ, 1972).
NONDILLO et al. (2007), avaliando diferentes inseticidas para o controle de A.
fraterculus na cultivar M. Embrapa, em Bento Gonçalves durante a safra de 2004/2005,
observaram que o pico populacional da mosca-das-frutas (25
moscas/armadilha/semana) ocorreu entre os dias 30/01/05 e 02/02/05, período relatado
pelos autores sendo próximo à maturação dos cachos. Esse período de infestação é
anterior ao observado neste trabalho. Isso deve ter ocorrido, pois a fenologia da videira
é sensível a mudanças climáticas durante as estações em que a planta encontra-se no
estágio vegetativo (MANDELLI, 2007) e, desse modo, o período de maturação
(acúmulo de açúcares) em videira pode oscilar de ano para ano. Outros autores, em
trabalhos na região Sul e em diferentes fruteiras, observaram que as coletas
concentram-se no período de frutificação (LORENZATO et al., 1986; SALLES &
KOVALESKI, 1990; SALLES, 1995; GARCIA & CORSEUIL, 1998).
0,00
0,20
0,40
0,60
0,80
1,00
1,20
out-06 nov-06 dez-06 dez-06 jan-07 fev-07 mar-07
Data
Niágara Rosada C.sauvignon Isabel Moscato Embrapa
(PF)
(GC)
(GE)
(CC)
(MP)
(C)
67
Na região estudada é comum a existência de outras fruteiras nas áreas
comerciais de videiras. Nas divisas de áreas os produtores cultivam, de forma
esporádica, citros, nespereiras, ameixeiras e goiabeiras. Estas plantas encontravam-se
próximas das áreas, o que justificou as primeiras observações de A. fraterculus,
registradas no dia 31/10/05 na safra 2005/6, período em que a videira estava na fase de
grão chumbinho (Figura 1) e 13/10/06 na safra 2006/7 (Figura 2). Entretanto, na safra
2006/7, após o primeiro registro de A. fraterculus no vinhedo, por um peodo de dois
meses não foi registrado captura de moscas, fato não observado na safra anterior.
Todavia, na cultivar ‘Moscato Embrapa’ houve similaridade nas datas das primeiras
capturas. Em ambas as safras as primeiras coletas ocorreram na segunda quinzena de
janeiro, quando as bagas encontravam-se no final da fase de compactação e início da
pré-maturação.
As correlações analisadas entre as moscas-das-frutas e os fatores
meteorológicos analisados (temperatura média, precipitação e umidade relativa do ar)
apresentaram correlação significativa para a cultivar Itália (na safra 2005/6) com a
temperatura média e para ‘Cabernet Sauvignon’ (safra 2006/7) com a precipitação
(Tabela 1). Como a estação meteorológica e as áreas dos estudos estavam distantes
aproximadamente 10 km, e a geografia da região é de serra, pode justificar os poucos
resultados das correlações entre a flutuação das moscas-das-frutas e parâmetros
climáticos.
68
Tabela 1. Coeficientes de correlação entre o número de moscas-das-frutas e os fatores
meteorológicos: umidade relativa (UR),temperatura média (TMED) e
precipitação pluviométrica (PREC), nas safras de 2005/2006 e 2006/2007 nas
diferentes cultivares, em Bento Gonçalves, RS.
Cultivares Coeficiente de Correlação (Pearson)
Parâmetro
Safra 2005/06 Safra 2006/07
UR (%)
TMED
C)
PREC
(mm)
UR (%)
TMED
C)
PREC
(mm)
‘Cabernet
Sauvignon’
-0,03 0,34 -0,08 0,31 0,18 0,41*
‘Isabel’
- - - 0,33 0,10 0,36
‘Itália’
-0,04 0,40* 0,07 - - -
‘Moscato
Embrapa’
-0,02 0,13 -0,36 0,35 0,19 0,41*
‘Niagara
Rosada’
-0,03 0,25 -0,15 0,05 0,29 0,38
* Significativo (P<0,05).
CONCLUSÕES
O pico populacional de Anastrepha fraterculus em uva na região da Serra Gaúcha
ocorre durante a fase de maturação dos cachos.
A maior captura de Anastrepha fraterculus ocorreu na cultivar ‘Moscato Embrapa’.
69
REFERÊNCIAS
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frutas e a sua relação com a disponibilidade hospedeira em Itaguaí, RJ. Anais da
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v.17, p.493-518, 1972.
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Nachrictenbl. Pflanzenschutzdienstes, Braunschweig. v.29, p.119-120, 1977.
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Brasileira de Zoologia. Curitiba. v.15, p.1111-1117, 1998.
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frutas (Diptera: Tephritidae) em pomares de pessegueiro em Porto Alegre, Rio Grande
do Sul. Revista da Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia, Uruguaiana.
n.1, p.71-75, 1999.
70
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MANDELLI, F. Comportamento meteorológico e sua influência na vindima de 2006 na
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http://www.cnpuv.embrapa.br/publica/artigos/panorama2006_vitivinicultura.pdf>. Acesso
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71
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p.23-28, 1996
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Preto, Holos Editora, p.13-24, 2000
72
CAPÍTULO 6 - IMPLICAÇÕES
Este trabalho procurou determinar aspectos da bioecologia de Anastrepha
fraterculus na cultura da videira e caracterizar o potencial de dano que o inseto pode
provocar. Um ponto básico que foi evidenciado é a importância da variabilidade
genética da cultura na ocorrência de danos. Enquanto bagas das cultivares da espécie
Vitis vinifera foram danificadas, bagas de cultivares de Vitis labrusca como ‘Niagara
Rosada’ são praticamente imunes à praga. Novos estudos deverão investigar a
potencialidade da espécie V. labrusca no melhoramento de plantas, que para
moscas-das-frutas existem poucos estudos sobre o este tema.
Apesar da uva de mesa ‘Itália’ (V. vinifera) apresentar condições para o
desenvolvimento de A. fraterculus, a cultivar não é considerada como hospedeira
preferencial da praga devido a baixa viabilidade larval. Isso mostra que essa cultivar
não deverá servir como repositório da população do inseto.
Um fator observado e que deve ser aprofundado é o efeito da punctura sobre a
incidência de doenças da pré-colheita na cultura. Sabe-se que o volume de fungicidas
aplicado anualmente para o controle de podridões dos cachos é elevado nas diferentes
regiões produtoras. Caso patógenos, como Botrytis sp. e Glomerella cingulata,
consigam penetrar mais facilmente nos tecidos danificados pela mosca, o manejo
adequado da praga (monitoramento e controle) pode auxiliar também no manejo das
doenças. Também o fato de puncturas sem a existência do ovo (postura efetiva) pode
ser uma estratégia de sobrevivência desta espécie, visto que as fêmeas tendem a
liberar feromônio no local da postura, porém nada se sabe em relação desta
observação para punctura.
Outra observação foi a atração de insetos secundários nos cachos danificados
por A. fraterculus. A presença de insetos nos cachos é um fator permanente de
preocupação para os produtores pois reduz a qualidade do mosto e conseqüentemente
do produto final (para uvas processadas). Caso a picada de oviposição libere voláteis
que possam atrair outros insetos, este seria mais um fator que justificaria o controle da
praga nos vinhedos.
73
Na cultivar Moscato Embrapa foi observado que as capturas de adultos começa
quando os frutos estão na fase de pré-maturação e, considerando que nesta fase
ocorre seu desenvolvimento larval, seria importante estudos dos aspectos de
viabilidade e desenvolvimento nesta cultivar. Esta uva tem elevada importância devido
ao aumento da produção de vinhos e espumantes, e no que se refere a influência e
associação de patógenos com o desenvolvimento da larva de mosca-das-frutas em
bagas de uva, pode existir produção de fungos que desenvolvam toxinas.
Em consideração com os resultados encontrados neste trabalho, o manejo da
mosca-das-frutas sul americana em videira pode ser direcionado às cultivares viníferas.
A localização do vinhedo deve ser levada em consideração no planejamento de um
programa de manejo integrado de pragas (áreas próximas a hospedeiros devem ser
prioritárias para o monitoramento). O monitoramento deve começar a partir da fase final
de florescimento e, na medida em que aumentarem as capturas, intervir com medidas
de ação. Devido à eficiência do atrativo à base de proteína hidrolisada na captura de
adultos de mosca-das-frutas em videira, recomenda-se seu uso para o monitoramento e
a possibilidade no uso como isca tóxica no manejo das populações oriundas de fora do
vinhedo. Assim, o monitoramento e uso adequado da isca tóxica permitirão a redução
do uso abusivo de inseticidas na cultura, uma vez que, atualmente, a utilização dessa
estratégia de controle é realizada de forma variada (diversos tipos de atrativos) e sem
critério para tomada de decisão.
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