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UNIVERSIDADE DE UBERABA
PROGRAMA DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO
HELIONE DIAS DUARTE FERNANDES
ESPAÇO NÃO-FORMAL DE APRENDIZAGEM:
um estudo do museu como mediador na formação de professores/as
Uberaba – MG
2006
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HELIONE DIAS DUARTE FERNANDES
ESPAÇO NÃO-FORMAL DE APRENDIZAGEM:
um estudo do museu como mediador na formação de professores/as
Dissertação apresentada ao Programa de
Mestrado em Educação da Universidade de
Uberaba, como requisito parcial, para a obtenção
do tulo de Mestre em Educação, sob a
orientão da Professora Doutora Sueli Ferreira.
Uberaba – MG
2006
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Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central da UNIUBE
Fernandes, Helione Dias Duarte
F391e Espaço não-formal de aprendizagem: um estudo do museu
como mediador na formação de professores/as / Helione Dias
Duarte Fernandes. -- 2006
100 f.; 30 cm
Orientadora: Profa. Dra. Sueli Ferreira
Dissertação (mestrado em Educação) -- Universi
dade de
de U
Uberaba, Uberaba, MG, 2006
1. Professores - Formação. 2. Educação não-formal –
Mus
Museus - Aspectos educacionais. I. Título.
CDD: 371.12
HELIONE DIAS DUARTE FERNANDES
ESPAÇO NÃO-FORMAL DE APRENDIZAGEM:
um estudo do museu como mediador na formação de professores/as
Dissertação apresentada ao Programa de
Mestrado em Educação da Universidade de
Uberaba, como requisito parcial, para a obtenção
do tulo de Mestre em Educação, sob a
orientão da Professora Doutora Sueli Ferreira.
Aprovado em __/__/____
BANCA EXAMINADORA:
____________________________________
Profa. Dra. Sueli Ferreira
Universidade de Uberaba (UNIUBE)
____________________________________
Profa. Dra. Silvia Maria C. da Silva
Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
____________________________________
Profa. Dra. Andréa M. Longarezi
Universidade de Uberaba (UNIUBE)
Uberaba – MG
2006
AGRADECIMENTOS
Ao Paulo, pela credibilidade e pelo apoio, que tornaram possível a concretização de
um sonho; e ao Paulo Fernando, pela paciência e pelo companheirismo nos momentos mais
delicados.
A meus pais, pelo incentivo constante e pelo exemplo de vida.
À minha orientadora, Professora Doutora Sueli Ferreira, pela sabedoria
incomparável, pelos ensinamentos e por acreditar no meu propósito.
A Kátia, minha irmã, pela colaboração intensa e pelos momentos de leitura e
releitura dos textos produzidos.
Aos professores e alunos do Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE ), pela
atenção dispensada às nossas entrevistas.
À equipe do Museu dos Dinossauros e do Centro de Pesquisas Paleontológicas
Llewellyn Ivor Price, pela valorização, pela confiança e pelo respeito relativos ao meu
trabalho nos quatro anos de convivência nesses locais.
RESUMO
A formação de professores/as é um processo renovador e contínuo pelo qual conhecimentos e
práticas se efetivam. Nesse sentido, os espaços não-formais de ensino devem ser valorizados
como opção enriquecedora das práticas educativas. Para essa valorização converge esta
pesquisa, cujo objeto de estudo é o museu, defendido como espaço educacional não-formal de
produção do saber e imprescindível à formação do profissional docente. O processo
investigativo se desenvolveu com base no pressuposto de que os estudos sobre o museu não
são contemplados na organização curricular dos cursos de formação inicial e/ou continuada de
professores, evidenciando a lacuna existente nas interações da escola com outras instituições
culturais e educacionais e a premente necessidade de concretização de parcerias que
possibilitem, a todas as instituições constituintes do conhecimento, o desempenho de papéis
formativos no processo de desenvolvimento do sujeito social. Tal pressuposto gerou
questionamentos sobre o espaço do museu como mediador de aprendizagem significativa,
bem como sobre as parcerias entre tal espaço e demais instituições educativas. A investigação
qualitativa realizou-se por meio de observações em atividades desenvolvidas em museu e
entrevistas semi-estruturadas com alunos e professores do Centro de Ensino Superior de
Uberaba (CESUBE). A pesquisa focalizou o Museu dos Dinossauros de Peirópolis
(Uberaba/MG), pela vinculação com o CESUBE e pelas ações educacionais desenvolvidas.
Fundamentada em concepções da psicologia histórico-cultural de Vygotsky, a pesquisa
intentou apontar possíveis caminhos à transformação da realidade que envolve a interação do
espaço pedagógico do museu com a formação do professor/a. As análises evidenciaram o
papel importante do museu como espaço de interação social, mas a lacuna referente ao estudo
dos espaços museológicos nos cursos de formação de professores/as ainda perdura.
Palavras-chave: formação de professores/as; museu; educação não-formal.
ABSTRACT
Teachers’ education is a renewing, continuous process through which knowledge and practice
are accomplished. In this regard, non-formal teaching spaces should be valued as an enriching
option for the educational practices. That is the point of convergence of this research, whose
subject matter is the museum seen as a non-formal educational space for knowledge
production and as vital to the teacher training. The investigative process was based on the
assumption that studies on the museum do not make part of the curricular organization of
initial and continuing teacher’s education courses. Such lack reveals a gap in the interaction
between schools and other cultural, educational institutions, as well as a need for initiatives
that enable every educational institution to perform its role in the development of the social
individual. This assumption has generated discussions on the museum as a mediator of
significant learning and on the partnerships between it and other educational institutions.
Methodological procedures of this qualitative research included observation of activities
carried out in a museum and semistructured interviews with teachers and students from the
higher educational school Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE), in Uberaba
(MG). It focused on the Peirópolis Dinosaurs Museum, in Uberaba, due to its links with
CESUBE and to its educational activities. Based on Vygotsky’s historical, cultural
psychology, this work aimed to unveil possible ways of transforming the reality involving the
interaction between the museum’s pedagogical space and teacher’s education. Although
analyses made evident the museum’s important role as a place of social interaction, teachers’
education still lack studies on the museums space.
Key words: teacher education; museum; non-formal education.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO................................................................................................................ 08
1 HISTÓRIA DOS MUSEUS: VIAGEM AO PASSADO PARA COMPREENSÃO
DO PRESENTE................................................................................................................. 19
1.1 Significados na história.............................................................................................. 19
1.2 Museu dos Dinossauros de Peirópolis: foco de referência...................................... 26
1.3 Fundações e parcerias................................................................................................ 29
2 PROFESSORES/AS EM FORMAÇÃO................................................................... 37
2.1 Aspectos históricos da formação docente no Brasil................................................. 37
2.2 Formação continuada de professores....................................................................... 42
2.3 Educação não-formal................................................................................................. 44
3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO INVESTIGATIVO...................................... 49
4 PROPOSTA DE INTERAÇÃO ENTRE MUSEU E ESCOLA............................53
5 DESDOBRAMENTOS DAS VOZES DE PROFESSORES/AS E ALUNOS/AS.... 55
5.1 Mediação semiótica.................................................................................................... 56
5.2 Zona de desenvolvimento proximal.......................................................................... 59
5.3 Museu como espaço didático..................................................................................... 61
5.4 Formação do/a professor/a no espaço do museu..................................................... 63
5.5 Valorização do espaço museológico.......................................................................... 65
5.6 Foco no Museu dos Dinossauros como espaço sociocultural de aprendizagem.... 66
CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................... 69
REFERÊNCIAS............................................................................................................... 71
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA............................................................................... 75
APÊNDICE A – ENTREVISTAS DOS/AS PROFESSORES/AS 1, 2, 3 e 4 ................... 79
APÊNDICE B – ENTREVISTAS DOS/AS ALUNOS/AS 1, 2, 3 e 4 .............................. 89
APÊNDICE C – INDAGAÇÕES AOS SUJEITOS PROFESSORES/AS ........................ 99
APÊNDICE D – INDAGAÇÕES AOS SUJEITOS ALUNOS/AS ................................... 100
INTRODUÇÃO
A atenção dos profissionais da área educacional, até meados da cada de 1980,
concentrou-se na educão formal, ou seja, numa modalidade educacional desenvolvida
nas escolas e gerida por entidades públicas ou privadas (GOHN, 2001). Movidos pela
insatisfação dos educandos, os professores atuantes nessas escolas colaboraram,
efetivamente, para transformá-las no que se refere a gestão, currículo e organizão,
elaborando novas formas de trabalhos pedagicos e projetos educacionais. Embora
predominasse o pensamento metódico, enraizado nos moldes tradicionalistas, sabe-se que
desde os anos de 1920 havia grupos de educadores buscando espaços alternativos que
contribuíssem para melhorar a qualidade do processo ensino–aprendizagem. Mas só nos
anos de 1990 a ênfase incidiu sobre a educação não-formal, isto é, aprendizagem em
espaços extraclasse, em locais o-formais de ensino onde os educadores pudessem
valorizar os processos de aprendizagem e a importância dos valores culturais, científicos,
pedagógicos, estéticos e lúdicos que articulavam os modos de pensar e agir dos indivíduos
(GOHN, 2001). Assim, surgiu a necessidade de se construir um novo perfil de professor/a,
capaz de elaborar e reelaborar novos saberes e valores — transformando a instituição
escolar num espo de conhecimento prazeroso e explorar novos espos que pudessem
despertar no educando maior interesse, curiosidade e aplicabilidade dos conhecimentos
adquiridos no cotidiano.
Esses novos espaços eram defendidos como possibilidades de construção do
conhecimento; e nessa concepção a relação dialogal entre educadores e educandos era a
ferramenta fundamental para a consolidação dos saberes. As palavras de Argolo sobre as
relações constituídas no processo ensino–aprendizagem podem ser esclarecedoras aqui:
Aprender e ensinar resultam das reflexões que educando e educador
estabelecem entre si sobre o mundo, bem como da interação com seus pares
e interlocutores. Daí a necessidade do diálogo, dos acordos possíveis e dos
conflitos inevitáveis, das contradições férteis e das indagações desafiadoras,
da tensão constante e estimuladora entre certezas e dúvidas, erros e acertos.
Não se trata, portanto, de um caminho assegurado pelo que o educador diz,
pois costuma haver grande distância entre o que se ensina e o que
efetivamente se aprende. Sujeito e objeto de conhecimento transformam-se e
se constituem mutuamente, num caminho singular, próprio de quem
conhece, não de quem ensina. (2005, p. 82–3).
9
O pensamento de Argolo nos leva refletir e dialogar com o pensamento de Gohn
(2001) de que a educação contribui para desenvolver a capacidade de atuação criativa e
inovadora. Se assim o for, então os espaços alternativos de ensino podem colaborar para o
desenvolvimento de tais capacidades, pois aí “a educação do olhar é um exercício, uma
construção na qual a percepção e a sensibilidade estão imbricadas na produção do
conhecimento. Tornar visível o que se olha é uma concepção do sensível” (GANZER, 2005,
p. 85). Eis por que é importante incentivar um novo olhar para esses locais alternativos de
aprendizagem; neles, “estamos desconstruindo e reconstruindo nossos conceitos sempre que
temos a oportunidade de vivenciar, ver e ouvir experiências diferentes das que vivemos
cotidianamente” (LIVRAMENTO, 2005, p. 155).
Como essa autora, reconhecemos que, em educação, é imprescindível almejar novas
formas de aprendizagem para que se possa ir além da transmissão de conteúdos
sistematizados; também reconhecemos como desejável a integração de novas formas aos
projetos curriculares. Em outras palavras, para nós é necessário fomentar a educação o-
formal como parte integrante do planejamento docente, numa tentativa de ultrapassar o limite
das salas de aula e, assim, possibilitar aos educandos um processo formativo mais dinâmico e
enriquecedor, que lhes proporcione novas experiências e quebre a rotina do contexto
tradicional. É essencial que os docentes estabeleçam complementaridade entre o ensino
formal e o não-formal.
Em um mundo globalizado, exige-se continuidade do processo de inovações na
educação, sobretudo nos cursos de formação de professores/as, enfatizando o trabalho
conjunto com outras instituições não específicas de ensino, mas que, igualmente, contribuem
para o aprendizado eficaz. Aqui se inclui o museu: espaço científico, social, cultural e estético
considerado hoje como uma dessas instituições e que se constitui peça fundamental à
formação do educador.
Podemos reconhecer assim que o museu, sendo um espaço social particular e
diferente da escola, possui ritos próprios, com códigos específicos, sendo
considerado então como um espaço com uma cultura particular. Nele, a
cultura científica em especial irá se manifestar, fazendo parte, neste contexto,
desta cultura mais ampla, a cultura museal. (MARANDINO, 2000, p. 204).
Nessa ótica, devemos destacar que o museu constitui, também, uma ferramenta
pedagógica indispensável ao processo de aprendizagem porque pode proporcionar aos
visitantes momentos de sintonia com as ciências e a arte, o passado e o cotidiano, numa
10
tentativa de atender aos anseios não das escolas, mas também da sociedade. É o que se
depreende da definição de museu apresentada pelo International Council of Museum
(ICOM):
1
Museu é toda instituição de caráter permanente, sem fins lucrativos, a
serviço da sociedade e seu desenvolvimento, aberta ao público e que efetue
investigações sobre os testemunhos materiais do homem e do meio
ambiente, os quais são adquiridos, coletados, conservados, preservados,
comunicados e expostos para fins de pesquisa, educação e laser. (VEGA,
1999, s. p.).
A definição do ICOM para museu pode ser complementada pelo que dizem
Schwanke e Silva:
os museus devem atender às demandas sociais e educacionais, utilizando sua
estrutura e seus acervos para a promoção de cursos, palestras e exposições
que disponibilizem ao público informações científicas de grande relevância
no contexto social. (2004, p. 125).
Nesse sentido, todo espaço que se quer educativo pode provocar a curiosidade pela
história e pela ciência e o respeito pela cultura e a arte, democratizando o acesso ao saber
como nos alerta Cox: “onde agrupamentos humanos, encontros. Onde encontros,
interação, com ou sem palavras. Onde interação, aprendizagem. Interagir e aprender
são, pois, ações inalienáveis” (2004, p. 137). Assim, como espaço educativo, o museu exige
uma organização que possibilite receber o cidadão e o respeite como ser social livre para
pensar, buscar alternativas prazerosas, explicitar interesses e curiosidades, revelar dúvidas e
descobrir o mundo científico. Segundo Leite,
Os sujeitos, em suas interações diversas, circulam em variados espaços
culturais e experienciam, também, diferentes formas de produção cultural. É
no diálogo com o outro e com a cultura que cada um é constituído,
desconstruído, reconstruído, cotidianamente. O acesso aos bens culturais é
meio de sensibilização pessoal que possibilita, ao sujeito, apropriar-se de
múltiplas linguagens, tornando-o mais aberto para a relação com o outro,
favorecendo a percepção de identidade e alteridade. (2005, p. 23).
Falar em interação pressupõe falar na importância do outro na constituição cultural
do homem. À medida que as ações vivenciadas pelo indivíduo ganham significados, sua
bagagem cultural se amplia. Assim, tudo que ele internalizar nas relações sociais e adquirir
significação para ele o tornará cada vez mais um ser cultural. O processo de internalização é
1
Órgão internacional que rege, com seus estatutos, os museus do mundo.
11
definido por Vygotsky como “a reconstrução interna de uma operação externa” (2003, p. 74).
Ainda segundo esse autor, tal processo passa por transformações nas quais uma operação
externa é reconstruída e começa a ocorrer internamente e um processo interpessoal é
transformado em intrapessoal. Essa re-construção nos remete ao processo de mediação, isto é,
“[...] intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação deixa, então, de ser
direta e passa a ser mediada por esse elemento” (OLI V EIRA, 1997, p. 26). Analisando tal
processo, Duarte se remete a Vygotsky ao afirmar que “o único bom ensino é aquele que
transmite ao aluno aquilo que o aluno não pode descobrir por si só” (2001, p. 94). Nesse
sentido, a aprendizagem concretizada nas interações sociais envolve as ações do sujeito, as
estratégias e conhecimentos por ele já dominados, as ações, estratégias e conhecimentos do(s)
outro(s) e as condições sociais reais de produção da(s) interação(ões)” (FONTANA, 2005, p.
12). Considerando tais pontos de vista, podemos afirmar que o homem, ao entrar em um
museu, percebe várias coisas que têm um significado social; logo, pode sentir sua história.
Porém, essas coisas terão significado quando houver diálogo com elas o que pode
acontecer de diversas maneiras, seja ouvindo, pensando, sentindo, manipulando ou
relacionando.
Segundo Ferreira, “as experiências culturais vivenciadas pelo aluno fundamentam o
processo de significação às coisas do mundo, permitindo a reconstrução interna (intrapessoal)
de uma operação externa (interpessoal)” (2004, p. 51). No entanto, tal reconstrução depende
de múltiplos fatores dentre os quais, o interesse do sujeito. O interesse é despertado pela
mediação das informações que acompanham as coisas, pela forma de apresentação ou pela
mediação do outro. “Desse modo, o processo mediacional o nega a agência individual ou
coletiva nem a restrição social, cultural, histórica.” (DANIELS, 2003, p. 23). As pessoas,
assim como os objetos, podem atuar como artefatos mediadores.
A análise do papel pedagógico do museu de sua relação com a educação e sua
inserção nos cursos de formação de professores/as associa-se com os conceitos de
desconstrução, reconstrução, internalização, mediação e interação social, como veremos neste
trabalho. Logo, estudar espaços sociais alternativos como o museu, onde o conhecimento é
construído por meio da vivência, do relacionamento interpessoal e da necessidade de
encontrar novas situações a serem pesquisadas, torna-se imprescindível nos cursos de
formação de professores/as; isso porque as ações desenvolvidas nesses espaços poderão servir
de suporte didático à atuação docente, considerando-se que é preciso proporcionar aos
12
educadores momentos que viabilizem uma formação transformadora da realidade. No dizer de
Argolo:
Como educadores, cabe-nos criar espaços [...] para que atitudes sejam
exercitadas, conhecimentos sejam produzidos e aprendidos e novas
perguntas sejam estimuladas e acolhidas. Partindo daquilo que os educandos
produzem e são, sabem e sentem, cabe-nos promover o exercício do
pensamento aliado ao sentimento na construção de novos saberes, no
respeito e na valorização das diferenças. (2005, p. 83).
Acreditamos que o museu proporciona tais momentos ao suscitar o imaginário e a
criatividade dos sujeitos. Informações, sentimentos, descobertas, textos, imagens, diferentes
significados, novas buscas e novo olhar compõem o cenário museológico que instiga e
transforma, pois, “quando somos tocados pela arte, vibra a nossa condição humana, tantas
vezes esquecida...” (OSTETTO, 2005, p. 151). É necessário que os professores ampliem, cada
vez mais, as possibilidades de aprendizagem de seus alunos, que, vendo e provando situações
novas e diferentes, poderão se apropriar de outras maneiras de ver o mundo e agir sobre ele.
Com isso, leva-se em conta a idéia de que “não podemos imaginar outras formas de trocar
conhecimentos se não vivenciamos outras formas de aprender” (LIVRAMENTO, 2005, p.
156). Esse é um dos argumentos relevantes aqui defendidos em prol da interação do museu
com a escola e a sociedade interação que se faz necessária para garantir que a produção
humana concretizada alicerce novas produções significativas da sociedade. Defendemos
essa interação porque o trabalho conjunto pode alcançar uma educação
[...] comprometida com o homem e a sociedade da qual faz parte, a partir de
uma escola e um museu que não sejam sacralizadores de valores herdados
sobretudo do passado e de valores capazes de manter um certo sistema de
direitos e deveres, mas uma escola e um museu que sejam um fórum, um
espaço de encontro, um espaço de debate um espaço em que as coisas se
produzem e não apenas o produzido é comunicado. (SAN TO S, 1997
apud LEITE, 2005, p. 37).
As afirmações dessa autora nos fazem pensar que a interação entre museu, escola e
sociedade é necessária para aproximar o homem de sua própria história e cultura mediante
atividades e experiências educativas desenvolvidas em contextos não-formais de ensino. E,
nesse processo de aproximação, acreditamos que os espaços dos museus deveriam ser
verdadeiros abrigos de intensas atividades culturais, artísticas, educativas, científicas e lúdicas
para despertar maiores interesses pelo mundo científico-cultural. Os homens criam, recriam,
13
constroem e reconstroem porque o seres de natureza social, provêm da vida em sociedade,
no seio da cultura.
Pela sua atividade, os homens o fazem seo adaptar-se à natureza. Eles
modificam-na em função do desenvolvimento das suas necessidades. Criam os
objetos que devem satisfazer as suas necessidades e igualmente os meios de
prodão desses objetos, dos instrumentos às máquinas mais complexas. Constroem
habitações, produzem as suas roupas e outros bens materiais. Os progressos
realizados na prodão de bens materiais são acompanhados pelo desenvolvimento
da cultura dos homens; o seu conhecimento do mundo circundante e deles mesmos
enriquece-se, desenvolvem-se a ciência e a arte. (LEONTIEV, 1978, p. 265).
O pensamento desse autor nos remete às experiências vividas em uma dessas
instâncias educativas: o Museu dos Dinossauros em Peirópolis (Uberaba/MG), que elegemos
como foco de referência neste trabalho. O vínculo desse museu com o Centro de Ensino
Superior de Uberaba (CESUBE) consolidou-se em janeiro de 2001, através da lei municipal 7.
817, que transferiu o Museu dos Dinossauros e o Centro de Pesquisas Paleontológicas
Llewellyn Ivor Price, da Fundação Cultural de Uberaba, para a Fundação Municipal de
Ensino Superior de Uberaba (FUMESU) mantenedora da Faculdade de Educação de
Uberaba/FEU (atual CESUBE). Essa consolidação criou condições para se realizar, no espaço
cultural e científico museal, ações contributivas para a formação de alunos/as e professores/as,
incentivando a atuação dos sujeitos de forma crítica, reflexiva, ativa e ética. Mediante
atividades práticas e interativas, o Museu dos Dinossauros possibilitou o desenvolvimento
pessoal e profissional, além da construção de novos saberes. Nesse processo, ressalta-se o
papel dos educadores na constituição do museu “como lugar de referência de uma educação
crítica e emancipatória, tão importante, urgente e necessária como a melhor educação escolar
(AFONSO, 2001, p. 356). Mais adiante, abordaremos esse aspecto educativo do museu.
Tendo em vista os aspectos do desenvolvimento humano, o Museu dos
Dinossauros se organiza como lugar onde se aprende ouvindo, lendo, experimentando,
manipulando e dialogando. Assim, o espo museológico possibilita a conquista de novos
saberes e garante a superão da dicotomia entre teoria e prática ao programar eventos
científicos e culturais que oportunizam atuões diferenciadas, tais como oficinas
pedagógicas estimuladoras do processo de investigação e construção de conhecimentos;
seminários de integrão com momentos privilegiados da relação interdisciplinar dos
conteúdos; socialização de projetos de pesquisa que possam fomentar a discuso, o
debate e o pensamento crítico; aulas de campo; programas de formão para
14
professores/as que promovem o intercâmbio com diversos saberes, bem como outros
eventos desencadeadores do desenvolvimento humano. Com essas atividades, o Museu
dos Dinossauros amplia as possibilidades de medião e a participação do indivíduo nas
práticas sociais, pois elas promovem o desenvolvimento de relões significativas. No
dizer de Smolka,nessas pticas, o sujeito ele pprio um signo, interpretado e
interpretante em relação ao outro não existe antes ou independente do outro, do signo,
mas se faz, se constitui nas relões significativas” (2000, p. 37).
Através de atividades práticas e da interão com o outro, o indivíduo, ao longo da sua
vida, apropria-se da linguagem e internaliza valores e significados, e isso faz avaar o processo de
constituão do conhecimento. Segundo Palangana, “o processo de apropriação do conhecimento
se dá, portanto, no decurso do desenvolvimento de relações reais, efetivas, do sujeito com o
mundo” (2001, p. 131). Nessa ótica, as atividades interativas que o Museu dos Dinossauros
proporciona palestras, deos educativos, painéis explicativos, cenários de reconstruções
hisricas, exposão de sseis, oficinas lúdicas e outras levam o indivíduo a estabelecer uma
relão social com o Outro, mediada por signos e instrumentos, na qual ele tem condições para se
desenvolver e se constituir. Isso porque, na interação diagica com o Outro, buscamos novas
possibilidades de efetivar práticas sociais. Consideremos a reflexão de Ferreira sobre isso:
As múltiplas vozes que acompanham o processo das interações sociais podem
ser consideradas instrumentos constituintes das subjetividades e dos modos
próprios de ler a vida. À medida que interagimos com o “outro”, constituímos
nossas singularidades, tendo na pluralidade o princípio básico dessa relação
interpessoal. Isto posto, é de se ressaltar que todas as vozes que nos
compõem, somadas às vozes que compõe o “outro”, constroem a polifonia
que compõe a intersubjetividade. Ao tomarmos consciência da existência do
“outro” e das coisas, estabelecemos relações dialógicas, pois tudo passa a
existir não mais em si e para si, mas também para nós. (2004, p. 51).
Com base nessa concepção e em experiências vividas no museu, podemos afirmar que o
espaço museológico proporciona a tomada de consciência do Outro e da polifonia de vozes
que nos constitui.
A contribuição pedagógico-científica do museu para os alunos foi um dos fatores que
testemunhamos na docência da disciplina Prática Profissional do curso de Pedagogia do
CESUBE e na co-participação em trabalhos desenvolvidos por discentes dos cursos de
licenciatura sobretudo o de Ciências Biológicas no Museu dos Dinossauros,
coordenando as atividades pedagógicas nele desenvolvidas. Orientadas por uma equipe
multiprofissional, tais atividades possibilitaram transformar a instituição em local educativo,
15
social e cultural capaz de conciliar conhecimento científico e prática educativa como
ferramentas primordiais à construção de um novo cidadão.
No dizer de Palangana, “o conhecimento científico envolve ‘teoria e prática’;
envolve uma compreensão do mundo que implica uma prática e uma prática que depende
deste conhecimento” (2001, p. 113). Ao vincular teoria e prática, o Museu dos Dinossauros
espaço sociopedagógico-científico pretendeu mediar a construção da cidadania,
acreditando nos resultados das atividades práticas e nas relações sociais para o
desenvolvimento humano. Falar em museu com esse perfil nos reporta ao pensamento de
Palangana:
São os homens, em sua atividade concreta, o ponto de partida para a
construção do conhecimento. A ciência real, a formação de conceitos, a
aprendizagem, o desenvolvimento da personalidade começam na vida real,
na atividade prática. Portanto, a verdadeira atividade a “práxis é
teórico-prática e, neste sentido, é relacional, é crítica, é educativa, é
transformadora, pois é teórica sem ser mera contemplação uma vez que é
teoria que guia a ação — e é prática sem ser mera aplicação da teoria — uma
vez que a prática é a própria ação guiada e mediada pela teoria; teoria
entendida aqui como uma aquisição histórica, construída e produzida na
interação que se estabelece entre os homens e o mundo. (FRAN CO, 1989, p.
14 apud PALANGANA , 2001, p. 113).
Tendo em vista essa concepção, acreditamos que o museu contribui para a constituição da práxis
educativa ao oferecer oportunidades de exploração do saber, mediado pela teoria, em cenário
propício a suscitar o interesse e a curiosidade, imprescindíveis à constituição do conhecimento.
O Museu dos Dinossauros é espaço propício para que o professor possa desenvolver
os conhecimentos pedagógicos necessários ao exercício competente da docência e construir
atitudes científicas, reflexivas e críticas, bem como criar momentos de interação com saberes
distintos. Em outras palavras, é o espaço aberto à incrementação das estratégias didáticas, que
também formam o professor.
Como instituição difusora de conhecimentos na área da paleontologia, o Museu dos
Dinossauros é local de atividade cultural e científica que possibilita a observação e
investigação para a descoberta de fósseis inéditos no mundo. Sua localização, próxima aos
locais de escavação, proporciona o acesso a todas as etapas da pesquisa científica e facilita a
compreensão da evolução da vida animal. Dadas as possibilidades desse Museu, o Projeto
Pedagógico do curso de Ciências Biológicas do CESUBE (licenciatura plena) evidenciou a
necessidade de preparar o futuro professor de forma articulada com as várias atividades
acadêmicas oferecidas pelo Museu dos Dinossauros. Para atendê-los como parceiro
16
educacional, o Museu promoveu momentos de socialização de conhecimentos e experiências
que ampliaram a compreensão dos alunos quanto a seu espaço formativo. Tais experiências,
das quais participamos, contribuíram para fortalecer nossa crença na importância de se
repensar os cursos de formação de professores/as a fim de que o processo ensino–
aprendizagem possa ocorrer em clima de satisfação e valorização dos locais informais de
ensino — os quais, para nós, representam opção significativa às práticas educacionais.
Embora o Museu dos Dinossauros integre o cenário educacional dos alunos dos
cursos de licenciatura do CESUBE, a temática do museu ainda não foi incorporada às
organizações curriculares do ensino superior do país. Assim, valorizando o museu como
espaço verdadeiramente educativo, questionamos: como o museu pode contribuir com a
formação de professores/as? Quais o as possibilidades de o museu atuar como mediador do
conhecimento? Tais questionamentos nos impulsionaram a realizar esta pesquisa. Para tanto,
partimos do pressuposto de que os estudos sobre o museu como espaço não-formal de
produção do saber o compõem a organização curricular dos cursos de formação inicial e
continuada de professores/as. Essa ausência evidencia uma lacuna nas interações da escola
com outras instituições culturais e educacionais e a premente necessidade de concretizar
parcerias que possibilitem a todas as instituições constituintes do conhecimento
desempenharem papéis formativos no processo de desenvolvimento do sujeito social.
Fundamentada na perspectiva de concepções histórico-culturais do desenvolvimento
humano, esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa que, segundo Bodgan e Biklen,
[...] requer que os investigadores desenvolvam empatia para com as pessoas
que fazem parte do estudo e que façam esforços concentrados para
compreender vários pontos de vista. O objetivo não é o juízo de valor, mas,
antes, o de compreender o mundo dos sujeitos e determinar como e com que
critério eles o julgam. (1994, p. 287).
Ainda nessa perspectiva teórica, abordamos a formação docente tendo em vista o
professor como pesquisador da própria prática (ARCE, 2001 apud FACCI, 2004). Essa autora
enfatiza uma preocupação relativa à formação do professor. Afirma que ela necessita ser
fundamentada em aspectos filosóficos, sociais, históricos e didático-metodológicos. Segundo
ela, é preciso
formar um profissional capaz de teorizar sobre as relações entre educação e
sociedade e, sim, como parte dessa análise teórica, refletir sobre a sua
prática, propor mudanças significativas na educação e contribuir para que os
alunos tenham acesso à cultura resultante do processo de acumulação sócio-
17
histórica pelo qual a humanidade tem passado. (2001 apud FACCI, 2004,
p. 72-73).
Nessa visão, professores/as têm a oportunidade de pesquisar e compreender a
realidade de seu meio de trabalho, os valores que o cercam e como estes interferem em suas
posições pessoais e profissionais. Pensamos que o conceito e as propostas da pesquisa
qualitativa ajudam o professor a analisar suas práticas pedagógicas, incentivando-o a ter um
novo olhar diante do universo educativo em que ele convive e trabalha, de forma que a
reflexão se torne um instrumento de desenvolvimento do pensamento na ação” (FACCI, 2004,
p. 47).
Como procedimentos metodológicos, o trabalho investigativo incluiu entrevistas
semi-estruturadas, tendo como sujeitos oito professores/as e oito alunos/as do curso de
Ciências Biológicas do CESUBE. Tais entrevistas remeteram a estas questões: como é
considerado o museu no espaço escolar? programas especiais oferecidos pelos museus em
parceria com as escolas para cursos de formação de professores/as? O museu é percebido pelo
aluno como local de aprendizagens significativas? Que tipo de interação com o conhecimento
o museu promove? Como têm sido estabelecidas as parcerias das instituições escolares com o
museu? Qual tem sido a função do trabalho de monitoria no museu? As visitas aos museus
são planejadas por professores/as e alunos/as? Com que intenção?
Com base em tais questionamentos, esta pesquisa intenta mostrar a importância do
papel pedagógico do museu à formação de professores/as, tomando-o como espaço que
oferece oportunidades de leitura do mundo, pela construção e reconstrução de conhecimentos.
O foco de referência, como mencionado, é o Museu dos Dinossauros de Peirópolis, cenário
de nossas experiências profissionais.
A pesquisa será apresentada em cinco partes. A primeira contém uma breve
história dos museus sobretudo do Museu dos Dinossauros e de Peipolis seus
valores culturais e a imporncia do Museu para a educão; tamm enfoca as ações
pedagicas por ele desenvolvidas, a importância das fundões como instituições
mantenedoras e as parcerias entre setores blicos e privados para implantar e executar
projetos. A segunda parte relata os aspectos históricos da formão docente no Brasil, a
importância da formão continuada de professores/as e a relevância de espaços não-
formais de ensino nos cursos de formação docente. A terceira traz a organização do
trabalho investigativo. A quarta apresenta a proposta de interão entre museu e escola.
18
A quinta enfoca a alise das vozes de professores/as e alunos/as sujeitos da pesquisa.
Por último, as considerões finais.
19
1 HISTÓRIA DOS MUSEUS: VIAGEM AO PASSADO PARA COMPREENSÃO
DO PRESENTE
1.1 Significados na história
O significado da palavra museu evoluiu ao longo da história do homem e, hoje,
podemos encontrar, dentre os vários sentidos, o de instituição dedicada a buscar, conservar,
estudar e expor objetos de interesse duradouro ou de valor artístico, histórico” (HOUAISS,
2001, p. 1.986). Devemos acrescentar que os museus são, também, instituições sociais
comprometidas com a busca, a conservação e o estudo da cultura; portanto, instituições
comprometidas com a educação e a sociedade. Façamos um breve histórico da trajetória do
espaço museológico e suas respectivas funções para entender melhor o que significa o museu.
No século XVII, eram comuns nos museus exposições de pinturas, esculturas e outros
objetos de arte. Com freqüência, eram feitas em salões ou mesmo em amplos espaços
existentes nos palácios; e as pessoas que ali iam eram membros da classe dominante, o que
fazia dos museus locais elitizados, por serem freqüentados apenas por intelectuais. Por isso
foram criados os jardins reais, os famosos chambres de merveilles e as galerias que serviam
de palco à exposição de objetos artísticos (PENHA, 1994).
A partir do século XVIII, outros interesses se fizeram presentes. Iniciou-se um
estudo destacável sobre a possibilidade de constrão de museus com características
diferenciadas, ou seja, museus teticos ou de áreas afins que pudessem contribuir para o
progresso de novos conhecimentos pela organização de suas coleções. Sabe-se que esse
prosito não foi alcançado o facilmente, pois ainda permanecia arraigado o reflexo
elitista daquela época. Segundo Cazelli et al., “os museus dessa época tinham como
caractestica marcante uma ligação estreita com a academia: a educação voltada para o
blico não era sua principal meta, mas sim contribuir para o crescimento do
conhecimento cienfico por meio da pesquisa (2002, p. 212). Com esse perfil, foram
criados o Ashmolean Museum, em Oxford, Inglaterra, em 1683, a partir da doação da
coleção de John Tradescant à Universidade de Oxford; o Museu Nacional de História
Natural da França, em 1640, e, em 1753, o Museu Britânico, de cater público e onde era
permitida a visitação apenas a pessoas credenciadas (PENHA, 1994).
20
Com a evolução do conhecimento científico e cultural dos povos e a conscientização
da necessidade de uma democracia no âmbito da sociedade, surge, em 1793, o Museu do
Louvre, na França. Verdadeiramente público, esse museu objetivava oferecer acervos
culturais e lúdicos não a pessoas com dotes artísticos, mas também ao público em geral.
Nesse ínterim, intensificaram-se
[...] as relações museu–público (fazendo a população sentir-se no direito e no
dever de participar livre e voluntariamente das exposições); tentaram romper
com a estrutura tradicional de museu (utilizando técnicas que viabilizassem a
consciência da população sobre seus problemas cotidianos e possíveis
alternativas a eles); projetaram o museu sobre seu contexto social imediato
(apontando a necessidade de engajamento da população, transformando-a em
guardiã de seu patrimônio); e enfatizaram a dimensão pedagógica dessas
instituições. (LEITE, 2005, p. 27).
Segundo a revista História Viva,
2
em artigo sobre histórico dos museus, no século
XIX foram construídos os maiores e mais importantes museus do mundo, dentre estes: o
museu do Prado, na Espanha; o Mauretshuis, na Holanda; e o de Versalhes, na França. Dada a
necessidade de se mostrarem nos museus outros temas de interesse para a sociedade e
coerentes com os anseios e a curiosidade daqueles que os procuravam, surgem, em 1807, os
museus de folclore na Noruega, Dinamarca e Finlândia e os de história natural e arte
moderna nos Estados Unidos (EUA). No século XX, seriam criados outros museus, agora
vinculados a instituições de ensino e outras organizações sociais; aqui se incluem o da Paz, na
Holanda; o da Revolução, na Rússia, e o do Fascismo, na Itália.
Sobre a elitização ou não dos museus, Leite ressalta:
[...] o desafio é, então, permanente: os museus têm que ser viáveis
economicamente, prosseguir com suas pesquisas e encontrar formas de
relacionamento com a população de maneira a trazê-la para junto de si,
atender a suas expectativas, respeitar seus pontos de vista, seus
conhecimentos anteriores; perceber o público não como um bloco
homogêneo, mas como pessoas singulares de diferentes grupos sociais,
étnicos, religiosos, civis, etários etc. (2005, p. 37).
Em outras palavras, a função do museu assumiu nova dimensão na evolução histórica;
observou-se forte preocupação em redefinir esse local de visitação pública para atender aos
anseios e interesses da sociedade e das instituições de ensino, respeitando as singularidades
humanas. É de se considerar que o museu, ao longo dos séculos, vem se democratizando e
2
Disponível em: www2.com.br/historiaviva/estática/museus_brasileiros.html.
21
assumindo uma dimensão de caráter público, o que significa uma abertura progressiva de
visitações em suas exposições (MARANDINO, 2000).
No contexto brasileiro, devemos lembrar que, em 1818, dom João VI fundou o
primeiro museu nacional: o Museu Real, que depois passaria a ser chamado de Museu
Imperial Nacional; em 1889, com a Proclamação da República, ele receberia outro nome:
Museu Nacional. De 1846 a 1895 houve uma revolução cultural e museológica no país:
foram criados mais de dez museus. Nesse período, quando as coleções serviam de
sustentáculo para que os museus se estabelecessem, foi criado, em 1866, o Museu Paraense
Emílio Goeldi, no Pará representando um espaço rico em coleções científicas e
reconhecido nacional e internacionalmente, como nos relata Penha (1994). Na ocasião, era
imprescindível que todos os municípios contribuíssem com exemplares, vivos ou não, para
enriquecê-lo cada vez mais. Após cem anos de existência, o museu Goeldi cria um
departamento de museologia para estabelecer um vínculo permanente com a comunidade
(PENHA, 1994).
Em 1895, foi inaugurado, em São Paulo, o Museu Paulista, cuja edificação,
finalizada no século XIX, foi planejada para sediar um Monumento à Independência, erguido
onde se deu “Grito do Ipiranga” para homenagear o fato histórico associado com a
independência do país. Esse local serviria só à realização de solenidades oficiais e à exposição
de fotos de heróis responsáveis pela fundação da Nação.
Entretanto,
[...] em razão da oposição política e parlamentar criada em torno da
construção do edifício, as obras se prolongaram e com a proclamação da
República, em 1889, o prédio recebeu destino diferente daquele para o qual
foi previsto. Ao invés de ser um local reservado apenas para cerimônias
cívicas e para a exposição do painel de Pedro Américo e de retrato de heróis
fundadores da nação como queriam Tommaso Gondenzio Bezzi, o
engenheiro-arquiteto responsável pela construção, e os setores que apoiavam
a iniciativa —, o Monumento foi apropriado por republicanos jacobinos que
o transformaram na sede de um museu público, o Museu Paulista,
inicialmente voltado para a produção de conhecimentos no campo da história
natural, inaugurado oficialmente no dia 7 de setembro de 1895.
(OLIVE IRA; PEIXOTO, 2005, p. 1).
Nessa perspectiva, esse museu passa a ser público: lugar de visitação diferenciada que
possibilitaria o intercâmbio entre comunidade acadêmica e comunidade social.
Devemos registrar que, desde a criação da Universidade de São Paulo (USP), em
1934, “o Museu Paulista foi considerado um instituto de pesquisa e ensino que
22
complementava aquela instituição” (OLIVEIRA; PEIXOTO, 2005, p. 2); e só em 1963 seria
incorporado, administrativa e academicamente, à USP. Hoje o Museu Paulista busca, com seu
acervo, desenvolver a consciência crítica, criativa e científica dos visitantes, assim como
difundir a história brasileira na íntegra.
Também merece destaque, pelos vínculos notórios com a educação, o Museu de Arte
Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, inaugurado em 1949. Seu acervo foi composto por várias
coleções particulares de admiradores da arte moderna. Ao museu moderno, como era chamado,
cabia educar a população: levar o indivíduo a aprender a apreciar e admirar a arte. Marcado por
essa intenção, esse novo espaço oferecia mostras artísticas, palestras, filmes e debates.
Em 1957, é criado o Museu do Instituto Butantã, em São Paulo, considerado como
um dos maiores do país. Em 1984, suas edificações foram reformadas e equipadas, tornando-
o um centro científico de referência nacional (MARANDINO, 2000).
Ainda em 1957, surge, em Belo Horizonte (MG), o Museu de Arte da Pampulha. Em
seu acervo museológico, estão expostos pinturas, esculturas, gravuras e objetos diversos. Esse
museu busca difundir a história e a importância da arte por meio de exibição de filmes, vídeos
didáticos, teatro, músicas e danças. Em 1959, cria-se, em Salvador (BA), o Museu de Arte
Sacra, onde estão expostos esculturas, altares, oratórios e sacrários, pinturas, mobiliários,
ouriversaria e têxteis. Por meio de cursos e seminários, mantém uma relação direta com a
comunidade, desenvolvendo projetos educativos. Tem como objetivo difundir a preciosidade
da arte sacra brasileira.
O Museu da República surge em 1960, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Sua
mostra explora a história do Brasil através de mobiliários, pinturas, esculturas, louças e
pratarias. Para divulgar a história brasileira, esse espaço oferece, também, laboratório de
informática para crianças, cursos de filosofia, brinquedoteca, exposições, publicações, teatro e
cinema.
Em 1963, inaugura-se o Museu de Arte Contemporânea (MAC), em São Paulo.
Especializado em ciências naturais e ciências da terra, inaugura-se, em 1968, em Belo
Horizonte, o Museu de História Natural e Jardim Botânico da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), cuja coleção é rica em artefatos arqueológicos e materiais paleontológicos,
geológicos e zoológicos.
Na década de 1970, novos museus surgiram no Brasil. Destacando-se pela
originalidade, o Museu Aeroespacial foi inaugurado em 1973, no Rio de Janeiro, com várias
aeronaves, motores, foguetes e hélices em sua exposição. Sua mostra ressalta a história da
23
aviação no Brasil. Também em 1973, surge o Museu de Arte Sacra de Parati (RJ). De
natureza pública, seu acervo contava com quase 700 peças de prata, divulgando a arte sacra
para seus visitantes (GUIA DE MUSEUS BRASILEIROS, 1997).
Os anos de 1980 foram marcados pela criação dos museus de ciências do país.
(MARANDINO, 2000). Segundo Gaspar (1993 apud MARANDINO, 2000), dentre os vários
museus criados nessa década, destaca-se o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST),
inaugurado em 1982, no Rio de Janeiro; a Estação Ciência, inaugurado em 1987, em São
Paulo (inicialmente ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia e, mais tarde, absorvida pela
USP); o Museu Dinâmico de Campinas, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); o
Espaço Ciência Viva, em 1987, no Rio de Janeiro, dentre outros.
Em 1991, cria-se o Museu Botânico no Rio de Janeiro, para valorizar o meio
ambiente. Em 1996, inaugura-se o Museu Contemporâneo das Inveões (ALMEIDA,
1997). Em 1999, inaugura-se o Museu da Vida, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ),
no Rio de Janeiro. Nesse museu, as visitas são mediadas por monitores e são
desenvolvidas atividades educativas com o público, em especial com alunos visitantes
(MARANDINO, 2000).
Como podemos perceber, o papel do museu, do surgimento aos dias atuais, teve
mudanças relevantes de significado e ação: de mero depósito de coleções e sem o
desenvolvimento de atividades educativas, passou a ser um espaço de educação e produção de
conhecimento onde se desenvolvem eventos participativos como oficinas, palestras e outros
de caráter científico-cultural. Nesse sentido, passou a ser um local alternativo de
aprendizagem onde a relação entre educador e educando se efetiva mediante práticas
pedagógicas representativas de ações essenciais à formação pessoal e profissional do
indivíduo. Tomadas como processo, essas ações podem ser caracterizadas como comunicação,
pois, como nos aponta Santos,
[...] é buscando as interfaces das ações de pesquisa, preservação e
comunicação que conseguimos nos distanciar da compartimentalização das
disciplinas. A interação com os nossos pares e com os demais sujeitos
sociais envolvidos nos diversos projetos, nos quais estejamos atuando,
tornará possível estabelecer metas e objetivos que o se esgotam na
aplicação da técnica, isolada, descontextualizada, evitando, assim, a
dissociação entre os meios e o fim. Portanto, considero que o processo
museológico é um processo educativo e de comunicação, capaz de contribuir
para que o cidadão passe a ver a realidade e expressar essa realidade,
transformando-a. (2002, p. 3).
24
As ações de comunicação concretizadas no museu possibilitam ao homem decifrar o
mundo e agir sobre ele. Assim, é oportuno dialogarmos aqui com Vygotsky, para quem
“qualquer signo, quanto a sua origem real, é um meio de comunicação; e podemos até dizer,
além disso, que é um meio de comunicação de funções mentais específicas de natureza social”
(1982/1984 apud DAVYDOV; ZINCHENKO, 1994, p. 1634). Nessa perspectiva, os
museus necessitam desenvolver ações viabilizadoras da formação do sujeito em várias
dimensões e, assim, consolidar-se como articulador fundamental à construção de
conhecimentos e constituição histórico-social do homem (ALMEIDA et al., 2002). Esse
pressuposto nos permite fazer uma abordagem semiótica que proporciona uma nova visão do
museu:
[...] não como instituição, como uma estrutura formalizada, mas como
um meio, um instrumento, um sistema de comunicação, com uma
estrutura dinâmica, cibernética, que tenha uma parte ativa no processo
cultural; uma estrutura flexível e mutante como a da Linguagem, que se
apóia em um novo conceito do objeto museal”. Sob essa ótica do
sentido, os objetos inseridos no contexto museogico desempenham
uma fuão significativa, como signos da Linguagem museal”: sua
materialidade original e concreta serve como suporte de sentidos e
remete-nos a outros objetos, ausentes do nosso campo de vio mas
presentes em nosso universo mental, como unidades culturais, como
palavras de um texto cultural, expresso e refletido no texto “museal”.
(HORTA, 1994, p. 10).
Nesse sentido, os museus, antes vistos como instituições elitizadas, afirmam-se hoje como
espaços sociais de intensa atividade científica, cultural e educativa, preocupados com a
formação de um “sujeito ético, autônomo, solidário, crítico e transformador” (SANTOS,
2002, p. 6).
Nas últimas décadas, constituíram-se os museus de ciência e tecnologia, numa
abordagem que pressupõe a participação ativa de quem os visita, que manteve o público mais
interessado, consciente e o distanciou da inércia relativa a exposições do século XVIII. Essa
proposta otimista favoreceu o desenvolvimento crítico, criativo e científico do indivíduo,
destacando-se a presença de guias ou monitores: elementos mediadores na constituição de
conhecimentos com base na leitura e análise prévia dos objetos expostos. Além de
proporcionar novas experiências aos visitantes, os museus e os centros interativos de ciência
podem colaborar para a formação de um sujeito solidário e ético ao promover o intercâmbio
não entre a ciência e a tecnologia; também entre o homem, a cultura e a sociedade. Como
diz Ganzer:
25
A visita ao Museu provoca o gosto pela descoberta das impressões
sensoriais, a curiosidade e o prazer. A proximidade com as obras originais
proporciona melhor visibilidade às cores, formas e técnicas utilizadas,
interferindo também na relação do espectador com as dimensões das
pinturas, dos desenhos ou fotografias e, no caso das obras tridimensionais,
com o volume e seu entorno. O prédio do museu, como patrimônio cultural,
suscita expectativas e estabelece relações com o imaginário de cada
visitante. As imagens cotidianas observadas no trajeto são, também,
elementos importantes para a constituição de um novo olhar. (2005, p. 86).
Nesses termos, mesmo com ritos próprios, o museu tem um compromisso com a
educação e a sociedade, qual seja, oportunizar ao visitante a constituição de um novo olhar.
Eis por que a realização de ações multidisciplinares em seu espaço social pode promover a
proximidade entre o ensino formal e o não-formal. Embora tenham identidades semelhantes,
porém específicas, nota-se que entre a escola e o museu uma relação de familiaridade,
traduzida na troca e na parceria: como não basta oferecer aos alunos apenas conteúdos
curriculares desenvolvidos em sala de aula, a escola tem procurado o museu como subsídio
para suas atividades educacionais. Nessa relação, o conhecimento é enriquecido com ões
interdisciplinares que possam ser realizadas mediante visitas programadas ao museu.
Novos enfoques revelam que o museu hoje, mais do que ontem, é um local pedagógico
e de construção do conhecimento, reconhecido cada vez mais pela educação formal. São várias
as ações educacionais propostas pelos museus para serem desenvolvidas em conjunto com a
escola: programas de formação de professores/as, de atendimento a visitas escolares, de
monitoria e de treinamento de pessoal; seminários temáticos e semanas cienfico-culturais,
dentre outros. Tais programas revelam o interesse do museu na educação (MARANDINO,
2000). Além disso, hoje os museus interativos de ciência, por exemplo, adquirem importância
na sociedade como locais o-formais de ensino; são dinâmicos, flexíveis e promovem
atividades dicas e interativas que permitem despertar o interesse pelo mundo científico e
cultural e contribuem para a formação do sujeito social. Como quer Gohn, “[...] um dos
supostos básicos da educação não-formal é o de que a aprendizagem se por meio da prática
social. É a experiência das pessoas em trabalhos coletivos que gera aprendizado” (2001, p.
103). Acrescente-se que o trabalho em equipe gera segurança e interesse em aprender, pois
possibilita a troca de experiências, o aprofundamento dos conhecimentos e a concretização da
aprendizagem.
Os museus hoje têm uma preocupação em atender um público cada vez mais variado;
para isso, ajustam-se às necessidades históricas, sicas e culturais da humanidade. A
26
popularização dessas instituições museológicas as transformou em ponto de referência dos
sujeitos, que viram nelas uma opção de lazer, trabalho, apreciação do belo, novas descobertas,
novas concepções e aquisição de conhecimentos como acontece no Museu dos
Dinossauros de Peirópolis.
1.2 Museu dos Dinossauros de Peirópolis: foco de referência
Falar do Museu dos Dinossauros implica relatar, em princípio, a história de
Peirópolis e sua importância no contexto cultural, social e científico do país. Bairro situado a
20 quilômetros de Uberaba (MG), às margens da BR-262, Peirópolis era conhecido antes por
Cambará nome da estação da linha rrea da Companhia Mogiana inaugurada em 1889,
pelo conde D’eu, e depois mudado para Paineiras. Em 1924, esse bairro rural recebeu o nome
de Peirópolis, em homenagem à memória de um imigrante espanhol: Frederico Peiró, um dos
primeiros moradores do local, que ali se estabeleceu em 1896. Em 1911, ele abre sua
empresa no lugarejo: duas fábricas para extrair calcário, que empregavam cerca de 150
funcionários. A produção de cal industrializada em suas fábricas ia para fora do estado,
sobretudo para a cidade de São Paulo. Como o transporte era ferroviário, em curto espaço de
tempo Peirópolis experimentou um desenvolvimento satisfatório. Os anos se passaram, e a
Empresa Peiró, como era chamada, foi se esvaziando (FUNDAÇÃO CULTURAL DE
UBERABA..., 199-).
Em 1945, Peirópolis seria conhecida nacionalmente graças à descoberta de
fragmentos ósseos de dinossauros na região. Esses achados estimularam estudos
paleontológicos mais aprofundados na região, conduzidos, sobretudo, pelo paleontólogo
Llewellyn Ivor Price (19051980),
3
brasileiro, pós-graduado pela Universidade de Chicago
(EUA) e membro da equipe de pesquisa do Museu de Zoologia Comparada da Universidade
de Harvard (EUA). Ciente da existência de fósseis nessa localidade, o Departamento Nacional
de Produção Mineral (DNPM), no Rio de Janeiro, nomeou Price para investigar a região.
3
Nasceu em Santa Maria (RS). Filho de pais norte-americanos, tinha dupla cidadania. Aos 11 anos, foi para os
EUA completar seus estudos de humanidades. Lá, graduou-se em Geologia e Paleontologia. Fez pós-graduação
na Universidade de Chicago. Como membro da equipe de pesquisa do Museu de Zoologia Comparada da
Universidade de Harvard, visitou o Brasil, em 1936, chefiando uma expedição de pesquisa paleontológica. Em
1940, Llwellyn Ivor Price decidiu retornar definitivamente ao Brasil, a convite da Divisão de Geologia e
Mineralogia do DNPM. Iniciou, então, um longo programa de pesquisa paleontológica de vertebrados.
(FUND A ÇAO CULTURAL DE UBERABA..., 199-)
27
Estudioso nessa área, Price havia desenvolvido um programa de pesquisas paleontológicas de
vertebrados no Brasil, em meados de 1940.
Em dezembro de 2004, ao realizarmos uma entrevista em Peirópolis, no Museu dos
Dinossauros, com o atual chefe de pesquisas geopaleontológicas da Fundação Municipal de
Ensino Superior de Uberaba (FUMESU), Luiz Carlos Borges Ribeiro,
4
nos foi afirmado ter
sido Price o pesquisador que mais trabalhou, incentivou e contribuiu para o avanço do
conhecimento paleontológico no Brasil; ele supervisionou e orientou equipes no desmonte do
arenito, na coleta sistemática de todo material fossilífero encontrado, bem como em seu
traslado e sua preparação para estudos. Todo material coletado entre 1945 e 1974 em
Peirópolis está hoje no DNP M, e sobre ele Price deixou vários trabalhos publicados, inclusive
desenhos específicos dos fósseis. A denominação de Llewellyn Ivor Price ao Centro de
Pesquisas Paleontológicas de Peirópolis (Uberaba/MG) é uma merecida homenagem a este
renomado paleontólogo (FUNDAÇÃO CULTURAL DE UB ERABA ..., 199-).
Nos anos de 1980, paleontólogos tentaram continuar o trabalho iniciado por Price, a
fim de realizar pesquisas científicas, proteger os depósitos fossilíferos e divulgar
conhecimentos. Com o apoio dos moradores do vilarejo, do DNP M e da Fundação Cultural de
Uberaba, foi delimitada uma área de 1,4 mil hectares na região para o desenvolvimento dos
trabalhos e criado um Centro de Pesquisas Paleontológicas em Peirópolis vinculado à
fundação. Contudo, uma mineradora obteve autorização para extrair mineral, e suas atividades
dificultaram o trabalho de coleta de fósseis, além de prejudicar o meio ambiente. Logo, as
pesquisas foram paralisadas, e parte do sítio paleontológico foi destruída. Esse impasse impôs
a necessidade de mobilização. Assim, a comunidade local se organizou e criou, em 1989, a
Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis (AASPP), para conscientizar a
comunidade quanto à proteção dos depósitos fossilíferos no município de Uberaba, fiscalizar,
promover e proteger o sítio paleontológico pertencente às áreas demarcadas pelo município,
pelo estado e pela União. A associação foi composta por moradores de Peirópolis e
representantes da comunidade científica local e do país. Foram anos de luta até a mineradora
4
Graduado em Geologia, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1985, em Belo Horizonte.
Mestrando em Paleontologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre suas atividades
acadêmicas, as mais recentes são: publicação na revista do Museu Argentino de Ciências Naturais, em 2005,
com o título: “Maniraptoran theropod ungual from the Marília Formation (Upper Cretaceous), Brazil”;
publicação no Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ, em 2006. Coordenador do projeto “O Cretáceo em
Uberaba” financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), entre
janeiro de 2006 e janeiro de 2007.
28
ser desativada (ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO SÍTIO PALEONTOLÓGICO DE PEIRÓPOLIS/AASPP,
199-).
Em 1991, iniciou-se um projeto de restauração da edificação da antiga estação
ferroviária do vilarejo e de outras dependências decadentes para que fosse instalado um
Centro de Pesquisas Paleontológicas. Com a instalação do centro, foi preciso criar um museu
para mostrar e divulgar os fósseis encontrados em Peirópolis e na região. Em julho de 1992,
foi inaugurado o Museu dos Dinossauros e o Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn
Ivor Price nas dependências restauradas da antiga estação ferroviária da Companhia Mogiana
e cujo nome homenageia o cientista que incentivou a coleta de fósseis em Peirópolis e
projetou Uberaba no mundo científico e acadêmico. Preservando a história do local, o prédio
conservou características originais e, assim, possibilitou uma interação do passado com o
presente (ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO SÍTIO PALEONTOLÓGICO DE PEIRÓPOLIS/AASPP, 199-).
O Museu dos Dinossauros incorpora o Centro de Pesquisas com a finalidade de
difundir, de modo simples porém didático, os grandes achados fósseis. Sua exposição é
composta por dioramas, réplicas, painéis explicativos, além de um conceituado acervo de
diferentes fósseis. Para melhor atender quem visita esse espaço museológico, guias
treinados e monitores, que possibilitam a construção de olhares diferenciados sobre a
exposição. Como diz Ostetto,
É uma oportunidade para abrirmos e aprofundarmos nosso olhar,
enriquecendo-o com mediações significativas, que trazem informações e
ampliam não o conhecimento sobre a obra e o artista, mas a possibilidade
de fruição. Ouvir sobre uma obra do acervo, em sua “companhia”, é, sem
vida, oportunidade ímpar de educação do olhar e dos sentidos, pois somos
convidados a rever o visto com novas luzes, iluminando zonas antes talvez
desconhecidas, pouco iluminadas. , nessa prática de palestras, a informação,
mas ela não substitui o estar presente diante da obra. Isso faz toda a diferença
entreões como apenas falar ou contemplar, fruir. (2005, p. 144).
Dito de outro modo, o museu é um espaço único, enriquecedor de conhecimentos
mediados por informações, descobertas, olhares, significados e ressignificados, e nessa ótica o
Museu dos Dinossauros permite ao homem compreender a própria história. Além do valor
científico, cultural e estético, os dinossauros, mesmo extintos, contribuem indiretamente para
o avanço da economia e do lazer da comunidade local. Essa função social que os fósseis
representam à relevância das pesquisas desenvolvidas pelo Centro de Pesquisas e Museu dos
Dinossauros proporciona, aos moradores de Peirópolis, o desenvolvimento do turismo, do
artesanato e da culinária, bem como de pousadas, restaurantes e outras atividades promotoras
29
do desenvolvimento sustentável. Assim, pode-se afirmar que há uma parceria entre pesquisa e
comunidade que revitaliza aspectos sociais, econômicos e culturais do vilarejo.
Até dezembro de 2000, o Centro de Pesquisas e o Museu dos Dinossauros ficaram
sob a responsabilidade da Fundação Cultural de Uberaba, que fazia convênios com órgãos
públicos e privados para enriquecer os estudos geológicos e paleontológicos. Em 29 de
dezembro 2000, pela lei municipal 7.817, o Centro de Pesquisas e o Museu foram
transferidos para a Fundação Municipal de Ensino Superior de Uberaba (FUMES U), o que
possibilitou aos alunos um novo campus para o ensino, a pesquisa e a extensão (PORTA-VOZ,
2000).
1.3 Fundações e parcerias
Esses vínculos do museu com a educação nos levam à importância das fundações
educacionais, cuja trajetória merece ser aqui retomada. Antigamente, como gesto de
cidadania, muitas pessoas comprometidas em compartilhar ações sociais ou interesses de
promoção do desenvolvimento coletivo nas áreas da cultura, educação, arte, ciência e
filantropia faziam ofertas de materiais específicos de diversas áreas do conhecimento. O
objetivo era criar um espaço social em que grupos de pessoas, em especial as de baixa renda,
pudessem desenvolver atividades culturais e educacionais para atender a seus interesses e
anseios. Tais doações e objetivos culminaram na constituição das fundações, ou seja, uma
“[...] instituição de caráter social, criada e mantida por iniciativa particular ou do Estado, com
finalidades filantrópicas, educacionais, assistenciais, culturais, científicas ou tecnológicas,
tendo, como fundamento de sua existência, um patrimônio destinado a um fim” (REZENDE,
1997, p. 14). Embora esse autor saliente como o verdadeiro sentido da fundação o
patrimônio, quem reconheça como verdadeiro motivo de sua existência os objetivos a que
se destina a fundação, assim como quem defenda a idéia de que sua característica
primordial sejam os interesses da comunidade. Ante a diversidade de conceitos e
características, criar uma fundação não é tarefa simples.
A verdade é que, desde suas mais remotas origens, no antigo Egito
(Biblioteca de Alexandria), na Grécia (Academia, legada por Platão a seus
discípulos e atividades culturais patrocinadas por Mecenas), ou em Roma
(Fundos assistenciais instituídos pelos Imperadores ou, em sua primeira
concepção jurídica, através da Igreja Católica, que mediante autorização
estatal, constituía pessoas jurídicas que recebiam doações destinadas a fins
30
filantrópicos), o instituto fundacional se vincula a três características
fundamentais: o fim ou objetivo, o patrimônio e o interesse coletivo.
(REZENDE, 1997, p. 13).
Entretanto, para que a fundação exista juridicamente, é imprescindível a presença de
um instituidor. Toda pessoa capaz, responsável, ética, seja física ou jurídica, pode ser
instituidor de uma fundação. Portanto, o instituidor poderá ser uma pessoa ou grupo de
pessoas cujos objetivos convirjam.
Dependendo do instituidor e de determinadas características, as fundações
serão de natureza de pessoa jurídica de direito privado, quando instituídas
conforme os preceitos da lei civil, ou de natureza de direito público, quando
instituídas por pessoas jurídicas de direito público, nos moldes do direito
administrativo. (REZENDE, 1997, p. 21).
O fim a que se destina a fundação deve ser estabelecido pelo instituidor, desde que
haja consenso entre o público envolvido na criação; quando as partes se integram, o
instituidor poderá tornar verdadeira a criação da fundação pela escritura pública. Mesmo
extinta, em qualquer ocasião os objetivos originais não podem ser alterados. Para se criar uma
fundação com interesses educacionais, por exemplo, o instituidor deverá ter fortes motivos
para executar, em etapas, as atividades propostas. Noutros termos, se tomarmos como alvo os
alunos-trabalhadores de baixa renda sem condições de pagar uma universidade, eis um
motivo suficiente para se criar uma fundação educacional. Das fundações educacionais do
país, muitas se vinculam aos museus: algumas são parceiras nas atividades; outras,
mantenedoras dos espaços museológicos. Com base em nossa experiência profissional,
expomos a seguir um trabalho de parceria entre fundação e museu para ilustrar a importância
desse trabalho conjunto em prol da educação e da formação docente.
Sobre a fundação como órgão instituidor, tomamos o caso da Fundação Municipal de
Ensino Superior de Uberaba (F UMESU), mantenedora do Centro de Ensino Superior de
Uberaba (CESUBE), do Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price e do Museu
dos Dinossauros de Peirópolis. Conforme seu estatuto,
5
formalizado em 16/8/1995, a
FUMESU objetiva tanto promover o desenvolvimento das ciências, da tecnologia, das letras e
das artes pela educação e contribuir para o crescimento econômico e social de Uberaba e da
região quanto difundir conhecimentos técnico-científicos das diversas áreas do saber.
Também central em sua existência é o oferecimento de cursos de qualidade e com preços
5
O estatuto da FUMESU foi registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos e de Pessoas Jurídicas
da Comarca de Uberaba, sob o número 41.521, protocolo A–2, p. 319, livro A, à margem do registro 34.
31
acessíveis à população de baixa renda que trabalha para garantir o sustento e que aspira a um
futuro promissor, ingressando no ensino superior (CAIXETA et al., 1995). Por isso, o CES UBE
oferece à comunidade e região, a preços módicos, cinco cursos de licenciatura: Ciências
Biológicas, Ciências Sociais, Educação Artística, Educação Física, Geografia e Pedagogia.
Além das licenciaturas, oferece ainda o curso de Engenharia Civil.
Para incentivar o ensino, a pesquisa e a extensão, a FUMES U faz do Centro de
Pesquisas Paleontológicas e do Museu seu segundo campus universitário. Ali, discentes e
docentes podem investigar in loco a riqueza paleontológica dos campos de escavação, assim
como apreciar a arte e o lúdico, usufruindo dos elementos que suscitam a imaginação. Tais
atividades projetam o Centro de Pesquisas e o Museu à condição de locais de formação
profissional, pessoal e educativa. Ao mesmo tempo, um e outro abrem espaço para
instituições públicas e privadas interessadas em assumir parcerias em prol do
desenvolvimento de pesquisas — o que contribui para o processo de formação docente.
Posto isso, destacamos aqui um projeto relevante no meio acadêmico, científico e
cultural, integrante das atividades desenvolvidas no Museu dos Dinossauros: a “Semana dos
Dinossauros”. Em 2001, quando a FUMESU assumiu o Centro de Pesquisas Paleontológicas e
o Museu, esse projeto foi revitalizado para difundir conhecimentos nas áreas de geologia e
paleontologia ciência importante para a história real da vida no planeta. Nesse evento, são
desenvolvidas atividades educativas para o público visitante, sobretudo alunos da educação
infantil e do ensino dio de escolas da comunidade e região. As atividades incluem visitas
ao campo de escavação, ao laboratório e ao Museu; assim como oficinas pedagógicas que
exploram o lúdico na conciliação do aspecto científico com os momentos de descontração e
prazer. O evento conta com a colaboração de alunos dos cursos de licenciatura do CESUBE; o
envolvimento deles prevê um treinamento inicial intensivo, quando são solicitadas e
enfatizadas suas responsabilidades quanto a cumprir os compromissos assumidos com o
desenvolvimento das atividades programadas. Isso contribui não só para a formação do futuro
professor, mas também para o sucesso da “Semana dos Dinossauros”.
As atividades realizadas nos eventos promovidos pelo Museu exigem, muitas vezes, a
presença constante dos alunos envolvidos e dos pesquisadores; para dar suporte a eles, junto às
edificações do Museu há um alojamento próprio para abrigá-los. A estrutura física mantida pela
FUMESU procura abrigar quem busca ampliar conhecimentos nas áreas específicas do curso que
faz mediante estágios e cursos de exteno universitária oferecidos pelo CESUBE,
desenvolvidos no Centro de Pesquisas e no Museu e assistidos por uma equipe profissional
32
multidisciplinar. O compromisso com a educação e a formação de professores/as pressupõe,
nesse local não-formal de ensino, momentos de interlocução com diversas áreas do saber,
auxiliando docente e discente a apurar pontos de vista. Devemos enfatizar que, para a
evolução e concretização dos trabalhos desenvolvidos nos museus, a constituição de parcerias
é fundamental, pois “parceria é aliança” (GADOTTI, 2000, p. 228). No caso do Centro de
Pesquisas e do Museu, os recursos financeiros (subvencionados pelo poder público municipal
via FUMESU) destinados ao funcionamento são insuficientes para os trabalhos e as
investigações científicas imprescindíveis ao bom funcionamento desses espaços e hoje
conhecidos e reconhecidos internacionalmente. Nesse sentido, em prol da importância
científico-cultural do Museu e do Centro de Pesquisas e tendo em vista a repercussão nacional
dos fósseis como elementos sociais e históricos, várias alianças m sido feitas mediante
parcerias, que proporcionam maiores investimentos financeiros e transformações.
Como a falta de recursos inibe o progresso científico, cultural e pedagógico, o Centro
de Pesquisas e o Museu também buscam auxílio para viabilizar o desenvolvimento da
investigação, do ensino e da difusão do conhecimento científico em órgãos de fomento à
pesquisa. Segundo o chefe de pesquisas de geopaleontológicas da FUMESU, Luiz Carlos B.
Ribeiro, em entrevista concedida a nós no Museu dos Dinossauros, em meados de dezembro
de 2004, confirmou que em 1998 a FAPEMIG (vinculada à Secretaria de Estado de Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior) financiou o projeto “Escavações paleontológicas de Peirópolis-
Uberaba/MG”, para a construção, no interior do Museu, de uma réplica do titanossauro: o
maior dinossauro que habitou terras brasileiras. A réplica tornou visíveis os ossos articulados
desse animal, e com isso os visitantes puderam conhecer a grandiosidade desse vertebrado.
Além disso, foi elaborado um vídeo educativo de curta metragem, veiculado em rede
nacional, sobre a réplica desse dinossauro, sua origem, seu tamanho bem como a importância
pedagógica, científica e cultural do Museu dos Dinossauros como espaço reconhecido
nacionalmente por suas investigações científicas no campo da paleontologia. O projeto em
questão foi publicado na revista Minas Faz Ciências, edição trimestral, da FAPEMIG, de
março/maio de 2001, em um artigo sobre Dinossauros”, divulgando a importância científica
e a história da pesquisa paleontológica em Peirópolis.
Outro exemplo de parceria entre instituições e museu é o trabalho conjunto entre a
Expansion Transmissão concessionária de transmissão da rede elétrica brasileira e a
FUMESU. Empresa de capital privado com sede no Rio de Janeiro, a Expansion detém a
concessão das linhas de transmissão em Samambaia (MG)–Emborcação (MG), Samambaia–
33
Itumbiara (GO) e Itumbiara (GO)–Marimbondo (MG), que interligam subestações de Furnas
Centrais Elétricas e Centrais Elétricas de Minas Gerais (CEMI G); além disso, contribuem para
reforçar a conexão entre subsistemas elétricos Sul–Sudeste–Centro-Oeste e Norte–Nordeste,
melhorando as condições de atendimento ao sistema elétrico brasileiro.
A Expansion confiou ao Centro de Pesquisas Paleontológicas a responsabilidade de
prestar serviços de monitoramento e salvamento paleontológico na linha Itumbiara–
Marimbondo. O contrato foi firmado entre a empresa e a FUMESU; e a supervisão e o
monitoramento paleontológico do trecho dessa linha de transmissão ficaram sob a
responsabilidade do professor Luiz Carlos B. Ribeiro. Nesse processo, a empresa valorizou o
Centro de Pesquisas como local de potencialidade científico-cultural ao doar recursos para sua
reestruturação e reestruturação do Museu, bem como para o lançamento do fóssil
Uberabasuchus terrificus
6
e toda reconstituição da vida desse animal. Esses investimentos
possibilitaram o avanço da cultura e da ciência da região, assim como ampliaram as
possibilidades de interação desse espaço com a educação.
Novamente, a FAP E MI G, através da visita de um dos seus diretores à nova exposição
do Museu dos Dinossauros, percebeu a relevância cultural, científica e social desse espaço e
se mostrou interessada em estabelecer outra parceria com o Centro de Pesquisas e o Museu.
Dessa vez, os recursos seriam investidos, especificamente, na ampliação das escavações para
encontrar novos elementos fósseis que pudessem comprovar a evolução histórica da vida na
Terra. Estabelecida a nova parceria, técnicos, geólogos e paleontólogos trabalham, desde
julho de 2005, na tentativa de consolidar as pesquisas em desenvolvimento.
Outra empresa parceira no desenvolvimento e na efetivação das atividades do
laboratório do Centro de Pesquisas Paleontológicas é a Henckel Loctite, de origem alemã,
cujo grupo opera em mais de 75 países e fabrica produtos químicos. Após verificar a
importância do Centro de Pesquisas em Peirópolis para o cenário nacional, bem como seu
potencial pedagógico, científico e cultural, a Henckel Loctite passou a fornecer adesivos
específicos para o processo de colagem dos fósseis e microfósseis, facilitando o trabalho dos
6
Crocodilo que possivelmente ocupava o topo da cadeia alimentar viveu em Uberaba 70 milhões de anos, no
período cretáceo. O terrível crocodilo de Uberaba, significado de Uberabasuchus terrificus, não tem
semelhanças com os crocodilos dos dias atuais. Por ter pernas eretas os de hoje têm as pernas flexionadas —,
ele era capaz de se deslocar por grandes distâncias. A narina era frontal, como a de um cão, o que leva os
pesquisadores a deduzirem que o crocodilomorfo era terrestre. A partir da descoberta do crocodilo, os
pesquisadores puderam ainda organizar as espécies de crocodilomorfos que viveram nesse continente chamado
Gondwana no limiar da extinção em massa. O estudo sobre esse fóssil — um dos mais completos já encontrados
— foi publicado na revista japonesa Gondwana Research. Uberabasuchus terrificus media cerca de 2,5 metros e
pesava 300 quilos. (Disponível em: http//www.fumesu.br)
34
técnicos e pesquisadores no reconhecimento do material fóssil. Essa parceria, que se mantém
11 anos, efetiva-se a cada dia não só no fornecimento de colas, mas também na divulgação
das pesquisas e dos eventos voltados ao público estudantil. O resultado das parcerias é visível
nas ações dos museus, que indicam a função do trabalho coletivo em prol do avanço das
atividades educativas. Aliás, a educação o-formal, ou seja, as atividades desenvolvidas em
espaços não-formais de ensino, tem sempre um caráter coletivo, “passa por um processo de
ação grupal, é vivida como práxis concreta de um grupo, ainda que o resultado do que se
aprende seja absorvido individualmente” (GOHN, 2001, p. 104). Tal processo de ação
coletiva, implícito nas parcerias, implica a melhor qualidade das interações sociais, a fim de
se efetivar a relação entre museu e educação.
A abordagem sobre a importância das parcerias na relação entre museu e educação,
nos remete aos fatos históricos já mencionados. No Museu do Louvre, em Paris, por exemplo,
em 1793havia significativa preocupação em modificar os modos de ação social do museu,
como nos reporta Campos: “Dentre os museus de Paris o Louvre se destaca como a célula
inicial do movimento museológico mundial e um dos mais importantes do globo” (199-?, p.
21). Segundo esse autor, o museu simboliza a história da civilização apresentada pela
abundância de aspectos culturais, científicos e artísticos, representados em exposições,
reconstituições, painéis, palestras e cursos. Essa visão pedagógica sobre museu no Brasil foi
motivo de muita discussão, pois era lastimável o
desamor pelas relíquias do passado brasileiro, comprovado nas continuadas
destruições dos sítios e monumentos históricos, na demolição estúpida dos
prédios antigos, no desbarato dos preciosos arquivos particulares e públicos,
muitas vezes executados pelos próprios responsáveis pela sua guarda e
conservação. (CAMPOS, 199-?, p. 6).
Era preciso que os brasileiros passassem a ver o museu como instituição de estímulo
ao aprendizado, instrumento didático do mais alto valor. O contraste entre o nosso país e os
países da Europa e da Ásia no campo museológico era visível (CAMPOS, 199-?) Atualmente,
no Brasil, os museus são considerados como espaços sociais, educativos e possuidores de
cultura própria (MARANDINO, 2000).
Merece ser citado como promotor de atividades educativas o Museu de Arte
Moderna de São Paulo (MAM). Visto antes pela elite como algo sofisticado, o MAM se tornou
um espaço socializador e contemporâneo, aberto ao público em geral e não restrito a mostras
expositivas. É tido como um museu-escola capaz de promover exposições itinerantes,
35
palestras, debates, exibições de vídeos didáticos etc., engrandecendo-se como centro
pedagógico que bem ilustra os avanços conceituais da educação no Brasil. Também podemos
mencionar o Museu Paulista, que hoje se destaca ao lado de outros três museus: o de
Zoologia, o de Arte Contemporânea e o de Arqueologia e Etnografia, todos localizados na
cidade de São Paulo. Desde a década de 1990, o Museu Paulista passou a ser visto por um
novo prisma, isto é, como instituição dedicada à pesquisa, ao ensino e às atividades de
extensão. É imprescindível citarmos, também, o Museu da Língua Portuguesa,
7
fruto de
parceria entre o Ministério da Cultura, a Fundação Roberto Marinho, o governo do Estado de
São Paulo e empresas privadas. Inaugurado em 20 de março de 2006, esse museu representa
a primeira instituição toda dedicada ao idioma original de um país. Com tecnologia de ponta,
apresenta a história completa da língua portuguesa, realizando e acolhendo projetos
educativos.
Com nova concepção sobre o espaço museológico, os profissionais que atuam nesses
museus proporcionam aos visitantes atividades pedagógicas que lhes possibilitam
compreender com detalhes a história de São Paulo e do país. No Museu dos Dinossauros
nosso foco de referência —, são desenvolvidas numerosas atividades graças às parcerias,
destacando-se: projetos de pesquisa científica; programas de formação de professores/as;
programas de atendimento ao público estudantil e aos visitantes; projetos de parceria com
instituições públicas, privadas e órgãos de fomento à pesquisa; semana pedagógico-científica
e cultural; seminários temáticos; oficinas pedagógicas; aulas de campo e momentos de
construção interdisciplinar. O objetivo é tornar esse espaço, cada vez mais, um local de
cultura, construção de saberes e valores e desenvolvimento do sujeito social. Esse processo de
construção de saberes se manifesta na e pela interação social, ou seja, na interação com o
outro (DAVIS et al., 1989).
Por esta razão, a grande parte das experiências fundamentais para o
desenvolvimento está vinculada ao outro e dependem dele. O mundo em que
o Homem vive é um mundo de pessoas, coisas, lugares, ações que têm
significados construídos historicamente e cuja apropriação se no contato
social. Nesse sentido, se pode dizer que o indivíduo aí se constitui. (DURAN,
1993, p. 5)
Assim, ao pensarmos que a escola objetiva propiciar a construção do conhecimento,
pensamos em sua necessidade de promover interações que possibilitem a participação ativa do
7
Disponível em: www.cultura.gov.br/notícias/notícias_do_Minisc.
36
aluno em atividades específicas. Com esse perfil, as interações são consideradas educativas, e
nada impede que elas aconteçam em ambientes não-formais constituidores de cultura (DAVIS
et al, 1989).
Ao nos referirmos ao museu como espaço de cultura, temos em mente o pensamento
de Vygotsky, para quem cultura é “um produto, ao mesmo tempo, da vida social e da
atividade social do homem” (1997, p. 106 apud P INO, 2000, p. 54). Assim compreendida, a
cultura constitui-se na dinâmica das relações sociais de dada sociedade, que se materializa na
produção técnica, científica e artística do homem. Nessa perspectiva, pensamos o espaço
museológico como o promotor de interações sociais e culturais e possuidor de uma cultura
própria que oferece ao público “uma forma de interação com o conhecimento diferenciada da
escola” (MARANDINO, 2000, p. 202). Com isso, reafirmamos nosso ponto de vista sobre a
contribuição do museu para os avanços culturais e educacionais.
37
2 PROFESSORES/AS EM FORMAÇÃO
2.1 Aspectos históricos da formação docente no Brasil
A formação docente foi amplamente discutida nas últimas décadas por profissionais
da área, que buscaram identificar as deficiências e os desencontros das políticas públicas no
campo da educação, em especial as relativas à formação de professores/as. Essa discussão
resultou em propostas de reformulação e (re)estruturação dos cursos de formação de
professores, voltadas à superação de problemas e à transformação da escola e da sociedade.
Mais recentemente, o assunto foi discutido no XII Encontro Nacional de Políticas Públicas,
em Brasília, em agosto de 2004, cujo documento final expressa o que significa a formão
docente hoje:
A formão de professores é um desafio que tem a ver com o futuro da
educação básica, esta por sua vez, intimamente vinculada com o futuro
de nosso povo e a formação de nossas crianças, jovens e adultos. No
entanto, as perspectivas de que essa formação se fa em bases
teoricamente lidas e fundadas nos princípios de uma formão de
qualidade e relevância social são cada vez mais remotas, se não
conseguirmos reverter o rumo das políticas educacionais implementadas.
A redão dos recursos blicos para a educação pública, o processo de
asfixia a que as universidades públicas estão sendo sujeitas, a trágica
realidade da escola pública vão evidenciando a impossibilidade de
resolão desses problemas nos marcos das relações vigentes. A
conscncia dessa situação por parte dos educadores exige o
desvelamento dos reais fundamentos das propostas de formação de
professores em curso em nosso país. Assumir com radicalidade as
propostas de profissionalização do magistério, dando-lhes o conteúdo
que o movimento dos educadores vem construindo ao longo de sua
hisria, parece ser o desafio atual. (2004, p. 14).
Como se pode depreender, a formação é um desafio que pressupõe luta severa caso
se queira reverter as políticas educacionais para que assumam suas reais funções: organizar a
formação de crianças, jovens e adultos, proporcionando-lhes não só oportunidade de acessar o
saber escolar, como também permanecer no ambiente dos estudos. E para entendermos
melhor esse desafio, consideremos o processo de formação docente ao longo da história da
educação no Brasil, sobretudo pelo viés do movimento de educadores em prol da
profissionalização do magistério (ANFOPE, 2004).
38
Embora essa questão tenha sido delineada já nos anos de 1930, quando os primeiros
cursos de licenciatura foram introduzidos no país, na década de 1970 ela passou a ser
abordada e analisada com maior ênfase por educadores do país nos principais eventos
educacionais. A necessidade de aprofundar os estudos sobre a formação docente derivou de
uma preocupação: modificar, com rigor, o enfoque técnico e funcional predominante nos
cursos específicos, em que só professor respondia pelo processo ensino–aprendizagem e o
planejamento não era compartilhado; visava apenas obter resultados eficientes” (MARQUES,
2003).
Ao retomar os aspectos hisricos da formão de professores/as no país,
encontramos dados apontando que, em 1945, a abordagem sobre a formão de
professores merecia, ateão especial. Nesse mesmo ano, tal tema foi discutido, com
ênfase, no IX Congresso Brasileiro de Educação, denominado Congresso de Educação
Democrática, realizado no Rio de Janeiro. Em 1947 houve, por parte dos profissionais
da educação, uma mobilização pela luta da criação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educão Nacional. Na cada de 1960, a preocupação era reduzir os espos de
formação nos cursos de licenciatura, enquanto em 1975 o momento educacional era
ctico, sobretudo ao se discutir a formação docente. Em 1978, aconteceu o I Seminário
Brasileiro de Educação, na Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP (SP), onde, em
debates, os profissionais reforçavam os estudos sobre a formação de professores
(MARQUES, 2003).
No fim dos anos de 1970, início da década de 1980, os esforços dos educadores se
orientaram pelo desejo de modificar a estrutura organizacional da educação e se
materializaram em movimentos de repúdio à estrutura reinante, que exigia
redimensionamento da formação do professor. Era oportuno fazer desses movimentos
momentos de reflexão sobre a reestruturação dos cursos de Pedagogia e das licenciaturas para
se construir uma escola reflexiva, atuante e criativa (FREITAS, 2002).
Nos anos de 1980, esses movimentos passaram a defender, ainda destacando a
formação do professor, uma escola voltada à busca do conhecimento por meio de práticas
educativas e sociais e pela valorização do educando e do educador como sujeitos dessas
práticas. Os militantes reivindicavam mudança no sistema educacional por acreditarem em
novos posicionamentos profissionais e em práticas educativas transformadoras da realidade.
Como nos lembra Marques:
39
Na década de 80, o acontecimento central da educação brasileira é a
presença coletiva organizada dos professores, em movimento de âmbito
nacional, pela afirmação do caráter profissional do trabalhador em educação
e pela defesa da prioridade das condições de trabalho, do caráter e função
pública dos serviços à educação e da gestão democrática da escola de
qualidade para todos. A partir de então, ganha novo sentido a luta pela
reformulação dos cursos de formação. (2003, p. 23).
A formação de professores/as ganhou maior espaço nas discussões em busca de
definições, sobretudo aquelas que tratavam da reforma dos cursos de Pedagogia. Os próprios
movimentos pró-reformulação dos cursos de formação, em especial o de Pedagogia, exigiram
como orientação da reforma uma formação mais humana e realista, que possibilitasse a
integração constante dos saberes pedagógicos mediante vivências interdisciplinares em
espaços alternativos de aprendizagem. Para Candau, tratava-se de:
[...] ampliar a concepção de pedagogia e compreendê-la como modo de
produção cultural implicado na forma como o poder e o significado são
utilizados na construção e na organização de conhecimentos, desejos,
valores; considerar a cultura como constructo central de nossos currículos e
sala de aula, focalizando a aprendizagem em torno de questões relacionadas
às diferenças culturais, ao poder e à história; colocar uma forte ênfase em
vincular o currículo às experiências que os/as estudantes trazem para seus
encontros com o conhecimento institucionalmente legitimado; promover o
estudo, a produção, a recepção e o uso situado de variados textos. (1997, p.
247–8 apud CARVALHO, 2005, p. 135).
Evidentemente, a preocupação em reformular os cursos de formação de professores/as passa
pela valorização de outros espaços constituintes de saberes e da cultura.
A luta dos educadores enfocava, também, outros problemas educacionais resultantes
de políticas hierárquicas predominantes na sociedade e que se refletiam na postura dos
profissionais da educação. Isso porque:
Numa conjuntura em que o discurso das políticas públicas enfatiza a
importância da educação, negam-se a ela os meios indispensáveis e
exacerba-se a deteriorização das condições de trabalho dos educadores, a
quem, dessa forma, se subtraem as oportunidades para pensarem e
realizarem suas propostas político-pedagógicas. (MARQUES, 2003, p. 35).
Disso se deduz que há, no sistema educacional, a influência burocrática autoritária de
quem detém o poder. Logo, se a escola reflete a sociedade, ela é abalada pela estrutura
educacional, a ponto de perder a autonomia e a identidade ao seguir e concretizar o que lhe é
imposto; noutros termos, a escola ratifica a chamada educação autoritária enfaticamente
40
implantada na década de 1980. Essa educação foi denominada por Freire de “bancária”, e
nela se reconhece um instrumento de opressão, pois o autoritarismo rege as ões docentes,
impossibilitando a relação dialogal entre ele e o educando.
[...] em lugar de comunicar-se, o educador faz comunicados” e depósitos
que os educandos, meras incidências, recebem pacientemente, memorizam e
repetem. Eis aí a concepção “bancária” da educação, em que a única margem
de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-
los e arquivá-los. (FREIRE, 2005, p. 66).
Essa concepção deixa entrever a falta de espaço para construção de conhecimentos e reflexões
e o impedimento da criatividade e do pensar crítico.
Com a deterioração do sistema educacional brasileiro, ocorreu um corte brusco nos
recursos públicos destinados à educação, que impediu o crescimento e a evolução das redes de
ensino. Como resultado, a desorganização do trabalho escolar e a perda da autonomia do
professor em sua práxis se impuseram. Por ecoarem na formação de professores, esses
reflexos castraram aquilo que Demo chama de melhor qualidade do ensino e que se refere a
um
[...] estilo cultural, mais que tecnológico; artístico, mais que produtivo;
lúdico, mais que eficiente; sábio, mais que científico. Diz respeito ao mundo
tão tênue quanto vital da felicidade. Não se é feliz sem a esfera do ter, mas é
principalmente uma questão de ser. Não é a conquista de uma mina de ouro
que nos faria ricos, mas sobretudo a conquista de nossas potencialidades
próprias, de nossa capacidade de autodeterminação, do espaço de criação. É
o exercício da competência política. (2005, p. 13).
Entretanto, a qualidade na educação não é questão pacífica, embora tenha sido
discutida exaustivamente nos anos de 1980/90. E se o termo qualidade é muito empregado
hoje nos contextos educacionais, seu significado permanece obscurecido — por conta de suas
múltiplas definições que permeiam o campo semântico da educação e suscita o desejo de
superação. Consideremos o pensamento de Imbernón acerca disso:
A instituição educativa também deve mudar, deve converter-se em algo
verdadeiramente educativo e superar seu conceito obsoleto que remonta
ao século XIX. Ao destacar seu caráter educativo queremos nos distanciar de
enfoques tecnológicos, funcionalistas e burocratizantes de qualidade, tão em
moda nos últimos anos, e aproximar-nos, ao contrário, de seu caráter
cultural, e da possibilidade, no campo educacional e em uma determinada
comunidade, de que esse dinamismo cultural transforme os saberes e as
consciências e a estética dos que atuam na organização da vida e do trabalho
nas instituições educativas. (2001, p. 96).
41
Se, como quer esse autor, esse enfoque tecnológico, funcionalista e burocratizante ficou em
voga só em tempos recentes, isso não nos impede de reconhecer seu embrião na visão
conservadora e tecnicista da educação predominante nos anos de 1970/80 motivo de
rebeldia entre vários grupos de educadores.
As mudaas atuais no modo de ver a formão de professores exprimem o
desejo dos movimentos de educadores até então, cujas discuses ganharam corpo em
1983, no I Encontro Nacional do Projeto de Reformulação dos Cursos de Preparação de
Recursos Humanos para a Educão, em Belo Horizonte (MG). Nesse encontro, que
enfocou a necessidade de se inclrem elementos fundamentais nos cursos de
licenciaturas, constituiu-se a Comissão Nacional de Reformulação dos Cursos de
Formação do Educador (CONARCFE); e desde então outras entidades passaram a analisar e
viabilizar discuses sobre a formação docente em diversas ocasiões, nas quais os
educadores tiveram e têm a oportunidade de expressar seus anseios quanto à
política educacional do ps.
Em 1988, no III Encontro Nacional realizado em Brasília, durante a V
Confencia Brasileira de Educação (CBE), as discuses focavam-se, sobretudo, na
permancia do movimento de reformulão dos cursos de formação docente. No IV
Encontro Nacional, em 1989, em Belo Horizonte, a questão era centrada, também, na
formão do professor de modo a articu-la com a mudaa da sociedade. Na cada de
1990, no V Encontro Nacional do Projeto de Reformulação dos Cursos de Preparão de
Recursos Humanos para a Educação, tamm em Belo Horizonte, as discussões eram
destinadas ao Projeto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e ao tema
da base comum nacional, que passa a “definir-se como núcleo essencial da formão do
profissional da educação (MARQUES, 2003, p. 26). Em 23/12/1996, foi promulgada a
nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sob o número 9.394 (MARQUES,
2003).
Se o enfoque atual é superar o autoritarismo, buscando-se trilhas não para a
redemocratização da sociedade educacional brasileira, mas também, e em especial, à
reformulação e reestruturão dos cursos de formão dos profissionais da educação, isso não
isenta os educadores de uma atuão destinada a constituir indiduos produtivos, éticos e
críticos. Como esclarece Linhares,
42
As questões implícitas na formação de professores requerem que transitemos
em um espaço complexo de uma cultura em crise, em busca de validação de
significados coletivos e pessoais, onde se confrontam o extravio ético com
uma procura audaz de construção de sujeitos coletivos e pessoais que se
reconheçam, criticamente, na própria prodão histórica de sua existência.
(2002, p. 12).
Noutros termos, é preciso modificar o cenário atual de formação de professores/as embora
tal anseio não seja novidade na história da educação do país.
Nesses momentos de reflexão e discussão, buscam-se estratégias para melhorar a
qualidade da formação dos profissionais em educação, sobretudo por meio da formação
continuada. Isso porque, se a formação faz parte da história do sujeito social porque é
processo, então precisa pressupor o direito de o indivíduo vivenciar novas experiências em
locais de ensino diversos e não-formais, como o museu.
2.2 Formação continuada de professores
Pensar na formação do professor significa pensá-la como continuum de formação
inicial e contínua” (PIMENTA, 1999, p. 29). Segundo essa autora, a formação, nesse sentido,
é entendida como autoformação, à medida que os professores renovam seus saberes em
paralelo às suas experiências vivenciadas na instituição escolar. Pela troca de experiências os
professores constroem seus saberes (PIMENTA, 1999). Nesse sentido, figuram o
aperfeiçoamento e a renovação das práticas pedagógicas, tanto quanto a atualização da
aprendizagem nos diferentes contextos que abrem possibilidades de desconstrução e
construção de idéias. Sobre a formação continuada, Marques esclarece:
Quando se fala em formação continuada, ou formação permanente, não se
pode entendê-la apenas como uma continuidade remendo destinada a
sanar falhas e suprir insuficiências da formação formal recebida, ou para
atender a novos requerimentos do campo profissional, ou para acompanhar o
estado das ciências concernidas, inclusive da própria Pedagogia. Tudo isso
permanecendo verdadeiro e útil, requer-se bem mais. Do coletivo dos
educadores e de cada um deles, das associações profissionais e dos
movimentos e grupos dos educadores bem como do empenho de cada um
requer-se a produção científica num nível de mais estreita vinculação entre
prática e teoria. (2003, p. 21011).
Esse autor nos faz refletir sobre a importância da continuidade na formação e a
premência de se buscar caminhos aptos a enriquecer a prática docente e profissional e, assim,
43
proporcionar a construção de conhecimentos desencadeadores das transformações necessárias.
Para nós, a educação permanente deveria ser uma preocupação constante em todo setor
vinculado à educação, sobretudo nos cursos de formação de professores/as. Mesmo tendo
domínio de práticas pedagógicas, os profissionais não podem nem devem se alhear dos
progressos educativos, pois o processo educacional envolve inovações que podem colaborar
para o avanço da sociedade e suscitar mudanças. Como diz Alvarado Prada,
Ser educador é educar-se permanentemente, pois o processo educativo não
se fecha e é contínuo. Cada conhecimento que os educadores com seus
estudantes constroem, implica novas relações com outros conhecimentos,
novas procuras, perguntas, dúvidas, em resumo, novas construções. (1997,
p. 95).
Na atualidade destaca-se, na educação continuada, a busca por mudanças que possam
melhorar o processo educacional e possibilitar a constituição de novos posicionamentos ante
as exigências sociais. Urge construir um perfil de profissional cuja competência promova
transformações no contexto escolar que possam ir ao encontro de anseios individuais e
coletivos. Nesse sentido
[...] percebe-se que a formação se dá enquanto acontece a prática
momentos interdependentes e intercomunicantes de um mesmo processo,
renovadores do espo pedagico e das práticas nele efetivadas. Por
isso, a formação não se conclui; cada momento abre possibilidades para
novos momentos de formão, assumindo um caráter de
recomo/renovação/inovação da realidade pessoal e profissional,
tornando-se a prática, então, a mediadora da produção do conhecimento
ancorado/mobilizado na experiência de vida do professor e em sua
identidade, construindo-se, a partir desse entendimento, uma prática
interativa e dialógica entre o individual e o coletivo. (PORTO, 2000, p.
14).
Tomada, então, como prática coletiva incorporada ao processo educativo, presume-
se que a formação se renove diariamente. Mas essa renovação o se constitui no
isolamento do profissional; antes, ocorre através de interações pessoais, em âmbitos formais
e não-formais, que abrem caminho à construção de novos saberes. Por isso, é preciso
continuar esse processo considerando-se que toda mudança exige (res)significões. Vários
são os modos de se promover a formação continuada. Ela pode ser desenvolvida em
seminários, congressos, cursos de extensão universitária, encontros, oficinas pedagógicas
numa palavra, em atividades que criem condições para a reflexão, a crítica construtiva e a
efetivação de conhecimentos que permitam transformar a realidade.
44
É importante enfatizar a necessidade de preparar professores com posturas reflexivas
em relação à sua prática pedagógica. Segundo Pimenta,
a formação de professores na tendência reflexiva se configura como uma
política de valorização do desenvolvimento pessoal-profissional dos
professores e das instituições escolares, uma vez que supõe condições de
trabalho propiciadoras da formação como contínua dos professores, no local
de trabalho, em redes de autoformação, e em parceria com outras instituições
de formação. (1999, p. 31).
Nesse contexto, ressaltamos o museu como espaço e meio para a formação de
professores na tendência reflexiva, dado seu potencial educativo que pode proporcionar ao
homem o repensar de seu papel na sociedade como ser histórico-cultural.
2.3 Educação não-formal
Dentre os vários autores que se dispõem a falar sobre a educação não-formal, Afonso
(1989 apud SIMSON et al., 2005, p. 9) relata que essa educação
embora obedeça também a uma estrutura e a uma organização (distintas,
porém, das escolas) e possa levar a uma certificação (mesmo que não seja
essa a finalidade), diverge ainda da educação formal no que respeita à não
fixação de tempos e locais e à flexibilidade na adaptação dos conteúdos de
aprendizagem a cada grupo concreto.
Nessa perspectiva, vale enfocar que a educação o-formal é caracterizada por se
apresentar como uma forma diferenciada de trabalhar com a educação paralelamente à escola.
As atividades da educação o-formal devem ser desenvolvidas em locais prazerosos,
oportunizando a troca de vivências e a interação grupal. Para tanto, os professores precisam
propiciar aos seus educandos momentos em que a educação não-formal se efetive como
processo e prática social. Ao considerarmos a educação como processo, reafirmamos que ela
permeia a vida do indivíduo e se desenvolve de diferentes formas. Segundo Brandão,
[...] não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não
é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar
não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único
praticante. (2004, p. 9).
Logo, podemos afirmar que a educação pode acontecer em espaços formais de ensino e
espaços não-formais: família, ruas, praças, cinemas, galerias de arte, associações de bairro,
45
residências, museus, enfim, em todo e qualquer lugar que construa e abrigue a história do
homem a memória social e lhe possibilite se tornar cada vez mais humano. Esse quadro
abrangente de espaços o-formais desperta atenção no âmbito educacional. Para Bianconi e
Caruso, o espaço não-formal “[...] define-se como qualquer tentativa educacional organizada e
sistemática que, normalmente, se realiza fora dos quadros do sistema formal de ensino” (2005,
p. 20).
Segundo Garcia,
O movimento da educação não-formal deu-se por meio da existência de
diferentes práticas que, embora mediadas por relações educacionais, o eram
consideradas como educação por o obedecerem a uma série de requisitos
formais, mas que estavam construindo diferentes modos de vivenciar e
compreender o processo de ensino e aprendizagem. (2003, p. 124).
No Brasil, até os anos de 1980, a educação não-formal foi pouco considerada devido
à ênfase dada às atividades desenvolvidas nas escolas, por tradicionalmente ser esse o espaço
em que ocorria o ensino de conteúdos. Dentre os fatores que marcaram o surgimento da
educação não-formal, estão as mudanças nas relações familiares e as transformações culturais,
políticas, sociais e econômicas (GOHN, 2001). A burguesia, especificamente, considerava a
família e a escola como instituições imprescindíveis à constituição do saber. Com a evolução
do pensamento, outros espaços institucionais passaram a ser considerados pela família, a
exemplo da valorização de diferentes e diversos contextos onde o conhecimento podia ser
construído e, assim, complementar a ação dos espaços formais. Desse movimento, surge a
valorização dos chamados espaços não-formais, em especial os museus (GOHN, 2001).
Na década de 1990, passou-se a enfatizar a educação não-formal, apreciando-se as
culturas individuais e valorizando-se os processos coletivos de aprendizagem em espaços
alternativos. Acerca disso, dizem Simson et al.:
A educação não-formal considera e reaviva a cultura dos indivíduos nela
envolvidos, incluindo educadores e educandos, fazendo com que a bagagem
cultural de cada um seja respeitada e esteja presente no decorrer de todos os
trabalhos, procurando não somente valorizar a realidade de cada um, mas
indo além, fazendo com que essa realidade perpasse todas as atividades.
(2001, p. 11).
Nota-se, então, a necessidade veemente de valorização da cultura e dos interesses de
cada indivíduo, assim como de se incrementarem ações educativas pela valorização da
realidade de cada sujeito. Nesse contexto, espaços alternativos da educação como museus
46
permitem renovar saberes e constituir outros permanentemente, para se ampliarem
conhecimentos constituídos do professor e sua prática pedagógica. Assim, um dos
propósitos da formação continuada que defendemos aqui é valorizar os espaços alternativos
de aprendizagem como forma de organizar, recuperar e aprimorar práticas educativas.
Entendida como instituição formal do saber, a escola necessita interagir com
outros espaços a fim de que o trabalho coletivo auxilie na alise, discussão e crião de
propostas, constituindo ações voltadas ao crescimento profissional, pessoal e social. Os
momentos interativos e formadores que ações coletivas possibilitam se fazem presentes
constantemente nos espaços do museu. É essa a dimica dos contextos educacionais
alternativos.
Ao tomarmos a formação docente como processo, consideramos que a busca pelo
conhecimento inclui outros espaços e modos diversos de ser e pensar, que transformam as
experiências em instrumento crucial à ação profissional. No âmbito desta pesquisa, a
discussão que fazemos articula a formação docente com a formação advinda de espaços o-
formais, como diz Ganzer,
[...] um trabalho educativo atuante entre as instituições escolares e culturais é
essencial, pois a possibilidade de transformação da expectativa, do assombro
e do encantamento em situações de aprendizagem requer um constante
desenvolvimento para atuar como agente multiplicador de saberes. (2005, p.
86–7).
Assim, um trabalho desenvolvido entre a escola e o museu tem potencial para o
desenvolvimento de um outro modo de pensar a educação não-formal, que muitas vezes é tida
como mero apêndice do ensino formal. Trata-se de um equívoco, pois ela é a alternativa que
pode oferecer contextos estimuladores à construção do saber, tanto quanto os oferecidos nos
espaços formais.
A efetivação e organização da educação continuada do professor em locais que o
a escola partem do princípio de que a educação o-formal atinge um patamar elevado e
significativo na esfera educativa, proporcionando flexibilidade do trabalho pedagógico e
prováveis relações prazerosas com o conhecimento. Isso porque é propósito da educação
o-formal concretizar a aprendizagem numa relação produtiva entre os sujeitos. Como
vivemos momentos de reorganizar os cursos de formação docente, o seria essa a
oportunidade para (res)significar os espaços alternativos, valorizando-os, também, como
formativos dos profissionais da educação?
47
Parte do quadro desses espaços alternativos, o museu certamente constitui saberes:
sua estrutura oferece informações históricas, culturais e científicas essenciais à construção do
conhecimento do homem; também apresenta grande potencial de suscitar a imaginação. Por
isso, merece ser valorizado como espaço do saber cultural e histórico, assim como de troca de
experiências pedagógicas e pessoais.
Nesse contexto, impõe-se a necessidade de haver interação entre escola, museu e
sociedade. Também é preciso abandonar a idéia de que a formação docente está restrita à
atualização teórica para se (re)afirmar um conceito mais amplo, que explica a formação
como constante aprendizado constituído ao se viver e que possibilita o encontro de soluções
para os problemas com base nas interações concretizadas. A interação dessas três instâncias
objetiva a avanços no processo educativo de formação e construção de conhecimentos,
abrangendo o campo dos direitos humanos, da capacitação para o trabalho, da organização
dos objetivos coletivos e da aprendizagem em espaços diferenciados. Nessa linha de
raciocínio, diz Gohn:
A expreso educação não-formal é usada para designar um processo com
quatro campos ou dimensões que correspondem as suas áreas de
abrangência. O primeiro envolvendo a aprendizagem política dos direitos
dos indivíduos enquanto cidadãos, isto é, o processo que gera
conscientização dos indiduos à compreensão de seus interesses e do
meio social e da natureza que o cerca, por meio da participão em
atividades grupais. O segundo, a capacitação dos indiduos para o
trabalho, por meio da aprendizagem de habilidades e/ou desenvolvimento
de potencialidades. O terceiro, a aprendizagem e exercício de práticas
que capacitam os indivíduos a organizarem-se com objetivos
comunirios, voltados para a solão de problemas coletivos cotidianos.
O quarto, e não menos importante, a aprendizagem dos contdos da
escolarização formal, escolar, em formas e espaços diferenciados. (2001,
p. 98–9).
O enfoque dado pela autora nos faz refletir sobre a formação docente à luz da
educação não-formal. Os campos dessa educação representam os vários momentos em
que se pode trabalhar e aperfeiçoar o crescimento profissional e pessoal do indiduo. Por
isso, ressaltamos a importância de essa modalidade educativa integrar cursos de formação
docente como contribuição para se reestruturarem saberes e se ampliar o universo de
informações. Quanto maior for o envolvimento dos sujeitos nos espaços alternativos,
maiores poderão ser as possibilidades de atuação crítica e transformadora. Para
Livramento,
48
Quando ocupamos espaços diferentes e temos a oportunidade de experimentar
coisas diferentes, ou, ainda, de explorar situações diversas, estamos abrindo
novas possibilidades, indo para além do que temos e/ou conhecemos.
Podemos, então, estabelecer novas relões com o mundo, construindo e
reconstruindo saberes diferentes dos que temos, dando outro sentido e outro
significado para as coisas — do mundo, da educação... (2005, p. 156).
As palavras dessa autora deixam entrever que é tarefa do professor criar mais
alternativas à construção do saber e à evolução no campo do conhecimento. Logo, é
indispensável o diálogo entre aprendentes e educadores para se superar a mecanização do
processo ensino–aprendizagem. Assim, eis o desafio: concretizar a educação não-formal
[...] de tal modo que ela possa tornar-se uma ferramenta transformadora das
estruturas sociais, para que a mudança social não esteja mais no plano da
utopia. Embora seja necessário estar ciente de que este tipo de educação
pode ter tanto um caráter transformador das estruturas sociais quanto um
caráter reforçador dessas mesmas estruturas. Por isso, ao trabalharmos com
esse tipo de educação, é fundamental que, durante todo o processo em que
sua prática seja desenvolvida, exista um espírito crítico por parte de todos os
envolvidos nesse processo. Afinal, acreditamos que, através da educação
não-formal e com senso crítico permanente, é possível pensar em outras
maneiras de se viver em sociedade. (SOTO, 2001, p. 259).
As possibilidades de a educação o-formal oferecer novos caminhos para se viver
em sociedade a tornam um espaço alternativo transformador, reflexivo e de conscientização
social que fundamenta a criação de realidades. Esses princípios reforçam a necessidade de
haver estudos sobre essa forma de educação nos cursos de formação de professores/as.
49
3 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO INVESTIGATIVO
Em quatro anos na coordenação de atividades pedagógicas desenvolvidas no Museu
dos Dinossauros de Peirópolis (Uberaba/MG), percebemos um interesse intenso entre alunos/as
dos cursos de licenciatura em Geografia e, sobretudo, Ciências Biológicas na investigação de
conceitos científicos, no desenvolvimento de projetos de pesquisa e mesmo na realização de
seminários, encontros científicos, culturais e em aulas de campo. Tais alunos procuravam o
Museu e o Centro de Pesquisas com maior freqüência, e o interesse e a espontaneidade se
expressavam nos olhares. A constância de alunos de outros cursos do Centro de Ensino
Superior de Uberaba (CES UBE) era menor nesses acontecimentos; o único evento de que
participavam ora por satisfação pessoal, ora para cumprir carga horária de estágio era a
“Semana dos Dinossauros”: destinada ao público infanto-juvenil e cujo objetivo era difundir o
conhecimento nas áreas de geologia e paleontologia. Oficinas pedagógicas, recreação e
visitação às escavões, ao laborario e ao Museu integravam as atividades ali desenvolvidas.
O fato de esses alunos passarem a freqüentar o Museu com mais assiduidade nos
possibilitou refletir que, a cada visita a esse espaço museológico, novos saberes se efetivavam
e novas atitudes pedagógicas se consolidavam, permitindo a construção de diferentes
significações. Como diz Leite:
Freqüentar os diferentes espaços de cultura e expressar-se culturalmente é
direito de todo cidadão; mais do que tornar-se melhor professor/educador,
todos têm o direito a aceder ao conhecimento. Sem dúvida, um sujeito com
experiências mais variadas, mais plurais, terá também possibilidade de
oferecer/favorecer experiências diversas às crianças com as quais convive.
(2001 apud MACHADO, 2005, p. 98–9).
Nesse sentido, os espaços não-formais de ensino, especialmente os museus, têm papel de
destaque como alternativos a novas aprendizagens, motivando a investigação sobre sua
contribuição na formação de professores/as.
Os dados das observações que fizemos durante o desenvolvimento de atividades
educativas ocorridas no Museu dos Dinossauros, bem como os dados das entrevistas
concretizadas com os professores/as e alunos/as do curso de Ciências Biológicas do CESUBE,
fundamentaram esse processo investigativo. Privilegiamos essas duas técnicas, considerando
suas significativas importâncias na pesquisa educacional. Enquanto a observação possibilita a
50
aproximação direta do pesquisador com o fenômeno a ser pesquisado, a entrevista permite ao
pesquisador não apenas obter as informações desejadas, como também interagir pessoalmente
com o entrevistado (LÜDKE; ANDRÉ, 2001). Optamos pela entrevista semi-estruturada “[...]
porque esta, ao mesmo tempo que valoriza a presença do investigador, oferece todas as
perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a espontaneidade
necessárias, enriquecendo a investigação” (TRIVIÑOS, 1987, p. 146).
De caráter qualitativo, a pesquisa se apoiou em concepções da perspectiva histórico-
cultural do desenvolvimento humano.
Considerando a necessidade de obtenção do maior número de informações possíveis,
nosso objetivo foi deixar os entrevistados à vontade, para que pudessem responder,
tranqüilamente, às nossas indagações, procurando não interferir nas respostas. Assim, foi
estabelecido um clima de reflexão e acolhimento aos questionamentos, favorecendo a emissão
de pareceres importantes às análises.
O trabalho de entrevistas foi dividido em duas etapas: uma envolvendo
professores/as; outra, alunos/as. Optamos por dialogar com sujeitos que visitavam
freqüentemente o Museu dos Dinossauros, participando do desenvolvimento de projetos de
pesquisa. Na realização das entrevistas, seguimos alguns passos: 1) apresentação pessoal; 2)
apresentação dos objetivos da pesquisa; 3) justificativa de escolha dos sujeitos entrevistados;
e 4) diálogo baseado nos questionamentos. O grupo de professores/as entrevistados constituía-
se de cinco homens um especialista, três mestres e um doutor e três mulheres uma
especialista, uma mestra e uma doutora. O grupo de alunos/as entrevistado pertencia ao curso
de Ciências Biológicas do CESUBE e era constituído por quatro homens dois do segundo
ano, dois do quarto e quatro mulheres uma do segundo ano, uma do terceiro e duas do
quarto.
Ao dialogarmos com professores/as, aventando a hipótese de participarem da
pesquisa mediante entrevistas gravadas em áudio, percebemos certa inibição em alguns
quanto a esse procedimento; era comum perguntarem se não poderiam responder ao
questionário por escrito, em vez de terem o diálogo gravado. Como alguns resistiram aos
nossos argumentos, aceitamos a proposta de responderem por escrito mesmo sabendo que
as respostas poderiam ser mais condensadas. Assim, dos oito entrevistados, cinco
professores/as aceitaram nossa proposta de gravação da entrevista um/a foi entrevistado/a
no Museu dos Dinossauros, outro/a no CESUBE e os outros três em suas residências. Os outros
três professores/as, que não aceitaram ser entrevistados, responderam, por escrito, no CESUBE.
51
Em nosso diálogo com alunos/as, também percebemos certa inquietação quanto à
técnica empregada. Igualmente, propuseram responder à entrevista por escrito. Recorremos,
então ao mesmo procedimento que usamos no caso dos/das professores/as: aceitamos as
respostas por escrito de quatro alunos/as. Assim, dos oito alunos/as, quatro nos receberam em
suas residências para a entrevista, permitindo a gravação de nosso diálogo em áudio, enquanto
os outros quatro responderam, por escrito, no CESUBE.
As entrevistas com professores/as se basearam em princípios dialógicos compatíveis
com a concepção de Freire de que
Diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro em que se
solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser
transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar
idéias de um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de
idéias a serem consumidas pelos permutantes. (2005, p. 91).
Nessa perspectiva, procuramos interagir com os sujeitos da pesquisa, abrindo espaço para
suas manifestações, que certamente poderão ter continuidade ao tomarem conhecimento dos
desdobramentos de suas vozes, desencadeadoras de nossas análises.
As narrativas dos entrevistados colaboraram para a maior compreensão: da formação
profissional; do estabelecimento de parcerias entre museus e demais instituições formadoras e
da valorização dos espaços não-formais de aprendizagem. Ao mesmo tempo, ressaltaram a
existência de lacunas nos cursos de formação de professores/as relativas ao estudo dos
espaços educacionais alternativos. Das dezesseis entrevistas, selecionamos quatro com
professores/as e quatro com alunos/as, por entender que ofereciam contribuições significativas
ao processo de análise ao apresentar diferentes pontos de vista.
A análise dos dados constitui momento crucial à concretização de uma pesquisa.
Nessa ótica, articulamos o relato dos sujeitos entrevistados com a fundamentação teórica
escolhida, considerando a vivência de professores/as e alunos/as. Para nós, a perspectiva
teórica que embasa este trabalho contribui para os propósitos de uma visão transformadora da
realidade educacional, possibilitando a (res)significação do papel social dos espaços
alternativos de aprendizagem.
As entrevistas foram analisadas à luz das categorias conceituais: mediação semiótica;
zona de desenvolvimento proximal (ZDP); museu como espaço didático; formação do
professor no espaço do museu; valorização do espaço museológico e museu como espaço
sociocultural de aprendizagem. Tais categorias o foram estabelecidas a priori, mas
52
emergiram de nossas interações com os sujeitos entrevistados, cujas vozes suscitaram
correlações e entrelaçamentos com as concepções teóricas. Nossa opção por trabalhar com
professores/as e alunos/as do curso de Ciências Biológicas do CESUBE abriu caminho à
compreensão da importância do estudo sobre o espaço museológico para a formação docente
e para as reflexões sobre atividades desenvolvidas no contexto do museu em prol do processo
ensino–aprendizagem.
53
4 PROPOSTA DE INTERAÇÃO ENTRE MUSEU E ESCOLA
Como preâmbulo da análise dos dados constituídos na pesquisa, sentimos a
necessidade de registrar aqui as dificuldades e facilidades encontradas na coordenação de
atividades pedagógicas do Museu dos Dinossauros em Peirópolis (Uberaba/MG).
Reconhecemos nisso a oportunidade de reforçar nosso ponto de vista sobre a interação dos
espaços não-formais com a escola.
Em razão da beleza estética e da riqueza cultural, científica e pedagógica desse
cenário, bem como do entusiasmo de estabelecer uma parceria entre museu, escola e
sociedade, resolvemos ampliar e incrementar as atividades educativas desenvolvidas no
Museu para torná-las mais prazerosas, interessantes, interativas, críticas e lúdicas. Nesse
primeiro momento, era necessário indicar novos caminhos para atrair estudantes e visitantes,
tanto quanto criar condições para que percebessem a importância do museu como espaço não-
formal de aprendizagem e alternativo à formação pessoal e profissional. Segundo Afonso, a
educação não-formal “caracteriza-se por possibilitar a transformação social, dando aos
sujeitos que participam desse processo, condições de interferir na história, refletindo-a,
transformando-a, logo, transformando-se” (1989 apud GARCIA, 2001, p. 152).
Com base no pensamento desse e de outros autores, acreditamos que educadores
necessitam buscar, nos espos alternativos o-formais, momentos de reflexão,
construção, transformão e reconstrução de conhecimentos para transformar as práticas
educativas. Assim, reconhecemos a necessidade de motivar os/as alunos/as e os/as
professores/as do CESUBE a perceberem o Museu dos Dinossauros como espo de
educação, cultura e construção de saberes. Faziam-se imprescinveis, portanto, a
elaboração e o desenvolvimento de atividades que despertassem interesse e curiosidade,
tornando o cenário do museu um espaço extensivo aos momentos formais de ensino e
aprendizagem. Certas medidas foram tomadas: inserção de um guia para mediar
conhecimentos e possibilitar a apropriação de saberes e a explorão dos recursos
oferecidos pelo museu — e propostas de atividades educativas capazes de mostrar a
importância do espaço museogico como constituinte do sujeito social, incentivando o
diálogo dos sujeitos com os objetos culturais. Essas propostas foram guiadas pela iia
de que:
54
É fundamental que não se esvazie, nas visitas guiadas, um dos papéis sociais
do museu, que seria o de apresentar objetos de cultura de forma crítica,
estimulando o diálogo destes com o público, lembrando sempre que a
mediação não pode se sobrepor à obra. (LEITE, 2005, p. 44).
Com tais considerações, as atividades educativas do Museu foram desenvolvidas por
meio de aulas interdisciplinares; seminários científicos e culturais; congressos municipais e
estaduais; aulas de campo para explorar o sítio paleontológico, fauna e flora, aspectos
arquitetônicos e geológicos; atendimento guiado e/ou monitorado por alunos do C ESUBE às
escolas visitantes; semana pedagógica e científica, também conduzida por alunos do CESUBE;
suportes pedagógicos, técnicos e científicos a alunos que pesquisam e desenvolvem projetos de
pesquisas no Centro de Pesquisas Paleontológicas; parcerias com escolas de ensino
fundamental, médio e superior para fornecer materiais destinados a eventos culturais e
científicos.
Dada a necessidade de ver nos espaços não-formais de ensino um campo alternativo
de novas aprendizagens, resolvemos mostrar aos alunos/as do CESUBE, no processo de
desenvolvimento das atividades acima citadas, a importância de relacionar o espaço do museu
com a formação de professores/as e a potencialidade da educação não-formal para a
constituição da profissão docente hoje um dos maiores desafios das políticas públicas
educacionais. Cabe aqui o pensamento de Marandino:
Cada vez mais este âmbito da educação científica vem sendo objeto de
reflexão e investigação e somente no Brasil, no ano de 1999, foram
realizados três encontros, um nacional e dois internacionais, que abordavam
esta temática específica. É também cada vez maior o número de pesquisas
que procuram entender os museus como espaços educativos e, neste sentido,
estudos sobre o processo de ensino–aprendizagem vêm se ampliando nesses
locais. Atualmente, o público é considerado o elemento central para
elaboração das exposições e dos programas culturais e educacionais
oferecidos nos museus. (2000, p. 18990).
Como diz essa autora, o público é o elemento central. Assim, os alunos precisam entender a
importância de se concretizar a relação entre espaço escolar e espaço museológico.
Sabe-se que a formação de professores/as é uma das principais preocupações do
sistema educacional brasileiro. E, nessa formação, devem ser valorizados os processos de
construção de valores culturais, científicos e pedagógicos, revendo-se os processos de
construção de um novo perfil de professor. Não seria o momento de se propor a inclusão de
estudos sobre espaços não-formais de ensino na organização curricular dos cursos de formação
docente?
55
5 DESDOBRAMENTOS DAS VOZES DE PROFESSORES/AS E ALUNOS/AS
As vozes de professores/as e alunos/as aqui destacadas somam-se às de muitos outros
sujeitos que lutam arduamente para transformar a realidade dos cursos de formação de
professores e das práticas sociais de aprendizagem. Os debates nessa direção evidenciam a
necessidade de se redefinirem e revitalizarem ações desenvolvidas nos cursos de Pedagogia e
em licenciaturas para se construir uma escola operante e apta a superar dificuldades. Nessa
perspectiva, os estudos museológicos contribuiriam, sobremaneira, para se formar um professor
com propósitos docentes diferentes dos de outras décadas, quando a educação tinha um sentido
autoritário e mecanicista.
Segundo Pereira, a atualidade exige “a formação do professor-pesquisador, ou seja,
ressalta-se a importância da formação do profissional reflexivo, aquele que pensa-na-ação, cuja
atividade profissional se alia à atividade de pesquisa” (2000, p. 41). A atualidade exige um
professor/a comprometido com a transformação social e mediador da produção cultural; exige,
portanto, o profissional que ultrapasse as ações do cotidiano da escola, ciente de que a formação
do homem se concretiza nas relações interpessoais que se estabelecem em todo e qualquer
espaço social. Segundo Leontiev,
O indiduo forma-se, apropriando-se dos resultados da história social e
objetivando-se no interior dessa história, ou seja, sua formação realiza-se por
meio da relação entre objetivão e aproprião. Essa relação se efetiva sempre
no interior de relações concretas com outros indiduos, que atuam como
mediadores entre ele e o mundo humano, o mundo da atividade humana
objetivada. A formão do indivíduo é sempre um processo educativo, podendo
este ser direto ou indireto, intencional ouo-intencional, realizado por meio de
atividades pticas ou de explanações orais, etc. (1978 apud DUARTE, 2004,
p. 51).
Se encarada como processo que se renova dia a dia, a formação não se finda, pois
novos conhecimentos vão surgir e novas práticas vão se efetivar. Assim, é premente valorizar
os locais não-formais de ensino como opção enriquecedora das atividades educativas. Como o
Museu dos Dinossauros de Peirópolis (Uberaba/MG) mostra ter o perfil de espaço formativo
para professores/as e alunos/as, visto que é espaço científico, cultural e pedagógico, nós o
reafirmamos como espaço não-formal que constitui hoje peça-chave na formação de
56
professores/as. Daí a necessidade de se criarem, nesse local, oportunidades para que
educadores/as e aprendentes ampliem seus repertórios culturais.
Com fundamento nessas considerações, construímos os questionamentos das
entrevistas dos/as professores/as e alunos/as do curso de Ciências Biológicas do Centro de
Ensino Superior de Uberaba (CESUBE), sujeitos do processo investigativo, a fim de obter os
dados para análises. Nestas, discutimos conceitos que se desmembraram das vozes dos
entrevistados mediação semiótica, zona de desenvolvimento proximal (ZDP), museu como
espaço didático, formação de professores no espaço do museu, valorização do espaço
museológico —, além de focarmos o Museu como espaço sociocultural de aprendizagem.
5.1 Mediação semiótica
A mediação semiótica é representada pelos sistemas de signos. Para Vygotsky,
segundo diz Pino, “o signo desempenha claramente a função de estímulo externo de uma
operação interna...” (2000, p. 56). Desenvolvido na teoria da psicologia histórico-cultural,
esse conceito alicerçou a análise das respostas de professores/as e alunos/as, cujos excertos
serão colocados em discussão.
Nesses termos, a pergunta sobre a visão do sujeito em relação ao museu como apoio
pedagógico obteve, do/a Professor/a 1, a seguinte resposta: O museu é aquele espaço
mágico, que faz com que as pessoas despertem a vontade de conhecer mais sobre aquele
assunto (cf. APÊNDICE A, p. 80). A resposta explicita a valorização do museu; porém, é
possível, ainda, se questionar: o que leva o indivíduo a considerá-lo como espaço mágico?
Os artefatos do museu foram mediadores semióticos a ponto de despertar a vontade de
conhecer mais sobre aquele assunto?
foi dito neste trabalho que o museu é valorizado como espaço educativo, de
construção do saber. Assim, quando visitado, pode gerar em seus visitantes “inquietações e
vontade de saber mais” (ARGOLO, 2005, p. 79), que se manifestam pelo desejo que tem o
homem de compreender melhor o que o circunda. Nesse sentido, o museu favorece, “a cada
nova visita [...], uma descoberta diferente, um novo desejo, novos sentidos” (Ibid., p. 79).
Esse favorecimento, entretanto, implica em mediação entre os artefatos culturais e o sujeito
visitante. É de se enfatizar que o objeto exposto no museu chamará a atenção do sujeito
conforme os interesses voluntários deste ou pelo modo como o objeto se destaca e desperta a
atenção. Por exemplo, se um cientista visita um museu, seu olhar e pensamento estão atentos,
57
voluntariamente, a objetos que podem não ser percebidos pelos visitantes não cientistas.
Porém, se esses mesmos objetos estiverem expostos de modo a atrair o olhar do público em
geral, decerto representarão sinais instigadores da interpretação dos sujeitos visitantes — sinais
que dizem algo a ser interpretado, a ser significado. Dessa forma, na condição de sinais
interpretáveis, tais objetos passam a ser signos: ao atribuir significado a um sinal, o homem o
transforma em signo. Nesse exemplo, dados objetos são signos tanto para o cientista — que os
interpreta seja qual for o modo de exposição — quanto para os visitantes — que os interpretam
por conta de um olhar curioso e afetado por algum motivo. Seja como for, tais signos podem
desenvolver o conhecimento e, assim, cumprir seus papéis de mediadores semióticos (PINO,
2005).
Dito isso, o museu se certifica como espaço de concretização das mediações
semióticas; e os signos, os instrumentos e as informações contidas nesse espaço podem vir a
ser elementos mediadores e auxiliares na relação do sujeito com o mundo social. Por meio dos
signos, o homem expressa as idéias que faz da realidade, por isso se constitui como ser
histórico, diferenciado, capaz de transformar e criar conceitos, desenvolvendo o processo de
significação das coisas do mundo.
Interposto entre o sujeito e o mundo cultural, o signo é o elemento mediador que
intervém na constituição do conhecimento. Seja a mediação do Outro, seja a dos signos, é fato
que o homem necessita dela para existir, aprender, refletir sobre a realidade e sentir o museu
como espaço mágico, que faz com que as pessoas despertem a vontade de conhecer mais
sobre aquele assunto (cf. APÊNDI CE A, p. 80).
Passemos à análise de outras duas respostas, dadas à pergunta já citada e à outra. À
primeira, foi dada esta resposta pelo/a Professor/a 3: “[...] possui diferentes elementos que
podem contribuir com o desenvolvimento de habilidades do visitante(cf. APÊNDI CE A, p.
85). Questionado/a sobre a contribuição do museu como espaço não-formal na constituição do
conhecimento, o/a Professor/a 4 respondeu: “[...] a riqueza de material ali apresentado não
estará nunca em uma sala de aula ao vivo, e nem os professores poderiam abarcar todo
aquele conhecimento e apresentá-lo de modo tão direto e chamativo (cf. AP ÊNDICE A, p.
87). Ambas as respostas deixam entrever o espaço do museu como acolhedor dos signos, que
são interpretados conforme o repertório cultural dos sujeitos interpretantes e como local
especialmente diferenciado de outros.
Com efeito, como diz o/a professor/a 4, uma sala de aula não abarca o material
apresentado num museu, tampouco o conhecimento que ele apresenta. Entretanto, cabe ao
58
museu despertar a atenção para o conhecimento que ele abarca, ou seja, fica sob sua
responsabilidade a criação de sinais capazes de despertar a atenção dos sujeitos visitantes a
ponto de serem significados e se tornarem signos. Isso porque os signos “desempenham um
papel importante no processo de internalização; são os verdadeiros sustentáculos da cultura
(DAVYDOV; ZI NCHENKO, 1994, p. 163), representando instrumentos psicológicos cruciais
ao desenvolvimento humano. Cabe ressaltar aqui outra vez que o processo do conhecimento não
se constitui na interação direta do homem com o objeto, pois tal interação requer mediação.
Vejamos o que diz o/a Aluno/a 2 ao falar sobre o que lhe chama mais atenção
quando visita um museu: Eu acho que é a curiosidade que nos leva a estar freqüentando
esses locais. Uma coisa que a gente não tem muito contato, fatos históricos e científicos, leva
a gente estar procurando esses locais para poder se informar melhor (cf. AP ÊNDI CE B, p.
92). Assim como esse aluno, muitas pessoas visitam o museu movidas pela curiosidade ou
obtenção de informações específicas sobre dado assunto. Devemos salientar que os diferentes
motivos das visitas ao museu não isentam o processo de mediação que nele se desenvolve; o
motivo de conhecer esse espaço apenas por curiosidades ambientais, por exemplo, não exclui
as possibilidades de constituição do conhecimento. Acreditamos que a curiosidade seja o
aspecto desencadeador da aprendizagem. E para que isso ocorra, a mediação é imprescindível.
Há diferentes formas de mediação semiótica, como as que resultam de recursos
tecnológicos. O computador e o vídeo podem ser considerados recursos inovadores para
enriquecer o cenário museológico e servir de instrumentos semióticos mediadores do
conhecimento. Os estudos tecnológicos têm apresentado resultados significativos na área
educacional nos espaços não-formais de ensino, ampliando as possibilidades dos mediadores
semióticos. Esse é o caso, por exemplo, dos recursos empregados no Museu da Língua
Portuguesa, na capital paulista.
Todavia, a mediação semiótica pode ser enriquecida, também, pela mediação do Outro
a mediação social. Na visita ao museu, é comum os visitantes deixarem de ver as
informações advindas de recursos tecnológicos porque estes não lhes atraem a atenção o
suficiente; com isso, quem perde são os visitantes. Agora, se tais recursos passarem a subsidiar
a mediação do outro, representado pelo sujeito-monitor, por exemplo, o efeito das informações
será diferente: abrirá possibilidades de o conhecimento ser constituído. Pensamos que o dizer
dos/as Professores/as 3 e 4 ancoram-se, também, nessa perspectiva de mediação semiótica.
Outra voz se soma à dos/as professores/as: a do/a Aluno/a 1, que, ao ser
questionado/a sobre o museu como espaço de aprendizagem, respondeu: Não adianta você
59
chegar e olhar aquela coisa que está ali. Tem que haver uma explicação, um
acompanhamento. Eu acho que, sem dúvida, é espaço de aprendizagem (cf. AP ÊNDICE B, p.
89). Aqui se evidencia a necessidade do outro a mediação social para que o
conhecimento se constitua. Para o/a Aluno/a 1, a presença do monitor no museu enriquece as
informações, muitas vezes advindas dos textos escritos para esse fim. No dizer de Vygotsky,
nas relações sociais “[...] nós nos tornamos nós mesmos através dos outros” (1989, p. 53–77
apud PINO, 2000, p. 65).
5.2 Zona de desenvolvimento proximal
Falar sobre a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), conceito da psicologia
histórico-cultural, implica reconhecer a importância da interação social para o
desenvolvimento cognitivo. Vygotsky define essa zona como a distância entre o nível de
desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial do sujeito: aquele se define pela
solução de problemas sem a ajuda do Outro; este, com a ajuda do Outro.
A ZDP é constituída por processos de desenvolvimento “que se tornam funcionais na
medida em que a criança interage com pessoas em seu ambiente, internalizando valores,
significados, regras, enfim, o conhecimento disponível em seu contexto social”
(PAL ANGANA, 2001, p. 130). Assim, a aprendizagem assume papel relevante porque
constitui a ZDP; noutros termos, o processo de desenvolvimento não coincide com o de
aprendizagem, tampouco esses processos têm a mesma identidade e ocorrem paralelamente. O
processo de desenvolvimento progride “de forma mais lenta, indo atrás do processo de
aprendizagem” (Ibid., p. 131). Portanto, na perspectiva da teoria vygotskyana, o homem
aprende para se desenvolver; e é o processo de aprendizagem que possibilita as interações
com o outro e o mundo cultural.
Na linha de raciocínio dessas concepções, foram analisados os dizeres dos/as
Professores/as 3 e 4, cujos excertos expomos a seguir. Questionado/a sobre a visão do museu
como apoio pedagógico, o/a Professor/a 4 respondeu:
[...] tenho certeza de que os museus deveriam ser visitados para enriquecer
as aulas de História, de Artes, de Geografia, enfim, de assuntos pertinentes,
não apenas como uma forma didática de aprendizagem, mas para uma
consciência crítica das realidades ali apresentadas e para a formação do
espírito científico. (Cf. APÊNDICE A, p. 87).
60
Como se pode depreender, o discurso desse/a professor/a marca a importância do
museu como forma de aprendizagem. Então poderíamos dizer que o museu atua na ZDP do
sujeito? Acreditamos que sim, mas essa resposta requer complementação. O contexto do
museu pode ser considerado espaço de aprendizagem se oferecer meios de informação e
mediação do conhecimento — como dissemos. No entanto, se o museu contar com auxilio do
guia e/ou monitor, ampliará a capacidade de alcançar seus objetivos. Com suas explicações, o
monitor cria oportunidades de aprendizagem e, por conseguinte, de avanço no
desenvolvimento do sujeito. Desse modo, mesmo sem ter a intenção, o monitor atua na ZDP
dos sujeitos visitantes. No caso dos visitantes-estudantes, eles podem aprender com o trabalho
de monitoria, construindo valores relativos aos objetos culturais. Assim, podem internalizar
conceitos que os auxiliem a ver aspectos da realidade por outro prisma, de forma autônoma.
Não seria esse um modo de criar uma consciência crítica das realidades ali apresentadas e
para a formação do espírito científico”, como disse o/a professor/a entrevistado/a?
Questionado/a sobre a contribuição do museu como espaço não-formal para a
construção do conhecimento, o/a Professor/a 3 assim respondeu: “[...] a cada visita ou
pesquisa podemos desenvolver diferentes olhares e descobrir novas abordagens no que diz
respeito ao processo educativo (cf. APÊNDI CE A, p. 85). O que faz cada visita ou pesquisa
ao museu ser diferente a ponto de despertar olhares e descobertas? Novamente, voltamos
nossa reflexão aos aspectos da interação social na constituição do conhecimento. A esse
respeito, Palangana ressalta:
[...] Vigotski demonstra como um processo interpessoal (social) se
transforma em um processo intrapessoal (psíquico). Ao descrever essa
passagem do social para o individual, ele destaca a importância da
experiência partilhada, da comunhão de situações, do diálogo, da
colaboração, concebendo, desse modo, o aprendizado como um processo de
trocas e, portanto, verdadeiramente social. (2001, p. 142).
Nesse sentido é de se pensar: a cada visita ou pesquisas realizada no museu, novas
interações podem ser construídas e, por conseguinte, outras descobertas podem ser
concretizadas. Proporcionadas pelos signos ou pelo Outro, tais interações firmam o
conhecimento como fato social compartilhado. Esses princípios tornam-se fundamentais ao
desenvolvimento das atividades concretizadas em um museu comprometido com a educação.
Posto isso, conclui-se que a construção do conhecimento ocorre mediante a
interação social, em locais formais ou o-formais de ensino, não esquecendo que a relação
com o Outro é fundamental para ativar processos de aprendizagem na zona de
61
desenvolvimento proximal. E o museu, que tem “[...] a finalidade de conduzir o aluno à
apropriação dos conceitos científicos elaborados pela humanidade” (FACCI, 2004, p. 78),
pode colaborar como mediador na ativação do desenvolvimento do homem, de forma
conjunta com o trabalho de monitoria ou independente dele.
5.3 Museu como espaço didático
Considerar o museu como espaço didático exige articulação do nosso pensamento
com as práticas docentes desenvolvidas no atual contexto educacional. E os dizeres dos/as
professores/as entrevistados deixam entrever múltiplas situações de ensino e aprendizagem,
merecedoras de destaque nesse processo de análise.
Questionado/a sobre a freqüência das visitações ao museu e seus aspectos
interessantes, o/a Professor/a 1 respondeu:
Mas eu acho que os museus são espaços fantásticos de aprendizado. Eu
acho que as escolas, os professores que podem contar com museus na
formação dos alunos são felizes porque podem contextualizar aquilo que, às
vezes, você fala e o aluno não percebe. No museu ele percebe, ele sente,
existem outras artimanhas para conseguir assimilar as informações. (Cf.
AP Ê NDIC E A, p. 79).
Disso se depreende: como outros/as, esse/a professor/a valoriza o museu na condição
de espaço de aprendizagem. Ao afirmar que nele existem outras artimanhas para conseguir
assimilar as informações”, abre espaço para questionamentos: como poderíamos definir essas
“artimanhas” que estimulam a atenção do estudante? Seriam didáticas? Seriam auxiliares do
trabalho docente? Seriam motivadoras da reflexão do professor sobre sua prática? De
imediato, pode-se responder afirmativamente a todas. Entretanto, tais questionamentos
merecem reflexão, que fazemos aqui, a começar pelo aspecto que envolve as atividades
desenvolvidas no museu como possibilitadoras da reflexão do/a professor/a sobre sua própria
prática.
Devemos ressaltar a importância das críticas em relação à própria prática. No caso
dos docentes, por exemplo, a necessidade da permanente pesquisa da prática pedagógica
para o avanço profissional e, por conseguinte, a melhoraria da qualidade do ensino. Interagir
com o processo da própria prática é fugir das mesmices, da rotina alienante e de tudo o que
representa a retroação. Para isso se faz necessário rever posições e até instrumentos
62
metodológicos que dão suporte às atividades e o próprio sentido que se dá à atividade
docente.
Nessa revisão, surge a oportunidade de se valorizarem os espaços alternativos de
aprendizagem como o museu. Ao ir ao encontro desses espaços, o/a professor/a dinamiza a
constituição do conhecimento, ampliando as possibilidades da mediação dos saberes, além de
primar pela qualidade dos instrumentos mediadores. Assim, nada mais apropriado que o
contexto do museu para oferecer tais oportunidades didáticas. Como se sabe, o conceito de
melhor qualidade na educação envolve múltiplos fatores. Segundo Imbernón, “a qualidade
não está unicamente no conteúdo, e sim na interatividade do processo, na dinâmica do grupo,
no uso das atividades, no estilo do formador ou professor, no material que se utiliza” (2001,
p. 99). Nesses termos, ao recorrer ao museu, o professor também aprende, sobretudo se
acreditar no pressuposto de que sua formação é contínua e constante. Nesse caso, pode-se
considerar a atividade desenvolvida no museu como didática e auxiliar do trabalho docente.
Ao expressar sua opinião sobre o museu como apoio pedagógico, o/a Professor/a 2
afirmou: “[...] os museus detêm importantes recursos pedagógicos. Mais do que isso, eles
representam a materialização da cultura e da história (cf. AP ÊNDI C E A, p. 83). Além de
firmar posição favorável ao museu como espaço pedagógico, o/a professor/a 2 refere-se a ele
como representante da “materialização da cultura e da história”.
Segundo Vygotsky (1997, p. 53–77 apud PINO, 2000, p. 54), “a cultura é a
totalidade das produções humanas (técnicas, artísticas, científicas, tradições, instituições
sociais e práticas sociais)”; logo, o museu é o espaço historicamente constituído que abriga,
pelo menos, parte dessa produção. Somado a outros fatores igualmente importantes, esse fator
dá ao museu nova dimensão, diferente da que o caracteriza como local de exposição de coisas
antigas e exclusivas dos contextos sociais do passado. Exemplo dessa concepção é a voz do/a
Aluno/a 3, que, ao explicar o que sentia ao entrar num museu, respondeu: “É como se a gente
estivesse voltando ao passado de nossos antepassados, o que aconteceu nessa época, o que
tinha e como era o ambiente (cf. APÊNDICE B, p. 94). Assim, urge relacionar dialeticamente
o passado com o presente e o futuro. A sensação de voltar ao passado” pode nos tornar mais
próximos de nossos antepassados, criando uma empatia favorável à compreensão daquela
época, pois “[...] repensar o passado, ressignificar a história, pensar o presente é indagar o
futuro” (PIACENTI NI; FANTIN, 2005, p. 69).
Expor a produção humana é expor o que o homem pensa, sente e cria. Portanto, os
museus comprometidos com os aspectos educacionais da sociedade desenvolvem palestras,
63
oficinas, semanas culturais e científicas, a exemplo do Museu dos Dinossauros foco desta
pesquisa. Assim, tomar o museu como espaço pedagógico diferente da escola nos leva ao que
propõe Herrero: “[...] o museu pode ser considerado como uma casa de cultura científica”
(1998, p. 144–62 apud MARANDINO, 2000, p. 204); assim como uma casa que abriga a
cultura da sociedade, preservando a própria cultura. Isso porque o museu é um espaço social,
organizado e fundamentado em princípios e valores ideológicos.
Ao ser questionado/a sobre a parceria de seu curso de formação profissional com o
museu, o/a Professor/a 4 respondeu: Minha formação é mais antiga, não era usual o aluno
fazer atividades extramuros (cf. APÊNDICE A, p. 87). No relato desse/a professor/a percebe-se o
descaso pelos locais alternativos de aprendizagem, que perdurou até meados da década de 1980.
a partir de 1990 foi dada ênfase a essa educação alternativa, quando se passou a valorizar os
processos de aprendizagem nela desenvolvidos e os valores que a permeavam (GOHN, 2001).
Nesse sentido, o houve mudança relativa ao modo de o homem aprender; houve, sim, uma
(res)significação dos espaços não-formais, que passaram a ser considerados como co-
responsáveis pela evolução do pensamento humano e de conceitos socialmente constituídos.
5.4 Formação do/a professor/a no espaço do museu
Se, como dissemos, a formação de professores/as é preocupação que permeia as
políticas públicas educacionais, o se pode dizer que estas tenham contribuído o suficiente
para transformar a realidade por exemplo, estabelecendo alternativas para que a formação
profissional docente se consolidasse a ponto de constituir pensamentos críticos e construtivos.
Nessa perspectiva, urge o desenvolvimento de uma visão mais aberta do/a professor/a quanto
a espaços não-formais de aprendizagem e a inclusão de estudos sobre tais espaços na
organização curricular dos cursos formativos, até mesmo para que “[...] futuros professores se
percebam como sujeitos construtores de sua prática” (CARVALHO, 2005, p. 123).
Em nossas entrevistas, questionamos os/as professores/as se levavam seus alunos ao
Museu dos Dinossauros, planejando e avaliando tal visita. Assim respondeu o/a Professor/a 3:
Sim. Sempre tive essa preocupação, não apenas com alunos universitários,
mas também com alunos da educação básica. Sempre acreditei que a
construção do conhecimento está além de uma única sala de aula. As
atividades sempre foram planejadas com antecedência, com comunicados,
agendamento, conhecimento prévio do local e relatórios. Após a visita, além
da entrega dos relatórios, é realizada uma socialização. (Cf. APÊNDICE A,
p. 85).
64
Esse/a professor/a mostra que acredita na vitalidade dos espaços não-formais de
ensino como fator contribuinte para a formação pessoal e profissional do/a futuro/a
professor/a, pois deixa claro que valoriza a programação de visita dos alunos de graduação
aos museus, especificamente ao Museu dos Dinossauros. Como esse local prima pelas
atividades mediadas por meio das relações sociais e dos signos, é provável que o/a Professor/a
3 cumpra os objetivos de suas freqüentes visitas. Se considerarmos que esse/a professor/a
planeja, avalia e discute a ida de seus alunos ao museu, então podemos afirmar que tais
elaborações representam o desenvolvimento de sua própria prática e da formação; mais que
isso, proporciona aos/às alunos/as oportunidades de melhor interação com a cultura para que
possam fazer críticas construtivas à realidade. Segundo diz Garcia-Canclini,
Vivemos em contextos de hibridização cultural, com processos múltiplos e
variados que colocam para a educação, assim como para as outras práticas
sociais, novas interrogações e novos desafios. Desse modo, cabe destacar a
importância de valorizar a esfera cultural, sua natureza, suas funções, suas
características, suas manifestões e suas desigualdades, e colocar-se em
defesa de uma orientação cultural na formação de professores. (2000 apud
CARVAL HO, 2005, p. 135).
Para nós, a orientação cultural na formação de professores/as vincula-se aos estudos
dos espaços que contribuem para o desenvolvimento do processo de apropriação dos produtos
culturais. E o museu é um desses espaços que enriquecem o repertório de saberes do homem,
merecendo maiores atenções dos educadores para com suas potencialidades. A implantação
de estudos nessa direção é o desafio que se descortina na formação dos professores/as,
considerando que
Cada passeio, cada visita, cada experiência suscita no contemplador
sensações e indagações únicas, desperta desejos, abre portas para novas
buscas e isso não poderia ser desperdiçado, encolhido. [...] Uma vez
vivida a experiência da contemplação, isto é, o processo de aproprião da
obra, os serviços educativos muitas vezes oferecem a oportunidade de
expressão — tradução da produção artístico-cultural de cada sujeito. Os
processos de apropriação e produção são, então, diferentes, porém
associados, uma vez que as exposições — assim como os livros, a música, os
espetáculos de dança ou teatro, entre outros são possibilidades de
ampliação de acervos interiores, de material variado para reelaboração,
favorecendo que o sujeito seja, sempre, autor e tenha assegurado seu espírito
de criação. (LEITE, 2005, p. 46).
Essas palavras nos reportam ao pensamento de Leontiev de que “a formação das
funções e das faculdades psíquicas próprias do Homem, como ser social, se dá sob a forma de
65
um processo de apropriação dos bens culturais...” (1978 apud FACCI, 2004, p.202). A
interação e apropriação da cultura, bem como o relacionamento com outras pessoas, é que vão
permitir o desenvolvimento do psiquismo humano. Conforme Facci, o processo de
escolarização contribui significativamente para esse desenvolvimento, pois
O professor, neste aspecto, constitui-se como mediador entre os
conhecimentos científicos e os alunos, fazendo movimentar as funções
psicológicas superiores destes, levando-os a fazer correlações com os
conhecimentos adquiridos e também promovendo a necessidade de
apropriação permanente de conhecimentos cada vez mais desenvolvidos e
ricos. (FACCI, 2004, p. 210).
Portanto, se o processo de apropriação da cultura possibilita a constituição do homem
criador, isso o representa, sobretudo nos momentos atuais da educação no país, um ponto
relevante a ser discutido e repensado nos cursos de formação de professores/as? Acreditamos
que a inserção de estudos sobre o museu nesses cursos abriria portas para reflexões dessa
ordem.
5.5 Valorização do espaço museológico
Este item, que versa sobre a valorização do espaço museológico, emergiu da voz do/a
Aluno/a 1 ao afirmar, categoricamente, sua credibilidade no museu como contexto de
aprendizagem:
Sem dúvida alguma. De forma geral não é você ir ao museu, ver, conhecer.
Não adianta você chegar e olhar aquela coisa que está ali. Tem que haver
uma explicação, um acompanhamento. Eu acho que, sem dúvida, é um
espaço de aprendizagem. (cf. APÊNDICE B, p. 89).
Essa expressão revela a convicção do aluno em relação ao significado que ele
atribui ao museu. Do que resulta tal consciência individual? Se acreditamos que o
homem se constitui socialmente, então quais práticas sociais desse aluno colaboraram
para que ele construísse o conceito de museu como espaço de aprendizagem? As
possibilidades de resposta são variadas, tendo em vista os vários e diferentes contextos
que possibilitam a prática social: escola, família, clube, cinema, roda de amigos,
grupos de estudo, os próprios museus numa palavra, todos os espaços de vivência
social.
66
Todos esses espaços guardam a possibilidade de mediação do conhecimento; em
todos poderão existir o Outro e o signo mediador, ou seja, poderão ser concretizadas
interações que resultam no desenvolvimento humano afinal, o é pela interação que o
homem se faz homem? Não se pode negar que as interações subjetivas produtoras de
conhecimentos e significados constituem a consciência individual; o homem internaliza os
significados sociais, desenvolvendo a própria consciência. Sobre o movimento das interações
subjetivas constituintes do conhecimento na perspectiva de Vygotsky, Palangana diz que:
Nesta interação subjetiva, o significado social adquire um sentido pessoal,
atribuído pelo sujeito, definindo-se, então, como significado individual,
psicológico. Embora os fenômenos psicogicos tenham suas especificidades,
nenhum deles pode ser compreendido isoladamente da atividade concreta do
indivíduo, pois é atras dela que o homem constrói, historicamente, seu
psiquismo, sua consciência, seu pensamento, enfim sua exisncia enquanto
homem. (2001, p. 123).
Esses conceitos e a fala do/a Aluno/a 1 nos permitem inferir que a concepção
de museu materializada naquela resposta reflete o processo de internalização do
significado social atribuído a esse espaço, além de revelar a qualidade de suas
interações sociais, concretizadas neste ou naquele contexto. A concepção de museu
como espaço de aprendizagem Sem dúvida alguma nos fez imaginar as experiências
sociais significativas que contribram para tal afirmão no que se refere ao espaço da
cultura e da memória humana. Nesse sentido, nossas interações com esse e outros
entrevistados nos autorizam a afirmar a importância dos momentos que também
internalizamos e que nos motivaram a buscar novos saberes, avaliados como
imprescindíveis a esta pesquisa.
5.6 Foco no Museu dos Dinossauros como espaço sociocultural de aprendizagem
Na entrevista com professores/as e alunos/as, questionamos, especificamente,
sobre o Museu dos Dinossauros, por ser ele o foco de referência da pesquisa. Visto que o
Museu objetiva difundir conhecimentos na área de paleontologia e geologia, bem como
despertar o gosto pela ciência, desenvolve atividades que estimulam os visitantes e
pesquisadores a mergulharem nas investigações científicas, pedagicas e esticas por
meio de oficinas, minipalestras, semirios, congressos, exposições, aulas
interdisciplinares e outras atividades.
67
Da fala do/a Aluno/a 1 ao responder o que sentia ao entrar em um museu,
destacamos essa afirmação: No Museu dos Dinossauros eu sinto um prazer muito bom, até
porque é uma coisa nossa, é uma coisa que a gente convive todos os dias (cf. APÊNDICE B,
p. 89). Embora seja guia turístico do Museu dos Dinossauros, momentos profissionais
vivenciados com esse/a discente nos autorizam dizer que a expressão coisa nossase refere
ao fato de o Museu estar vinculado ao Centro de Pesquisas Paleontológicas e ao Centro de
Ensino Superior de Uberaba (CESUBE) mantidos pela Fundação de Ensino Superior de
Uberaba (FUMESU). Trata-se de instituições de Uberaba, portanto nossas. Logo, são essas as
palavras encontradas por ele/ela para expressar a posse da cultura própria do lugar a que
pertence. Além disso, da expressão coisa nossa pode se depreender o sentido de nossa
existência, nossa história como seres eminentemente sociais.
Consideremos agora um recorte da fala de três alunos/as que evidenciam o papel do
Museu em suas formações. Questionado/a sobre sua experiência como monitor, estagiário ou
pesquisador em algum museu, o/a Aluno/a 2 respondeu:
Eu fiz parte do projeto pedagógico “Semana dos Dinossauros”, onde a
gente tem todo um compromisso pedagógico de estar levando os alunos e
dando explicações na área científica e também na área de escavação onde
os fósseis são depositados. (Cf. AP ÊNDICE B, p. 92).
Por sua vez, os/as Alunos/as 3 e 4, respectivamente, ao se expressarem sobre o que
gostariam de falar sobre o Museu dos Dinossauros, disseram o seguinte:
Achei importantíssimo o Museu ter sido restaurado e agora ser
reconhecido internacionalmente. Espero que cada vez mais ele possa
crescer porque seu crescimento o só ajuda a riqueza de
informações, mas também nossa cidade, as populões mais pximas.
(Cf. AP ÊNDIC E B, p. 95).
O Museu sempre foi e continuará sendo muito importante na minha
formação, além de ser um orgulho para mim como cidadã uberabense. (Cf.
AP Ê NDIC E B, p. 97).
Essas afirmações evidenciam a posição social do Museu dos Dinossauros, qual seja:
espaço da cultura de que se orgulha a sociedade local. Após a recente reforma, cresceu sua
repercussão em âmbito regional e nacional e, de certo modo, esse fato se reflete em benefício
do próprio Museu como espaço sociocultural de aprendizagem. O aumento do fluxo de
visitantes recebidos devido às novas instalações nos faz pensar nas possibilidades que se
abriram para novas mediações e para a criação de signos, assim como nas oportunidades para
68
que esse espaço não-formal de ensino amplie os momentos interativos com estudantes,
professores/as e pesquisadores.
A “Semana dos Dinossauros”, por exemplo, foi uma atividade desenvolvida pelo
museu para difundir conhecimentos científicos sobre essa espécie animal. O sucesso do evento
resultou de ações desenvolvidas com base nas interações sociais, sob a forma de oficinas,
palestras, seminários etc. Ao se atribuir tal importância às interações sociais, consideram-se os
efeitos das ações de um indivíduo sobre o outro. Nesse sentido, as atividades citadas se
traduziram em momentos de troca entre os sujeitos, a ponto de constituir conhecimentos. Daí o
mérito das funções da interação social — que Pino assim explica:
Se por interação social entendermos a forma concreta que as relações sociais
das pessoas tomam, ou seja, as ações e reações dos envolvidos numa relação,
a expressão “fuões da interação social” pode ser entendida, seja como o
princípio que rege essas ações e reações, seja como o efeito que as
ações/reações produzem nas ações/reações do outro. (2000, p. 71).
As considerações que aqui fizemos se referem a um espaço sociocultural de
aprendizagem específico: o museu. Mas isso não basta para que cenários museológicos se
transformem; como sabemos, o processo de transformação depende de ações conjuntas e
conscientes da realidade. Cada vez mais, o museu necessita assumir a mediação da produção
humana de modo eficaz e produtivo, para que assim proporcione aos monitores, estagiários,
futuros professores/as e demais visitantes a oportunidade de explorarem seu contexto e
compreenderem a história do homem social. Nesses termos, o museu se impõe como objeto
de estudo decisivo a ser integrado à organização curricular dos cursos de formação de
professores/as.
69
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A problemática resultante da ausência de estudos dos espaços não-formais de
aprendizagem nos cursos de licenciatura desencadeou este trabalho investigativo, que
procurou evidenciar a contribuição do museu como mediador do conhecimento e como
contexto educativo em especial para a formação de professores/as. A formação do
professor tem sido debatida nos meios educacionais, assim como em encontros científicos,
congressos e demais eventos destinados a refletir sobre as condições da educação no país.
Tais debates evidenciam a necessidade de uma formação crítica e eficaz do professor; que lhe
ofereça alicerces para que possa enfrentar a realidade social. Como reconhecemos a
necessidade de reformulação e transformação dos cursos formativos, defendemos a inclusão
de estudos sobre espaços não-formais de ensino na organização curricular de tais cursos
em especial sobre o museu para consolidar caminhos alternativos à construção do
conhecimento.
A pesquisa se desenvolveu não apenas com estudos teóricos; também — e sobretudo
— com as interações pessoais que estabelecemos com os sujeitos entrevistados: professores/as
e alunos/as do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba
(CES UB E). O Museu dos Dinossauros de Peirópolis (Uberaba/MG) foi o foco de referência
que subsidiou os relatos de experiências vividas nos espaços alternativos de aprendizagem. A
análise das entrevistas se fundamentou em concepções histórico-culturais do desenvolvimento
humano, em especial da psicologia histórico-cultural de Vygotsky. Nessa perspectiva,
conceitos como mediação semiótica e zona de desenvolvimento proximal (ZDP) permearam o
processo analítico, orientando o pensamento reflexivo.
Nas vozes de professores/as e alunos/as, percebemos pontos comuns relativos à
concepção do museu como espaço pedagógico e pontos diferentes referentes às vivências dos
sujeitos no contexto não-formal de aprendizagem. Dos relatos de professores/as, destacamos a
concepção de museu como espaço de interação social, aquisição cultural e pedagógica
estímulos a curiosidades e incentivos à pesquisa. Se as análises evidenciam o papel
importante do museu na formação do sujeito social, a lacuna referente ao estudo dos espaços
museológicos nos cursos de formação de professores/as ainda perdura.
70
Também no texto foram apontadas as atividades desenvolvidas na execução de
parcerias entre museu e instituições escolares, com enfoque no Museu dos Dinossauros
embora saibamos que as parcerias com instituições formais de aprendizagem para favorecer a
construção do conhecimento não ocorrem em todos os museus do país.
Por isso, acreditar que a construção do conhecimento está além da sala de aula
como expressou um dos sujeitos entrevistados é reafirmar as inúmeras possibilidades de
ensino e aprendizagem dos espaços alternativos. Nessa ótica, é desejável incluir estudos sobre
tais espaços nos cursos de formação docente, abrindo caminhos à reflexão do professor que
possam auxiliá-lo a compreender, cada vez mais, a condição humana e, por conseguinte, o seu
papel e contribuição na formação do educando. Eis por que insistimos nos aspectos aqui
ressaltados.
Ao finalizar este trabalho, desejamos que ele seja socializado e interaja com outras
vozes para compor um corpo de produções efetivamente comprometido com a formação do
professor.
71
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79
APÊNDICE A
ENTREVISTAS DOS/AS PROFESSORES/AS 1, 2, 3 E 4
Professor/a 1
Costuma visitar museus? Gosta? Acha interessante? Por quê?
Uberaba praticamente o tem muitos museus, mas praticamente todos os anos a gente
visita os museus com as escolas, principalmente na rego de Belo Horizonte e Lagoa
Santa. Em Uberlândia também tem um museu de mineralogia. Ultimamente, por eu estar
vivendo mais a geologia, eu tenho procurado mais os museus ligados à área, os museus
teticos de mineralogia. Em Ouro Preto tem museus muito interessantes ligados à
paleontologia. Mas eu acho que os museus são espaços fansticos de aprendizado. Eu
acho que as escolas, os professores que podem contar com museus na formação dos
alunos são felizes porque podem contextualizar aquilo que, às vezes, você fala, e o aluno
o percebe. No museu, ele percebe, ele sente, existem outras artimanhas para conseguir
assimilar as informações.
Na sua formação profissional, sua escola teve parceria com museus?
Eu me graduei em Geologia na UFMG de Belo Horizonte. Apesar de ser uma grande
universidade, ter um museu de hisria natural, hoje eu vejo de uma forma estranha, pois
nenhum professor motivou, em nenhum dos cinco anos fomos convidados a fazer uma
visita ao museu. Eu fui conhecer o museu da UFMG depois, enquanto professor, atras
das visitas técnicas que a gente faz ao museu da PUC, no qual o professor Cartelli é
curador e curador também do museu da UFMG. O museu é fantástico, tem coisas
superinteressantes na área da paleontologia, que é a área mais espefica, e que passou
batido. Eu me lembro, apesar de fazer quase vinte anos que formei, que os professores
falaram do museu da UFMG, que era interessante, mas ninguém tomou iniciativa de nos
levar. s acabamos visitando um museu, mas acho que foi o museu Federal de Ouro
Preto, no caso, foi um trabalho de campo, que eles acharam interessante por causa dos
minerais e das rochas. Eu acho que agente não visitou também porque a paleontologia do
museu de história natural da UFMG, um museu muito voltado para a paleontologia, eu
80
acho que a paleontologia era uma disciplina muito vaga dentro da geologia da federal. Na
federal eles eram muitos preocupados em formar o geólogo, o geólogo da prospeão
mineral, eno eles não achavam muita importância na história da vida no planeta, então
eu acho que passou despercebido e eu acho que fez falta. Se eu tivesse estudado, eu teria,
talvez, tomado um caminho a diferente ou antecipado o caminho que eu tomei. Acabei
vindo para Uberaba e vim trabalhar no Museu dos Dinossauros. Se eu tivesse ficado por
lá, talvez tinha aberto uma perspectiva de ter buscado antes o Museu dos Dinossauros de
Uberaba.
Você o museu como apoio pedagógico? Por quê?
Claro. O museu é aquele espaço gico, que faz com que as pessoas despertem a vontade
de conhecer mais sobre aquele assunto. Ainda mais quando a pessoa tem, se identifica
com o que es precisando. Por isso a importância dos museus. A exposição tem de ser
montada de forma a despertar a vontade da pessoa estar ali em busca de algum
conhecimento. Realmente, pela experncia que a gente tem aqui no Museu dos
Dinossauros, a gente que isso pode marcar a visita da pessoa. Uma visita em um lugar
que você goste, que acha interessante, pode redirecionar a vida, a profissional da pessoa
e pode oferecer uma opção nova de outro curso superior. Aqui, esse trabalho de
Peipolis, quantas criaas passam aqui e muitas vão buscar o ensino da geologia e
paleontologia aplicada no museu. Eno eu acho que o museu pode despertar e
redirecionar a vida profissional de uma pessoa. Acho de suma importância as visitas aos
museus porque são uma fonte de conhecimentos. É superlegal e faz com que as pessoas
se motivem a visitá-los sempre.
Acredita que o museu contribui, como espoo-formal, para a constrão do
conhecimento? Por quê?
Sim. Quando a gente retorna da aula no museu, toda uma reflexão por parte dos
alunos. O que eles acharam, eles sempre reportam isso nos documentos através do
relatório. Nenhuma atividade extramuros que é feita na faculdade, é feita sem relatório. O
relatório serve como um feedback do que o aluno viu, o que ajudou ele a fortificar a
conceão daquele conhecimento. Sempre os relatórios são positivos porque todos acham
que as visitas a museus, as atividades extramuros contribuem muito mais do que as aulas
convencionais, teóricas. É claro que, mesmo você sendo um ótimo professor, você não
81
tem elementos visuais para poder inserir naquele universo. Então, eu acho que é
fundamental.
Costuma levar seus alunos ao Museu dos Dinossauros? Por q? Planeja esta visita?
Avalia a atividade após o término da mesma?
É claro, como professor do CESUBE e da UNIUBE a gente jamais poderia deixar de trazer
os alunos ao Museu dos Dinossauros porque é um espo de informações, não só de
fósseis, mas de construções, e é onde você realmente pode vivenciar, na prática, o que
você passa na teoria em sala de aula. O retorno é muito bom. Geralmente, quando a gente
vem ao museu, s preparamos o aluno. Eu uso o museu como espo tamm de ensino
formal. A visita aqui não é só para ver a beleza do fóssil. A gente faz seminários, trabalha
com as eras geogicas, tenta inserir a diversidade da vida desde o primeiro ser, como
que aconteceu a o homem, que é praticamente o hoje. É legal porque você tem
elementos, tem dados para mostrar isso e fazer daquele espaço, daquele momento, um
momento em que o aluno pode utilizar os fósseis, os painéis para regatar, melhor ainda, o
conhecimento e o que aconteceu no passado. É imprescinvel a visita ao museu.
Também tem o lado cidao. Uberaba dise de uma riqueza paleontológica muito
grande. Acho um absurdo a comunidade não valorizar um patrimônio local. Um
patrinio que resgata parte da vida do planeta, que é única. Em Uberaba nós temos
fósseis únicos e queo tem em outros locais do ps. È importante que o cidao
reconheça o valor da terra, pois assim ele valoriza. É uma forma de permitir uma
mudaa de conceão da populão.
Desenvolve algum tipo de trabalho ou pesquisa com seus alunos no Museu dos
Dinossauros? Faz o acompanhamento periódico do(a) mesmo(a)?
Teve alguns projetos de iniciação científica com os alunos e a já estamos colhendo os
frutos. Um deles já es fazendo mestrado. Isso é um fruto que a coisa funcionou. Nós
conseguimos atras das pesquisas desenvolvidas aqui no Museu dos Dinossauros,
conseguimos envolver as pessoas para que elas pudessem optar pelo estudo da
paleontologia, e isso se torna cada vez mais freqüente. À medida que as pessoas tomam
da situação e vêem a imporncia, o avanço do conhecimento científico, isso acaba
incentivando um número maior de pessoas a buscarem e a inserirem nesse contexto da
pesquisa, da paleontologia.
82
Como formador de professores, vê a necessidade de inserir no curso de Ciências
Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE) a disciplina
Museologia? Por q?
Eu acho que conhecimento não ocupa espaço. Apesar de não saber se algum curso de
Ciências Biológicas tem a disciplina Museologia, nas grandes universidades tem as
disciplinas optativas e que você pode fazer disciplinas de outros cursos. Acho que a
FUMESU, sendo proprieria do Centro de Pesquisas e Museu dos Dinossauros e que tem
perspectivas de crescimento, através desses projetos que estão chegando agora, eu acho
que a museologia pode crescer bastante. Se houvesse a possibilidade de criar a disciplina
para enfocar o trabalho do Centro de Pesquisas dentro dos cursos... Eu não vejo como
fazer isso a curto espaço. Uberaba não dise de pessoas para fazer isso, precisaria de
uma geso política para fazer isso. Valorizaria mais a fuão do museu.
Para você, qual o papel pedagico do Museu dos Dinossauros na formação dos
alunos do curso de Cncias Biologias do Centro de Ensino Superior de Uberaba
(CESUBE)?
O papel pedagico é o resultado das respostas que eles nos dão. Realmente quando eles
em aqui, eles saem bastante motivados e interessados nessa área de conhecimento. O
Museu dos Dinossauros tem despertado muito o aluno do CESUBE, principalmente na
área das geociências geologia e paleontologia. Se não houvesse o museu e as visitas
aqui, acho que os alunos passariam pelas disciplinas de geologia e paleontologia como eu
passei. Passei sem saber nada e sem interagir e sem saber a importância disso. Aqui, pelo
contrário, apesar da instituição ser pequena, a gente tem colhido muito mais frutos que
grandes instituições que têm museus, mas que não permitem que os alunos participem das
ações desenvolvidas por eles.
Você gostaria de falar sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
É uma das coisas que eu possa realçar bastante é o efeito social do Museu dos
Dinossauros. O museu não é só o que a gente acabou de falar, um espaço o
convencional de ensino, de educação. O museu tem imporncia o só científica,
educacional, mas tamm social. Se a gente olhar Peirópolis 20 anos atrás e olhar
agora, a gente que a comunidade local tem no museu um espelho, uma fonte de
83
emprego. Mostra que o fóssil, numa visão bem moderna, pode ser muito bem utilizado
como elemento de revitalização socioecomico-cultural da comunidade. Fóssil não
precisa ser vendido para gerar riqueza, deve ser explorado no seu lado museológico
atras do turismo paleontológico. ele faz cumprir todas as suasões: pesquisa,
ensino e difuo do conhecimento e tamm ação social, gerar emprego e permitir que as
pessoas vivam melhor. É o grande dado do Museu dos Dinossauros e que a comunidade
científica brasileira já percebeu.
Professor/a 2
Costuma visitar museus? Gosta? Acha interessante? Por quê?
Gosto de visitar museus, porém, em função de tempo, tenho freqüentado pouco. Acho
muito interessante, principalmente porque, quase sempre, uma visita a um museu nos
permite um retorno à história.
Na sua formação profissional, sua escola teve parceria com museus?
Na minha formação acamica-profissional, tive poucas oportunidades de visitar museus.
Não me recordo de parcerias que viabilizassem tais contatos.
Você o museu como apoio pedagógico? Por quê?
Penso que os museus detêm importantes recursos pedagógicos. Mais do que isso, eles
representam a materialização da cultura e da história, pasvel de serem transmitidas à
nossa geração e às pximas.
Acredita que o museu contribui, como espoo-formal, para a constrão do
conhecimento? Por quê?
Exatamente porque os museus se constituem em elos entre passado e o futuro. Valorizar
os museus significa valorizar a própria cultura e o patrimônio histórico e artístico, os
quais são componentes fundamentais na construção do conhecimento.
Costuma levar seus alunos ao Museu dos Dinossauros? Por quê? Planeja esta visita?
Avalia a atividade após o término da mesma?
84
Por conta dos conteúdos que discuto com os meus alunos, que são mais tricos e
metodológicos, o tenho executado atividades no Museu dos Dinossauros com meus
alunos. Pom, sempre que tenho oportunidade, fo questão de ressaltar o valor e a
pertincia da freqüência ao museu.
Desenvolve algum tipo de trabalho ou pesquisa com seus alunos no Museu dos
Dinossauros? Faz o acompanhamento periódico do(a) mesmo(a)?
Não, porque como já escrevi, os temas que freqüentemente são objetos dos nossos
estudos tratam de aspectos gerais, teórico-metodológicos.
Como formador de professores, vê a necessidade de inserir no curso de Ciências
Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE) a disciplina
Museologia?
Penso que esta proposta é muito interessante, quando não disciplina obrigatória, pelo
menos como optativa a ser oferecida uma vez a cada dois anos, pelo menos. Creio que
seria de grande proveito.
Para você, qual o papel pedagico do Museu dos Dinossauros na formação dos
alunos do curso de Ciências Biogicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba
(CESUBE)?
Entendo que as paleoformas, os paleoclimas etc. são fundamentais para a explicão dos
fenômenos geográficos atuais. Neste sentido, o Museu dos Dinossauros oferece recursos
inestimáveis.
Você gostaria de falar sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
De forma geral, compreendo que cada museu, com suas especificidades, dem um
potencial e recursos, que levam ser melhores aproveitados com finalidades pedagógicas.
Professor/a 3
Costuma visitar museus? Gosta? Acha interessante? Por quê?
85
Sim, visito e gosto. Além de achar interessante acredito que seja mais que necesrio,
desenvolver esse tipo de cultura na população,o apenas na educão formal mas,
também, como educão informal.
Na sua formação profissional, sua escola teve parceria com museus?
Por parte da Instituão e como curculo, não. Mas tive dois professores que, por conta
própria, nos levavam para visitas técnicas em museus de mineralogia, geologia,
paleontologia e de artes.
Você o museu como apoio pedagógico? Por quê?
Claro que sim, porque possui diferentes elementos que podem contribuir com o
desenvolvimento de habilidades aos visitantes.
Acredita que o museu contribui, como espo o-formal, na construção do
conhecimento? Por quê?
Contribui muito e é essencial, pois a cada visita ou pesquisa podemos desenvolver
diferentes olhares e descobrir novas abordagens no que diz respeito ao processo
educativo tanto formal quanto o-formal.
Costuma levar seus alunos ao Museu dos Dinossauros? Por q? Planeja esta visita?
Avalia a atividade após o término da mesma?
Sim. Sempre tive essa preocupação, não apenas com alunos universitários, mas tamm
com alunos da Educação Básica. Sempre acreditei que a construção do conhecimento es
além de uma única sala de aula. As atividades sempre foram planejadas com
antecedência, como comunicados, agendamento, conhecimento prévio do local e
relatórios. Após a visita, além da entrega dos relatórios, é realizada uma socialização.
Desenvolve algum tipo de trabalho ou pesquisa com seus alunos no Museu dos
Dinossauros? Faz o acompanhamento periódico do (a) mesmo (a)?
Enquanto professor, realizo visitas cnicas e atividades integradas. Como Coordenador
de Curso, faço acompanhamento perdico atras do Programa de Iniciação Cienfica
quando há algum aluno do curso desenvolvendo pesquisa no local.
86
Como formador de professores, vê a necessidade de inserir no curso de Ciências
Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE) a disciplina
Museologia?
Sim, é uma proposta é muito interessante por existir disciplinas afins na grade curricular
do curso e, principalmente, pela ligão do Centro de Pesquisa com a Instituição, atras
do PIC e como campo de estágio.
Para você, qual o papel pedagico do Museu dos Dinossauros na formação dos
alunos do curso de Cncias Biologias do Centro de Ensino Superior de Uberaba
(CESUBE)?
Desenvolver diferentes habilidades nos alunos a partir das competências propostas no
Curso e pelo Museu, bem como no PIC e em específicos nas disciplinas específicas e
pedagicas.
Você gostaria de falar sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
Acredito que os museus fazem parte dos espos educacionais que contribuem para o
aumento de novas fontes voltadas para a construção do conhecimento. Quanto ao Museu
dos Dinossauros, o querendo ser bairrista, creio que seja um dos melhores do país. Para
quem conheceu o local onde era guardado o material encontrado e hoje poder utili-lo
como espo pedagógico e de pesquisa, só tenho a elogiar a equipe que tem
proporcionado constante crescimento nestes últimos anos, tanto nos aspectos científicos
quanto pedagicos. Infelizmente sem o reconhecimento e sem o apoio dos setores
políticos e culturais locais.
Professor/a 4
Costuma visitar museus? Gosta? Acha interessante? Por quê?
Sim. Sempre que tenho oportunidade gosto de ir a museus. Infelizmente, as
oportunidades o poucas, devido ao fato de não viajar muito, por motivos financeiros.
Sinto-me bem em museus, acho o ambiente contagiante e envolvente. Conheço o Museu
de Arte Sacra e o Museu dos Dinossauros em Uberaba e Peirópolis. Conheci o Museu de
História na cidade do México quando estive lá.
87
Na sua formação profissional, sua escola teve parceria com museus?
Infelizmente,o. Mas minha formação profissional é mais antiga...o era usual o
aluno fazer atividades extra-muros.
Você o museu como apoio pedagógico? Por quê?
Claro que sim. Como professora e pedagoga, tenho certeza de que os museus deveriam
ser visitados para enriquecer as aulas de História, de Artes, de Geografia, enfim, de
assuntos pertinentes, não apenas como uma forma didática de aprendizagem, mas
também para uma consciência crítica das realidades ali apresentadas e para a formação do
espírito científico.
Acredita que o museu contribui, como espoo-formal, para a constrão do
conhecimento? Por quê?
Sim. Porque a riqueza de material ali apresentada o estará nunca em uma sala de aula,
ao vivo, e nem os professores poderiam abarcar todo aquele conhecimento e apresentá-lo
de modo o direto e chamativo.
Costuma levar seus alunos ao Museu dos Dinossauros? Por quê? Planeja esta visita?
Avalia a atividade após o término da mesma?
Não. Primeiro, porque não leciono na educação básica (ensino fundamental e médio) que
possibilitaria tais visitas. Segundo, porque minhas atividades no ensino superior não
requerem tais visitas.
Desenvolve algum tipo de trabalho ou pesquisa com seus alunos no Museu dos
Dinossauros? Faz o acompanhamento periódico do(a) mesmo(a)?
Não.
Como formador de professores, vê a necessidade de inserir nos cursos de Cncias
Biológicas a disciplina Museologia?
Não no curso de licenciatura, porque o curso é para formar professores de Cncias no
ensino fundamental e de Biologia no ensino dio. Já se for no bacharelado, acredito que
sim, pois ampliaria o mercado de trabalho do egresso do curso e ainda possibilitaria a
pesquisa nesta área.
88
Para você, qual o papel pedagico do Museu dos Dinossauros na formação dos
alunos do curso de Cncias Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba?
Seria mais na parte de iniciação cienfica.
Você gostaria de falar sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros especificamente?
Acho o Museu pouco aproveitado para a construção do conhecimento nas escolas de
Uberaba. O trabalho pedagico feito lá durante algum tempo foi muito proveitoso e
organizado, mas o deram continuidade devido às mudanças políticas do governo
municipal.
89
APÊNDICE B
ENTREVISTAS DOS/AS ALUNOS/AS 1, 2, 3 E 4
Aluno/a 1
Você conhece algum museu?
Conho. Além do Museu dos Dinossauros de Peipolis, conheço o Museu do Zebu, o
de Arte Sacra e o Museu de Hisria Natural. Am de Uberaba, já tive a oportunidade de
conhecer o Museu da PUC de Belo Horizonte e vários museus em Ouro Preto, um deles o
Museu Internacional de Minerais e Rochas da Escola de Minas.
O que mais te chama ateão quando visita um museu?
Primeiramente, a forma de recepção do museu. Como é o atendimento, eu presto muita
atenção se existe alguma forma específica de receber o turista, como aquela exposição
está sendo exposta para o turista.
O que vo sente quando entra em um museu?
Cada um é uma sensão diferente. Por exemplo, no Museu de Arte Sacra eu tive a
sensação de estar tentando compreender a nossa religião. Você entra no Museu de
História Natural da PUC, você vai tentar entender o que aconteceu milhões de anos atrás
naquela região. Sempre uma sensação nova em cada museu. No Museu dos Dinossauros,
eu sinto um prazer muito bom, a porque é uma coisa nossa, é uma coisa que a gente
convive todos os dias. Mas, mesmo assim, cada dia, cada turma que a gente recebe é uma
sensação diferente, uma emoção diferente.
Você freenta algum museu? Qual(is)? Por quê?
Freento. Sou guia tustico do Museu dos Dinossauros.
Acredita que os museus possam ser espaços de aprendizagem?
Sem dúvida alguma. De uma forma geral, não é você ir ao museu, ver, conhecer. o
adianta você chegar e olhar aquela coisa que está ali. Tem que haver uma explicação, um
acompanhamento. Eu acho que, sem dúvida, é um espaço de aprendizagem.
90
Tem experiências como monitor, estagrio ou pesquisador em algum museu?
Primeiro, como monitor. O meu trabalho é receber os turistas, as criaas, os estudantes.
Estar mostrando a disposão do museu, os fósseis, explicando os dioramas, contando a
história da geologia, da paleontologia da nossa rego. Como pesquisa, a minha
monografia es sendo feita com base na identificação dos pontos fossilíferos da região.
Este trabalho vai identificar os pontos onde é possível encontrar fósseis. Am disso, o
museu é um local de formação de professores. O professor aprende e, conseqüentemente,
i passar para os seus alunos os novos conhecimentos. Nós aqui em Peirópolis
recebemos muitos alunos de licenciatura e bacharelado. Os de licenciatura ficam bastante
interessados, perguntam como é o dia-a-dia do museu, como é a melhor maneira de
explicar determinado assunto.
Os museus o desitos de objetos e informações?
Não, o concordo. Não é só você chegar lá e ver aquela peça e ter informação sobre
aquela peça. Você de uma forma ou de outra pode fazer uma crítica, opinar sobre aquele
museu, sugerir melhorias ou não. Não seria só depósito de informação, não. Você pode
aprender e ensinar dentro de um museu.
Por que os alunos do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de
Uberaba (CESUBE) procuram o Museu dos Dinossauros?
Dentro do curso temos a disciplina Geologia e Paleontologia. Nós temos muitos alunos
interessados nesta área. Então, eles querem aprender um pouco mais, mesmo que depois
ele não vá seguir essa linha de pesquisa, mas quer conhecer mais um pouquinho da
história da geologia da rego de Uberaba, da vida dos dinossauros, de como era a região,
o ambiente naquela época. Os alunos que o seguir a carreira de professor poderiam
aplicar tudo isso no dia-a-dia de sala de aula.
Qual a relão do seu curso com o Museu dos Dinossauros?
Durante dois anos, tive a disciplina Geologia e Geomorfologia. O Museu dos
Dinossauros e o Centro de Pesquisas Paleontológicas abrem um espo a mais para o
meu aprendizado nessas duas disciplinas, principalmente na geologia. o pelas
disciplinas, mas se justifica pela vinculação ao CESUBE, onde o aluno vai ter um campus
a mais de pesquisa, ele vai poder vivenciar a prática, descobrir que o museu é realmente
um local especial de formação de professores.
91
Como você avalia a inclusão da disciplina Museologia no seu curso?
Não. A gente não tem essa disciplina no curso, mas acho que seria importante. Ajudaria
muito a quem vai ao museu a entender melhor a estrutura museogica dele.
Você já fez algum trabalho no sítio paleontológico ou no espaço interno do Museu
dos Dinossauros? O professor acompanhou esse trabalho pessoalmente?
Sim. O prof. Luiz Carlos sempre acompanhou o trabalho. Nos primeiros anos, nós
tínhamos muitas aulas no museu. Os trabalhos de campo de geologia eram também
acompanhados.
Qual o papel pedagico do Museu dos Dinossauros na sua formação profissional e
pessoal?
Profissional, eu diria que é de suma imporncia porque vou sair com uma carga muito
boa sobre museu. Vou estar preparado para enfrentar uma turma de aluno, vou ter noção
de como preparar esses alunos para visitarem museus e vou poder explicar um pouco de
cada museu, como que fica a disposição do material que vai ser visitado. Isso eu acho que
é muito importante para a minha formão pessoal e profissional.
Você gostaria de falar algo sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
Como estudante e visitante, conho rios museus de Uberaba e fora de Uberaba. Mas
eu nunca vi, nesses museus, um trabalho pedagógico como é feito aqui no Museu dos
Dinossauros, onde os visitantes, as criaas de ensino fundamental e médio têm sala de
deo, tem uma pessoa coordenando essas atividades. Esse trabalho é feito com crianças,
jovens e adultos, além dos professores. E isso eu nunca vi nos museus que tive
oportunidade de conhecer. Você chega no museu, tem atendimento, te explicam o que
está sendo mostrado ali, a história daquele objeto, a importância daquele museu, mas
você o tem aquele atendimento pedagico que tem em Peipolis.
Aluno/a 2
Você conhece algum museu?
Eu conheço o de Uberaba, o Museu dos Dinossauros, conho o de Rio Claro, de
Mineralogia e de fósseis, conho o de Ouro Preto e da PUC de Belo Horizonte tamm.
92
O que mais te chama ateão quando visita um museu?
Eu acho que é a curiosidade que nos leva a estar freqüentando esses locais. Uma coisa
que a genteo tem muito contato, fatos históricos e científicos, leva a gente estar
procurando esses locais para poder se informar melhor.
O que vo sente quando entra em um museu?
Quando eu entro no museu, acho que a primeira coisa que a gente procura é algo que a
gente nunca tenha visto, nunca tenha entrado em contato. Quando a gente começa a
observar, começa a procurar, geralmente são as coisas mais diferentes que chamam a
nossa atenção.
Você freenta algum museu? Qual(is)? Por quê?
Freento. O museu que eu mais freento é o de Uberaba, o Museu dos Dinossauros.
Freento, primeiro, pelo acesso, que é bem mais cil, depois porque fica na cidade
onde eu resido e porque é uma área também de grande conhecimento, até porque é uma
área que eu pretendo atuar futuramente. Eno, eu acho o local muito bom.
Acredita que os museus possam ser espaços de aprendizagem?
Com certeza. Os museus são estímulos extra-sala de aulas ou mesmo para o turismo em
geral. É uma forma de estar explorando aquilo que, às vezes, a gente não compra em uma
revista, em um jornal, livros, é uma coisa nova, mas excelente.
Tem experiências como monitor, estagrio ou pesquisador em algum museu?
Eu fiz parte do projeto pedagógico Semana dos Dinossauros”, onde a gente tem todo um
comprometimento pedagógico de estar levando os alunos e dando explicões na área
científica e tamm na área de escavação onde os fósseis eso depositados. Eu tamm
desenvolvi um trabalho de inicião científica, fazendo um levantamento flostico da
área de Peirópolis. É uma área de cerrao e matas ciliares.
Acha que os museus são depósitos de objetos e informações?
Eu acho que depende muito do observador. Depende do que ele está procurando, daquilo
que ele quer se informar. Ás vezes ele pode chegar lá e lá não tem nada que interessa
para ele, mas tamm pode ser ao contrio.
93
Por que os alunos do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de
Uberaba (CESUBE) procuram o Museu dos Dinossauros?
Porque é muita interação entre a biologia e a paleontologia, embora a gente não trabalhe
só com fósseis. Atras da biologia atual a gente pode estudar o possível detalhamento de
animais antigos, tanto em relação à ecologia quanto à anatomia desses animais.
Qual a relão do seu curso com o Museu dos Dinossauros?
Com certeza, pelo ângulo geral da biologia. Quando a gente aplica a ecologia, é posvel
a gente estudar paleoecologia, paleobonica, anatomia desses animais e a o tipo de
comportamento deles.
Como você avalia a inclusão da disciplina Museologia no seu curso?
Isso é muito importante porque, quando a gente procura os museus, a gente acaba
despertando um certo interesse. Quando a gente trabalha em escola, é uma forma de estar
extrapolando tudo aquilo que a gente teoricamente, na ptica. Então, a gente acaba
estimulando alunos ou mesmo pessoas do curso superior a trabalhar a curiosidade. Acho
isso muito importante. Quanto mais esse espaço que a gente tem for ocupado, melhor.
Você já fez algum trabalho no sítio paleontológico ou no espaço interno do Museu
dos Dinossauros? O professor acompanhou esse trabalho pessoalmente?
Nós fizemos alguns semirios no museu, com orientação do professor Luiz Carlos, que
passava todas as informações para nós, além da parte trica, a ptica. Fizemos parte da
Semana dos Dinossauros”, passando toda aquela informação para os alunos que
freqüentaram, observando a faixa etária e o levantamento florístico que eu faço dessa
área.
Qual o papel pedagógico do Museu dos Dinossauros na sua formão profissional e
pessoal?
É muito importante porque é um processo em que a gente acaba descobrindo como é a
forma de trabalho, como que a gente realiza o trabalho, as dificuldades encontradas na
profissão.
Você gostaria de falar algo sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
94
O museu facilita muitas coisas para os profissionais da área. Todos os trabalhos
desenvolvidos facilitam a visualização dos turistas que ali freqüentam. Eu tenho que
agradecer ao prof. Luiz Carlos pela oportunidade que ele ofereceu aos alunos do curso de
Ciências Biogicas de participarem de vários momentos importantes para a nossa
formão.
Aluno/a 3
Você conhece algum museu?
Tive a oportunidade de conhecer dois museus: o Museu dos Dinossauros em Peirópolis e
o Museu de História Natural.
O que mais te chama ateão quando visita um museu?
No Museu de História Natural, o esqueleto montado de alguns animais me impressionou
bastante e tamm alguns animais empalhados, além dos escritos que narram o que
aconteceu com essas espécies em extião, é o caso do Museu dos Dinossauros.
O que vo sente quando entra em um museu?
É como se a gente estivesse voltando ao passado de nossos antepassados, o que aconteceu
nessa época, o que tinha e como era o ambiente.
Você freenta algum museu? Qual(is)? Por quê?
Sim, o Museu dos Dinossauros e o de Hisria Natural, raramente. Devido a parceria com
da FUMESU com o Museu dos Dinossauros e, de vez em quando, para passear e visitar o
Museu em Peirópolis.
Acredita que os museus possam ser espaços de aprendizagem?
Sim, neles estao contidos parte de nossa história como tamm do nosso presente. Tudo
isso é aprendizagem.
Tem experiências como monitor, estagrio ou pesquisador em algum museu?
Sim, como monitor na “Semana dos Dinossauros”. Ainda o tive oportunidade de
desenvolver algum trabalho lá em Peirópolis, mas o farei brevemente.
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Acha que os museus são depósitos de objetos e informações?
Não diria depósitos, mas sim fontes de objetos e informações não para os alunos, mas
também para toda a população.
Por que os alunos do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de
Uberaba (CESUBE) procuram o Museu dos Dinossauros?
Como fonte de estudos e pesquisas.
Qual a relão do seu curso com o Museu dos Dinossauros?
Devido às disciplinas de Geologia e Paleontologia.
Como você avalia a inclusão da disciplina Museologia no seu curso?
Eu acho que deveria ser uma disciplina optativa e interessante para quem gosta desta
área. É uma disciplina que poderia nos ajudar, em muito, na constrão do nosso
conhecimento.
Você já fez algum trabalho no sítio paleontológico ou no espaço interno do Museu
dos Dinossauros? O professor acompanhou esse trabalho pessoalmente?
Sim, monitoria com as escolas e visitação na Caieira, além de coleta de plantas e insetos
acompanhados do professor Edson Komori.
Qual o papel pedagógico do Museu dos Dinossauros na sua formão profissional e
pessoal?
Conhecimento em relação à extião dos dinossauros, formão da terra, já que nós,
professores, iremos passar essas informações para nossos alunos. Conhecimento é poder
ter mais informações, é adquirir melhor, isso é bom para a nossa saúde mental.
Você gostaria de falar algo sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
Achei importanssimo o Museu ter sido restaurado e agora ser conhecido
internacionalmente por todos os pesquisadores. Espero que cada vez mais ele possa
crescer porque seu crescimento ajuda o só a riqueza de informões, mas também
nossa cidade, as populações pximas, porque Peirópolis é de suma importância para a
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comunidade local. O museu é uma forma de fazer com que os alunos das nossas escolas
saiam da rotina e venham visitá-lo.
Aluno/a 4
Você conhece algum museu?
Sim, o Museu dos Dinossauros, Museu de Arte Sacra e o Museu de História Natural,
todos em Uberaba.
O que mais te chama ateão quando visita um museu?
As pas, os materiais e as informações contidas neles.
O que vo sente quando entra em um museu?
Sentimento de resgate do passado, consciência de preservação e curiosidade associada ao
conhecimento transmitido pelo museu.
Você freenta algum museu? Qual(is)? Por quê?
Ocasionalmente, o Museu de Arte Sacra e o de Hisria Natural e, mais freentemente,
o Museu dos Dinossauros, em Peirópolis.
Acredita que os museus possam ser espaços de aprendizagem?
Com certeza. Os museus proporcionam uma visualização do conteúdo, am de ser um
espaço rico em informações e de chamar a atenção de qualquer pessoa interessada no
assunto.
Tem experiências como monitor, estagrio ou pesquisador em algum museu?
Não.
Acha que os museus são depósitos de objetos e informações?
Não acho que possam ser chamados depósitos, pois os museus o am disso, e eles são
vinculados à sociedade e retratando a vida de um modo geral, quer seja mais recente ou
mais antiga.
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Por que os alunos do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de
Uberaba (CESUBE) procuram o Museu dos Dinossauros?
O Museu dos Dinossauros é de grande importância para nós, futuros blogos e
professores, pois atras dele obtemos informações preciosas, podemos desenvolver
pesquisas, projetos e esgios. Além disso, o Centro de Pesquisas, para nós, torna-se
multidisciplinar, onde fazemos aulas, projetos e pesquisas não só na área de geologia e
paleontologia, mas em outras também.
Qual a relão do seu curso com o Museu dos Dinossauros?
Total relação, já que temos as disciplinas de paleontologia e geologia, principal enfoque
do Museu. Tamm temos a grande oportunidade de conhecer melhor os trabalhos nessa
área, caso tenhamos vontade de especializarmos nisso.
Como você avalia a inclusão da disciplina Museologia no seu curso?
Na minha opino, é desnecesria, pois esse enfoque é abordado na disciplina de
Paleontologia.
Você já fez algum trabalho no sítio paleontológico ou no espaço interno do Museu
dos Dinossauros? O professor acompanhou esse trabalho pessoalmente?
Fizemos trabalho de coletânea botânica acompanhados pelo professor Komori e aulas
práticas com o prof. Luiz Carlos, no Museu.
Qual o papel pedagógico do Museu dos Dinossauros na sua formão profissional e
pessoal?
Atras dos projetos realizados pelo Museu, como a Semana dos Dinossauros”,
podemos r em prática o lado pedagico de ensino do nosso curso, proporcionando,
assim, uma maior experiência nessa área.
Você gostaria de falar algo sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros,
especificamente?
Desde pequena, eu o freqüento, quer seja a passeio, quer seja a estudo. O Museu sempre
foi e continuará sendo muito importante na minha formação, além de ser um orgulho para
mim como cida uberabense. Através de palestras ou mesmo visualização dos materiais
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lá encontrados, eu tenho um conhecimento mais amplo e real da formação da Terra e de
toda biota aqui presente.
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APÊNDICE C
INDAGAÇÕES AOS SUJEITOS PROFESSORES/AS
Costuma visitar museus? Gosta? Acha interessante? Por quê?
Na sua formação profissional, sua escola teve parceria com museus?
Você vê o museu como apoio pedagógico? Por quê?
Acredita que o museu contribui, como espaço não-formal, para a construção do
conhecimento? Por quê?
Costuma levar seus alunos ao Museu dos Dinossauros? Por quê? Planeja esta visita? Avalia a
atividade após o término da mesma?
Desenvolve algum tipo de trabalho ou pesquisa com seus alunos no Museu dos Dinossauros?
Faz o acompanhamento periódico do(a) mesmo(a)?
Como formador de professores, a necessidade de inserir no curso de Ciências Biológicas
do Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE) a disciplina Museologia? Por quê?
Para você, qual o papel pedagógico do Museu dos Dinossauros na formação dos alunos do
curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba (CESUBE)?
Você gostaria de falar sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros, especificamente?
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APÊNDICE D
INDAGAÇÕES AOS SUJEITOS ALUNOS/AS
Você conhece algum museu?
O que mais te chama atenção quando visita um museu?
O que você sente quando entra em um museu?
Você freqüenta algum museu? Qual(is)? Por quê?
Acredita que os museus possam ser espaços de aprendizagem?
Tem experiências como monitor, estagiário ou pesquisador em algum museu?
Acha que os museus são depósitos de objetos e informações?
Por que os alunos do curso de Ciências Biológicas do Centro de Ensino Superior de Uberaba
(CESUBE) procuram o Museu dos Dinossauros?
Qual a relação do seu curso com o Museu dos Dinossauros?
Como avalia a inclusão da disciplina Museologia no seu curso?
Você fez algum trabalho no sítio paleontológico ou no espaço interno do Museu dos
Dinossauros? O professor acompanhou esse trabalho pessoalmente?
Qual o papel pedagógico do Museu dos Dinossauros na sua formação profissional e pessoal?
Você gostaria de falar algo sobre museu ou sobre o Museu dos Dinossauros, especificamente?
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